Astronautas podem ficar até 3% mais altos durante missões espaciais devido ao alongamento temporário da coluna vertebral. A mudança ocorre porque, no ambiente de microgravidade, o corpo deixa de sofrer a mesma compressão exercida pelo próprio peso na superfície terrestre.
Para uma pessoa com cerca de 1,80 metro de altura, o aumento pode chegar a aproximadamente cinco centímetros. A transformação não representa crescimento dos ossos e tampouco é permanente: após o retorno à Terra, a coluna volta gradualmente às condições anteriores e o astronauta recupera sua altura habitual.
O fenômeno ajuda pesquisadores a compreender como o organismo reage quando permanece semanas ou meses fora das condições para as quais evoluiu. Embora o aumento de altura pareça apenas uma curiosidade, ele pode ser acompanhado por dor nas costas, desconforto e alterações nos músculos responsáveis pela sustentação da coluna.
Microgravidade permite que a coluna se alongue
Na Terra, a gravidade exerce pressão constante sobre o corpo. Ao permanecer em pé ou sentado, o peso comprime levemente a coluna vertebral e os discos intervertebrais, estruturas flexíveis localizadas entre as vértebras.
No espaço, essa pressão diminui consideravelmente. A coluna pode ficar mais reta e alongada, enquanto os discos deixam de receber a carga vertical habitual. Como resultado, a distância entre algumas vértebras aumenta e o corpo ganha alguns centímetros.
Apesar da expressão popular “gravidade zero”, a gravidade não desaparece na Estação Espacial Internacional. A estação e seus ocupantes permanecem sob a influência gravitacional da Terra, mas estão em queda livre contínua ao redor do planeta. Essa condição produz a sensação de ausência de peso conhecida como microgravidade.
A Nasa calcula que o aumento de altura pode ocorrer principalmente durante os primeiros três ou quatro dias em órbita. A intensidade da mudança varia entre os tripulantes, conforme características individuais e a resposta do organismo ao novo ambiente.

A mudança de altura não é crescimento verdadeiro
O aumento observado nas missões espaciais não acontece porque os ossos ficam mais compridos. Pessoas adultas não retomam o crescimento corporal simplesmente por entrarem em órbita.
A diferença está na organização da coluna. Sem a compressão cotidiana provocada pela gravidade, ela se expande e pode perder parte de sua curvatura normal. O efeito é semelhante ao que acontece, em escala muito menor, quando uma pessoa acorda ligeiramente mais alta depois de passar várias horas deitada.
Durante o dia, os discos intervertebrais são comprimidos pelas atividades realizadas na Terra. Ao dormir, parte dessa pressão é reduzida e a coluna recupera temporariamente algum comprimento. No espaço, a redução da carga ocorre de forma prolongada, permitindo uma expansão mais perceptível.
A altura adicional pode ser suficiente para exigir atenção no planejamento de equipamentos. Trajes espaciais, assentos e áreas internas das naves precisam considerar possíveis alterações corporais dos tripulantes durante missões longas.
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Alongamento pode provocar dores e desconforto
Ficar mais alto durante alguns meses não significa que o organismo esteja em melhores condições. A expansão da coluna pode provocar dores lombares, rigidez, espasmos musculares e desconforto entre os astronautas.
Os músculos usados para manter a postura também trabalham de maneira diferente em órbita. Como não precisam sustentar continuamente o corpo contra a gravidade, podem perder força e volume. Esse processo pode reduzir a estabilidade da coluna, principalmente depois do retorno à Terra.
Pesquisadores também investigam possíveis alterações nos discos intervertebrais. Após meses em microgravidade, o corpo precisa voltar a suportar o peso terrestre durante o pouso e o período de readaptação. Essa transição pode exigir cuidados, já que os tecidos passaram um longo intervalo sem receber a carga habitual.
A Nasa utiliza exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, para acompanhar a coluna antes, durante e depois das missões. O objetivo é identificar modificações nos músculos, nas vértebras e nos discos, além de avaliar medidas capazes de reduzir o risco de lesões.
Exercícios ajudam a limitar os efeitos da permanência no espaço
Os astronautas seguem uma rotina diária de exercícios na Estação Espacial Internacional. Os equipamentos disponíveis simulam atividades como corrida, ciclismo e levantamento de peso, mesmo sem a gravidade necessária para manter o corpo apoiado no chão.
O treinamento não impede completamente o alongamento da coluna, mas ajuda a preservar os músculos e os ossos. Sem exercícios regulares, a perda de massa muscular e de densidade mineral óssea ocorreria de maneira mais acelerada.
A Agência Espacial Europeia também pesquisa roupas especiais capazes de aplicar pressão sobre o corpo. Conhecidas como Skinsuits, essas vestimentas tentam reproduzir parte da carga exercida pela gravidade, comprimindo o astronauta dos ombros em direção aos pés.
As pesquisas são importantes para futuras viagens de longa duração. Missões à Lua ou a Marte poderão manter tripulações afastadas da gravidade terrestre durante períodos maiores, aumentando a necessidade de proteger a coluna e outros componentes do sistema musculoesquelético.

Altura volta ao normal depois do pouso
Quando o astronauta retorna à Terra, a gravidade volta a comprimir a coluna. Com o passar do tempo, os discos e as curvaturas vertebrais retomam sua configuração anterior, fazendo com que a altura adicional desapareça.
O processo pode ocorrer acompanhado por dores ou dificuldades de adaptação. Por essa razão, os tripulantes passam por avaliações médicas e programas de reabilitação destinados a recuperar força, equilíbrio e coordenação.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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