Poucas embalagens são tão reconhecidas quanto a lata cilíndrica das Pringles. Alta, estreita e fechada por uma tampa plástica, ela foi desenvolvida para proteger salgadinhos frágeis, conservar a textura e permitir que as unidades fossem organizadas umas sobre as outras. O que parecia apenas uma solução para o setor de alimentos acabou se tornando parte da história pessoal de seu criador.
Fredric J. Baur, químico e pesquisador da Procter & Gamble, participou do desenvolvimento e do patenteamento do sistema de embalagem utilizado pela marca. Orgulhoso do resultado, ele manifestou à família um último desejo incomum: quando morresse, queria que parte de suas cinzas fosse colocada dentro de uma lata de Pringles.
Baur morreu em 2008, aos 89 anos. Seus familiares cumpriram o pedido e escolheram uma embalagem do sabor original para guardar parte dos restos cremados. A lata foi sepultada junto com uma urna em um cemitério próximo a Cincinnati, no estado norte-americano de Ohio.

Uma solução criada para evitar salgadinhos quebrados
A origem da lata está relacionada a um problema frequente enfrentado pela indústria de alimentos. Os salgadinhos vendidos em sacos eram frágeis, quebravam durante o transporte e ocupavam espaço de maneira pouco eficiente.
As embalagens tradicionais também permitiam a presença de grande quantidade de ar entre as unidades. Isso podia favorecer a perda de crocância e reduzir o tempo de conservação do produto depois da fabricação.
A proposta desenvolvida por Fredric Baur e Harold Kenneth Hawley foi reunir salgadinhos de tamanho e formato uniformes em uma sequência compacta. Em vez de serem despejados aleatoriamente em um saco, eles seriam cuidadosamente empilhados dentro de um recipiente rígido.
O sistema também procurava limitar a entrada de oxigênio e umidade. Dessa forma, a embalagem ajudaria a evitar que o produto se tornasse rançoso ou perdesse rapidamente a textura.
A patente da embalagem tubular
O pedido de patente do sistema foi apresentado nos Estados Unidos em 29 de julho de 1966. O registro descrevia uma embalagem tubular rígida, fechada nas extremidades e adequada para receber salgadinhos curvos organizados em uma pilha.
A patente foi concedida em 3 de março de 1970. O documento foi atribuído a Fredric Baur e Harold Hawley, que trabalhavam para a Procter & Gamble.
Mais do que definir o formato externo, o projeto detalhava uma nova maneira de armazenar produtos frágeis. A disposição ordenada reduzia os espaços vazios, protegia contra impactos e permitia acomodar uma quantidade maior em uma embalagem relativamente compacta.
A solução também ofereceu uma identidade visual própria ao produto. Nas décadas seguintes, a lata se tornou um dos elementos mais reconhecidos da marca Pringles.
Baur não criou o produto sozinho
Embora Fredric Baur seja frequentemente chamado de inventor da lata de Pringles, o desenvolvimento completo do salgadinho envolveu diferentes pesquisadores.
Baur trabalhou nas primeiras soluções relacionadas ao formato e ao armazenamento. Posteriormente, Alexander Liepa aperfeiçoou a receita e o processo de produção, enquanto outros profissionais colaboraram na criação das máquinas utilizadas para preparar os salgadinhos em escala industrial.
A contribuição de Baur ficou especialmente ligada ao recipiente tubular e ao método de empilhamento. A embalagem solucionou parte dos problemas que inspiraram o projeto: a grande quantidade de unidades quebradas e a dificuldade de conservação encontrada nos pacotes convencionais.

Um pedido feito anos antes da morte
Segundo relatos dos familiares, Baur começou a comentar ainda na década de 1980 que gostaria de ser enterrado dentro de uma lata criada por ele. Inicialmente, os filhos chegaram a interpretar a ideia como uma brincadeira.
Com o passar do tempo, perceberam que o pedido era sério. Quando o pesquisador morreu, em maio de 2008, a família decidiu respeitar sua vontade.
Uma das decisões foi escolher o sabor da embalagem que seria utilizada. Os filhos optaram pela versão original, considerada a escolha mais adequada para representar a criação que acompanhou a trajetória profissional do pai.
Somente uma parte das cinzas coube dentro da lata. Outra porção foi colocada em uma urna sepultada no mesmo local, enquanto uma quantidade menor ficou com um dos netos.
O caso ganhou repercussão internacional por unir uma invenção industrial a uma despedida pessoal. Em vez de escolher apenas uma urna tradicional, Baur decidiu permanecer simbolicamente ligado à criação pela qual ficou conhecido.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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