Dois terremotos de grande magnitude atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), com intervalo de apenas 39 segundos. A sequência foi classificada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como um terremoto duplo, fenômeno no qual dois abalos de intensidade semelhante ocorrem em áreas próximas e dentro de um curto período.
O primeiro terremoto teve magnitude 7,2 e ocorreu nas proximidades de Yumare, no norte da Venezuela. Pouco depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, atingiu outra área próxima e passou a ser considerado o terremoto principal da sequência.
Até a manhã desta sexta-feira (26), o governo venezuelano havia confirmado 235 mortes. Milhares de pessoas continuavam desaparecidas, enquanto equipes nacionais e estrangeiras participavam das operações de busca, resgate e atendimento às populações atingidas.
Os tremores provocaram danos em Caracas, La Guaira, Morón e outras áreas do norte do país. Edifícios foram destruídos ou tiveram suas estruturas comprometidas, deixando moradores desabrigados e pessoas presas sob os escombros.
O segundo terremoto foi registrado em uma profundidade aproximada de 10 quilômetros, enquanto o primeiro ocorreu a cerca de 20 quilômetros de profundidade. Terremotos rasos costumam provocar tremores mais intensos na superfície, embora o nível de destruição também dependa da distância do epicentro, das condições do solo e da resistência das construções.
Um terremoto pode contribuir para o início de outro quando a ruptura de uma falha geológica altera a distribuição das tensões acumuladas na crosta terrestre. Essa mudança pode aumentar a pressão sobre falhas próximas que já estavam perto do ponto de ruptura.
Esse processo não significa que o primeiro terremoto produza sozinho toda a energia necessária para provocar o seguinte. A tensão já estava acumulada nas rochas, em razão do movimento das placas tectônicas. O primeiro abalo pode funcionar como o elemento que modifica o equilíbrio existente e antecipa a ruptura de outra falha.
Além da alteração permanente das tensões ao redor da área rompida, as ondas sísmicas também podem contribuir para desencadear novos terremotos. Ao atravessarem uma região, essas ondas fazem as rochas vibrarem e provocam mudanças temporárias na pressão exercida sobre as falhas.
Ao explicar esse mecanismo, o USGS informou que o desencadeamento costuma ocorrer em locais que já apresentam condições geológicas favoráveis à ocorrência de terremotos.
“A energia das ondas sísmicas que passam pode causar um novo terremoto, geralmente em locais já vulneráveis e propensos a terremotos frequentes”, destacou o órgão.
No caso venezuelano, análises iniciais indicam que o primeiro tremor pode ter redistribuído as tensões sobre outra falha próxima. Como o segundo terremoto foi mais forte, o abalo de magnitude 7,2 passou a ser classificado como um pré-choque, enquanto o de magnitude 7,5 foi identificado como o terremoto principal.
O geólogo Mark Quigley explicou que a área afetada está inserida em uma região de interação entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O movimento entre essas placas produz tensões em diferentes sistemas de falhas no norte venezuelano.
O termo terremoto duplo é utilizado quando dois abalos de magnitudes próximas ocorrem em sequência e em locais geograficamente relacionados. Essa característica diferencia o fenômeno de uma sequência comum, na qual um terremoto principal é seguido por réplicas consideravelmente menores.
O USGS estima que a probabilidade de um terremoto ser seguido por outro maior, nas proximidades e dentro de uma semana, é de aproximadamente 5%. Esse percentual não significa que todos esses casos sejam classificados automaticamente como terremotos duplos, pois a definição também considera a semelhança entre as magnitudes, a distância e o intervalo entre os eventos.
Sequências semelhantes já foram registradas em outros países. Em 2023, dois grandes terremotos atingiram a Turquia e a Síria. Outros episódios relacionados ocorreram na Indonésia, no Chile e nos Estados Unidos, embora as características geológicas e o intervalo entre os tremores tenham variado.
A réplica, por outro lado, é um terremoto menor que ocorre depois do principal e na mesma região. Esses abalos fazem parte do processo de reajuste da crosta terrestre após a ruptura de uma falha.
As réplicas podem ocorrer poucos minutos depois do terremoto principal ou continuar durante semanas, meses e, em alguns casos, anos. A frequência costuma diminuir com o passar do tempo, mas novos tremores ainda podem causar danos em construções fragilizadas.
A definição de cada abalo também pode mudar durante a análise da sequência. Um terremoto inicialmente considerado o principal passa a ser chamado de pré-choque quando outro tremor mais forte ocorre posteriormente na mesma área.
No terremoto duplo, os dois abalos possuem magnitudes próximas e podem estar associados à ruptura de segmentos diferentes de uma falha ou de falhas vizinhas. Nas réplicas, os tremores posteriores são menores e representam o reajuste da área afetada pelo terremoto principal.
O Brasil enviou uma missão humanitária para apoiar as buscas na Venezuela. A equipe reúne integrantes da Defesa Civil, bombeiros militares e técnicos especializados em tecnologias destinadas à localização de sobreviventes sob os escombros.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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