La Guaira, estado localizado na costa norte da Venezuela e vizinho a Caracas, concentra parte dos danos mais graves provocados pelos dois terremotos registrados na quarta-feira (24). A região foi classificada pelo governo venezuelano como zona de desastre diante do número de construções destruídas, moradores desabrigados e pessoas ainda procuradas nos escombros.
O balanço divulgado pelas autoridades nesta sexta-feira (26) indica 235 mortos e cerca de 4,3 mil feridos. O governo também informou que aproximadamente 200 pessoas haviam ficado presas sob estruturas desabadas, mas o número pode mudar à medida que as buscas avancem.
Os terremotos tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e ocorreram com menos de um minuto de intervalo. Os epicentros foram registrados a oeste de Caracas, mas os abalos atingiram diferentes áreas do norte venezuelano, incluindo a capital, La Guaira e municípios do estado de Carabobo.
Em La Guaira, mais de 100 estruturas desabaram e aproximadamente 70 mil famílias foram afetadas, conforme informações divulgadas pelas autoridades. Prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e unidades de saúde estão entre os imóveis danificados.
O estado abriga o Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal terminal aéreo da Venezuela, que teve as operações prejudicadas após sofrer danos. O governo passou a utilizar aeroportos de outras cidades para receber parte da ajuda humanitária enviada por outros países.
Uma plataforma colaborativa criada para reunir informações sobre desaparecidos apresentava mais de 49,6 mil registros nesta sexta-feira. O levantamento é alimentado por familiares e usuários das redes sociais, não foi verificado de maneira independente e não representa um balanço oficial do governo venezuelano.
Durante as primeiras horas depois dos terremotos, moradores relataram demora na chegada de máquinas e equipes especializadas a alguns dos locais atingidos. Sem equipamentos adequados, voluntários passaram a retirar concreto e outros materiais com as próprias mãos.
Ao participar das buscas em La Guaira, Carlos Borges relatou a falta de recursos para a remoção dos escombros.
“Estamos tentando ajudar com o que podemos, mas faltam equipamentos”, disse.
Borges afirmou que o grupo do qual participava conseguiu retirar três pessoas com vida de um dos edifícios atingidos. Em outras áreas, familiares aguardavam a chegada de escavadeiras e equipamentos capazes de movimentar grandes placas de concreto.
Morador do bairro Los Corales, Argenis Martínez pediu o reforço das Forças Armadas e o envio de máquinas para apoiar as operações.
“Não é possível chamar os militares? Que todos venham ajudar. Coloquem-nos em veículos e tragam tratores de onde for possível”, pediu.
O governo informou que trabalha com empresas privadas para reunir escavadeiras, guindastes e outros equipamentos pesados. Comboios militares, hospitais de campanha e equipes internacionais também começaram a ser enviados às regiões mais afetadas.
Hospitais de La Guaira receberam grande número de feridos e passaram a realizar atendimentos em áreas externas. Pelo menos oito unidades hospitalares do país foram danificadas, além da sede da Cruz Vermelha venezuelana e de outras instalações públicas.
O fornecimento de energia elétrica e os serviços de comunicação permaneciam limitados em alguns bairros. Milhares de moradores deixaram imóveis danificados e passaram a noite nas ruas, em abrigos improvisados ou na casa de familiares.
Na rodovia que liga Caracas a La Guaira, grupos de voluntários transportavam água, alimentos e medicamentos para auxiliar as comunidades atingidas. A mobilização ocorreu enquanto as equipes oficiais concentravam esforços nos locais com maior número de desabamentos.
Entre as pessoas que aguardavam a chegada de equipamentos estava Yamileth Jiménez, cujo filho de 19 anos permanecia sob os escombros do prédio onde a família morava.
“Meu filho está debaixo das placas de concreto e não há máquinas para tirá-lo de lá”, afirmou.
Focos de incêndio também foram registrados em áreas com edifícios destruídos durante a madrugada, apesar da interrupção do fornecimento doméstico de gás. Bombeiros e voluntários trabalharam no controle das chamas e na retirada de moradores.
Pedro Pérez, de 64 anos, perdeu a residência e a oficina onde trabalhava. Ele passou a noite na rua com a mulher e os filhos enquanto aguardava atendimento.
“Perdemos tudo. Não temos comida nem remédios. Esperamos que a ajuda chegue logo”, declarou.
Países da América Latina, da Europa e de outras regiões anunciaram o envio de equipes de busca, cães farejadores, profissionais de saúde, medicamentos e equipamentos. A Organização das Nações Unidas passou a coordenar parte da assistência internacional.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o número de mortos pode aumentar diante da magnitude dos tremores, da quantidade de edifícios destruídos e da dificuldade de acesso a algumas áreas.
As buscas continuam em La Guaira, Caracas, Morón e outros municípios atingidos. As autoridades orientam moradores a não entrar em construções danificadas devido ao risco de novos desabamentos e à ocorrência de réplicas.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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