Um novo conjunto de restos mortais humanos foi encontrado no sítio arqueológico de Don Yai Thong, em Phetchaburi, na região central da Tailândia. A descoberta amplia o interesse dos pesquisadores por um antigo cemitério, datado preliminarmente entre 1.500 e 2.000 anos, que já havia revelado esqueletos, objetos de bronze, joias de ouro e artefatos ligados a práticas funerárias complexas.
Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Belas Artes da Tailândia, o novo esqueleto é o nono identificado no local. Os restos mortais pertencem provavelmente a uma criança com menos de 12 anos no momento da morte. Próximo ao corpo, os arqueólogos encontraram dentes e mandíbula de uma vaca ou búfalo, além de contas de vidro, cerâmicas, pedaços de argila queimada e um objeto de bronze que pode ter sido um gongo.
O achado reforça a importância de Don Yai Thong para o estudo das comunidades pré-históricas da região. No início das escavações, os pesquisadores já haviam localizado oito esqueletos acompanhados por vasos de bronze posicionados sobre a cabeça e o queixo dos mortos. Também foram identificadas contas de vidro e pedra, brincos e pulseiras de ouro, além de vasos de bronze próximos aos pés dos sepultados.
Até o momento, seis tambores de bronze foram descobertos no sítio. Para os pesquisadores, a presença desses instrumentos em contexto funerário é considerada relevante porque pode ajudar a entender o papel do bronze nas cerimônias, na organização social e nas crenças sobre a morte entre comunidades antigas do oeste da Tailândia.
Os objetos encontrados sugerem que parte dos indivíduos sepultados poderia ocupar posição de prestígio. Joias de ouro, ornamentos, vasos e contas costumam ser analisados pela arqueologia como possíveis sinais de status, identidade ritual ou vínculos familiares. No caso de Don Yai Thong, os pesquisadores evitam conclusões definitivas, mas afirmam que o conjunto indica uma comunidade com práticas funerárias elaboradas.


A descoberta começou a ganhar força depois que um tambor de bronze foi encontrado em uma área rural do distrito de Ban Lat, em Phetchaburi. A partir daí, arqueólogos iniciaram escavações sistemáticas e passaram a identificar novos vestígios, incluindo ossadas humanas, fragmentos cerâmicos, objetos metálicos e oferendas.
As próximas etapas da pesquisa devem incluir datação científica e análises mais detalhadas dos materiais. Amostras de carvão serão enviadas para datação, e o Departamento de Belas Artes também pretende usar escaneamento 3D para registrar os esqueletos e as áreas escavadas antes da remoção dos artefatos para conservação.
Embora ainda seja cedo para definir com precisão quem eram essas pessoas e como viviam, Don Yai Thong já se apresenta como uma das descobertas arqueológicas mais relevantes da Tailândia recente. O sítio pode oferecer novas pistas sobre hierarquia social, rituais de sepultamento, circulação de objetos de prestígio e crenças sobre a vida após a morte em uma comunidade que existiu antes do período histórico tailandês.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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