Uma antiga pedreira localizada em Sugarloaf Hill, na região de Riverland, no sul da Austrália, está ajudando pesquisadores a compreender melhor a relação milenar dos povos aborígenes com a paisagem, os rios e as redes de circulação de materiais. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Flinders, em parceria com a River Murray and Mallee Aboriginal Corporation, aponta que a extração de pedras no local começou há cerca de 7 mil anos.
A pesquisa representa a primeira investigação detalhada sobre uma pedreira aborígene de sílex e silcreto nessa região. Esses materiais, duros e de granulação fina, eram extraídos para a produção de ferramentas, armas e outros artefatos usados no cotidiano, na caça, no trabalho e nas trocas entre grupos.
Pedreira antiga ajuda a entender redes aborígenes
O estudo mostra que Sugarloaf Hill não era apenas um ponto de extração de matéria-prima. Pela importância dos materiais encontrados, os pesquisadores acreditam que as pedras retiradas da pedreira circularam para além de Riverland, integrando redes de troca e contato entre diferentes comunidades aborígenes ao longo do corredor do rio Murray.
Segundo Craig Westell, pesquisador da Universidade Flinders, o principal resultado da pesquisa foi estabelecer uma cronologia plausível para a mineração desses materiais em Sugarloaf Hill. Essa linha do tempo permite comparar a atividade no local com outras pedreiras antigas da Austrália e compreender melhor os sistemas sociais, culturais e econômicos ligados à extração de pedra.
A região faz parte da Bacia Murray-Darling, o maior sistema fluvial da Austrália. Para os pesquisadores, entender como os materiais de Sugarloaf Hill eram usados e distribuídos ajuda a reconstruir antigas conexões entre grupos que viviam em diferentes áreas do território.
Sílex e silcreto eram usados em ferramentas e armas
Os materiais extraídos da pedreira tinham grande valor para a fabricação de instrumentos. O sílex e o silcreto podiam ser lascados e moldados em bordas cortantes, úteis para produzir ferramentas de corte, pontas e armas. Evidências arqueológicas indicam que esses recursos eram importantes o suficiente para serem transportados e redistribuídos em áreas mais amplas.
A investigação também reforça que as comunidades aborígenes mantinham profundo conhecimento sobre a paisagem. A escolha dos locais de extração, o domínio das técnicas de lascamento e a circulação dos materiais mostram uma relação sofisticada com o ambiente, baseada em uso, manejo e transmissão de conhecimento ao longo de muitas gerações.
Para Sheryl Giles, representante da River Murray and Mallee Aboriginal Corporation, a cronologia demonstra tanto a antiguidade quanto a continuidade dos vínculos mantidos pelos ancestrais aborígenes com todos os aspectos da paisagem fluvial.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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