A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra durante a Operação Vérnix teve origem em manuscritos e bilhetes apreendidos em 2019 em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A operação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, o esquema utilizava uma transportadora de cargas apontada como empresa de fachada para ocultar recursos da facção criminosa. Parte do dinheiro era transferida para contas de terceiros com o objetivo de dificultar o rastreamento financeiro. Entre as contas investigadas estão contas ligadas a Deolane Bezerra.
A polícia afirma que a influenciadora também mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores da transportadora investigada. Os investigadores alegam que não foram identificadas prestações de serviços compatíveis com os valores recebidos por ela.
Além de Deolane, a operação teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC e atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.
De acordo com a investigação, os manuscritos apreendidos em 2019 deram origem a três inquéritos policiais que revelaram detalhes da estrutura financeira da organização criminosa e permitiram identificar operadores responsáveis pelas movimentações financeiras.
Os documentos foram encontrados com dois presos e continham ordens internas da facção, contatos de integrantes do alto escalão do PCC e referências a ataques contra servidores públicos. Os investigados foram posteriormente condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.
Os bilhetes estavam escondidos na caixa de esgoto das celas e também continham informações sobre o esquema de tráfico de drogas comandado por Gilmar Pinheiro Feitoza, apontado como liderança da facção dentro da Penitenciária de Presidente Venceslau.
Os manuscritos e documentos foram localizados durante revista realizada em julho de 2019 nas celas de Gilmar Pinheiro Feitoza e de Sharlon Praxedes da Silva, conhecido como “Maradona”.
Durante a análise do material, investigadores encontraram referências a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos para auxiliar ataques planejados pela organização criminosa.
A partir dessas informações, foi instaurado um segundo inquérito para identificar a mulher mencionada e investigar a ligação entre a transportadora sediada em Presidente Venceslau e a facção criminosa. Segundo a polícia, as investigações concluíram que a empresa era utilizada para lavagem de dinheiro do PCC.
Ao todo, a Operação Vérnix cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. A Justiça também determinou bloqueios financeiros de R$ 357,5 milhões e o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
No caso de Deolane Bezerra, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores atribuídos à influenciadora.
Procurado pela reportagem, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, afirmou que está se “inteirando dos fatos”.
O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, também declarou que ainda irá analisar o caso. As defesas dos demais investigados não foram localizadas.
Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da transportadora como braço financeiro da organização criminosa.
Durante essa operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. Segundo os investigadores, o aparelho continha informações sobre movimentações financeiras realizadas pela empresa Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes.
A investigação afirma que Ciro Cesar Lemos realizava compra de caminhões, pagamentos, movimentação de recursos da cúpula do PCC e administração de patrimônio em nome de Marcola e Alejandro Camacho.
Segundo a polícia, a análise do celular revelou imagens de depósitos para contas ligadas a Deolane Bezerra e a Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da facção.
As investigações apontam que parte dos recursos da transportadora era destinada a Marcola, Alejandro Camacho e familiares por meio de contas ligadas a Everton de Souza e à influenciadora.
Entre os familiares investigados estão Alejandro Camacho, irmão de Marcola, que também está preso em Brasília, além de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder da facção, apontada como intermediária dos negócios da família e considerada foragida na Espanha.
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e apontado pela polícia como destinatário de parte dos recursos lavados, também é alvo de mandado de prisão e estaria na Bolívia.
O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou os investigadores a apontarem Deolane como recebedora de valores provenientes do PCC.
Segundo a investigação, entre 2018 e 2021, a influenciadora recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento financeiro.
A polícia afirma que Everton de Souza indicava as contas de Deolane para os chamados “fechamentos” mensais do esquema financeiro investigado.
Os investigadores também identificaram cerca de 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas à influenciadora, totalizando R$ 716 mil. Segundo a investigação, os valores partiram de uma empresa apresentada como banco de crédito cujo responsável teria renda mensal equivalente a aproximadamente um salário mínimo.
A análise financeira realizada pela polícia não identificou pagamentos compatíveis com os créditos relacionados às transferências. Para os investigadores, isso representa indícios de ocultação e dissimulação de recursos da facção criminosa.
A polícia também afirma não ter encontrado prestação de serviços advocatícios que justificasse os valores recebidos por Deolane Bezerra.
Segundo a investigação, a atividade empresarial, a exposição pública e a movimentação patrimonial da influenciadora eram utilizadas como forma de dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
Ao autorizar as prisões preventivas, a Justiça de São Paulo apontou risco de destruição de provas, ocultação de patrimônio, interferência na investigação e possibilidade de fuga dos investigados.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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