Dólar recua com atuação do Banco Central e ajuste após avanço de 2% na semana

Dólar recua com atuação do Banco Central e ajuste após avanço de 2% na semana

O dólar iniciou os negócios desta segunda-feira, 22, em leve queda no mercado à vista, após acumular valorização de 2,04% na semana anterior. O movimento foi atribuído principalmente à realização de lucros e às operações promovidas pelo Banco Central para melhorar a liquidez do mercado cambial.

A autoridade monetária realizou um leilão casado de até US$ 1 bilhão, envolvendo a venda de dólares no mercado à vista e contratos de swap cambial reverso, operação equivalente à compra da moeda norte-americana no mercado futuro. A medida buscou reduzir distorções nas negociações e contribuiu para a queda das taxas dos contratos de juros futuros.

Às 9h08, o dólar à vista era negociado a R$ 5,1601, com recuo de 0,09%.

Além da atuação do Banco Central, investidores acompanham os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, as projeções divulgadas pelo Boletim Focus e a decisão do Tesouro Nacional de cancelar um leilão de títulos públicos.

As estimativas do mercado financeiro para a inflação brasileira voltaram a subir. Segundo o Focus, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo em 2026 passou de 5,30% para 5,33%, permanecendo acima do limite superior da meta.

Para 2027, a previsão de inflação avançou para 4,15%. A estimativa para 2028 ficou em 3,70%, enquanto a projeção para 2029 foi mantida em 3,50%.

A expectativa para a taxa básica de juros ao final de 2026 também foi elevada, passando de 13,75% para 14% ao ano. As projeções para os demais períodos permaneceram estáveis.

Em relação à atividade econômica, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 subiu de 1,96% para 1,98%. Para o câmbio, o mercado manteve a estimativa de dólar a R$ 5,20 no encerramento de 2026 e elevou ligeiramente a projeção para 2027, de R$ 5,26 para R$ 5,27.

Outro fator observado pelos investidores foi o cancelamento do leilão tradicional de venda de Notas do Tesouro Nacional Série B, as NTN-Bs, que estava previsto para terça-feira. O Tesouro informou que a oferta de Letras Financeiras do Tesouro, marcada para a mesma data, será mantida.

Na avaliação da gestora Warren, a decisão pode refletir uma deterioração das condições no mercado de títulos públicos e poderá exigir novas medidas caso o cenário de volatilidade continue.

No exterior, as atenções permanecem voltadas para as tratativas entre Estados Unidos e Irã. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que houve avanços nas reuniões realizadas na Suíça e declarou que o governo iraniano concordou com o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os mercados também monitoram a queda das cotações do petróleo e aguardam a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal dos Estados Unidos, o PCE, prevista para quinta-feira. O indicador é uma das principais referências utilizadas pelo Federal Reserve na definição da política monetária.

Na China, o Banco Popular da China manteve inalteradas as taxas de referência para empréstimos. A taxa de um ano permaneceu em 3% ao ano, enquanto a de cinco anos continuou em 3,5%.

No Reino Unido, o ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham confirmou que pretende disputar a liderança do Partido Trabalhista após a renúncia de Keir Starmer. O vencedor da disputa também poderá assumir o cargo de primeiro-ministro britânico.

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