A identificação de cinco novas letras do alfabeto sidético ampliou o conhecimento sobre uma língua antiga falada em Side, cidade portuária da Anatólia, região que hoje corresponde a parte do território da Turquia. Com a descoberta, o número de sinais conhecidos desse sistema de escrita passou para 31.
A informação foi divulgada pelo jornal Hürriyet Daily News. As letras foram identificadas a partir de inscrições bilíngues recentemente encontradas no sítio arqueológico de Side. Os textos possuem entre 30 e 40 linhas, quantidade considerada relevante para os pesquisadores, já que a maior parte dos registros conhecidos em sidético é curta.
A pesquisa é conduzida por Feriştah Alanyalı, da Universidade Anadolu, em conjunto com outros especialistas. Segundo a pesquisadora, a escassez de inscrições disponíveis e o fato de muitas delas conterem apenas uma ou duas linhas dificultam o processo de decifração da língua.
O sidético é uma língua antiga relacionada a outros idiomas falados na Anatólia, como o lício e o cário. Essas línguas integram um conjunto de tradições linguísticas que coexistiram na região antes da ampla difusão do grego, especialmente após as campanhas de Alexandre, o Grande.
A descoberta das novas letras representa um avanço para os estudos sobre a escrita e a organização linguística de Side. Como os registros preservados são limitados, cada nova inscrição oferece elementos importantes para compreender a estrutura do idioma, seu vocabulário e sua relação com outras línguas antigas da região.
Entre os termos analisados pelos estudiosos estão “Siruawn” e “Siruawan”. Há consenso entre pesquisadores de que essas palavras provavelmente se referem à própria cidade de Side. Para Feriştah Alanyalı, essa interpretação acrescenta uma nova dimensão às discussões sobre a história antiga da cidade e sobre a origem de seu nome.
A pesquisadora afirmou ainda que os estudos continuam, mas que o nome da cidade provavelmente mantém relação com o significado de “romã”. Essa associação é relevante porque Side já foi vinculada a esse símbolo em interpretações históricas e culturais sobre a identidade local.
A permanência do sidético por cerca de 200 anos após a conquista de Alexandre, o Grande, também chama a atenção dos especialistas. Mesmo com o avanço do grego como língua amplamente utilizada na região, os habitantes de Side mantiveram seu próprio idioma por um período significativo.
Para os pesquisadores, essa continuidade indica a força da cultura local e a influência da cidade dentro do contexto regional. A preservação do idioma, mesmo diante de mudanças políticas e culturais, sugere que Side manteve uma identidade própria durante parte importante de sua história antiga.
A análise das inscrições bilíngues pode contribuir para novas etapas de interpretação. Como textos desse tipo apresentam correspondência entre idiomas diferentes, eles permitem comparações mais precisas e ajudam os especialistas a identificar palavras, estruturas gramaticais e possíveis equivalências entre sistemas de escrita.

Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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