Estudo encontra vestígios de mercúrio e chumbo em caranguejos no litoral do Paraná

Estudo encontra vestígios de mercúrio e chumbo em caranguejos no litoral do Paraná

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Pesquisadores que monitoram os ecossistemas costeiros do litoral do Paraná identificaram a presença de metais potencialmente tóxicos em exemplares do caranguejo-uçá, uma das espécies mais tradicionais dos manguezais da região. O estudo apontou concentrações de mercúrio e chumbo em alguns animais analisados, embora os níveis tenham variado conforme o local e o período da coleta.

A pesquisa faz parte das atividades do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), desenvolvido pela Associação Mar Brasil. O trabalho é conduzido por especialistas que acompanham a saúde dos manguezais e das espécies que dependem desse ambiente para sobreviver.

Segundo os pesquisadores, além dos metais considerados preocupantes, também foram encontrados elementos como zinco, manganês e magnésio, substâncias naturalmente presentes e importantes para o organismo humano. A atenção, porém, está voltada aos registros de mercúrio e chumbo, que podem representar riscos dependendo da quantidade acumulada e da frequência de consumo.

Apesar da descoberta, os cientistas ressaltam que ainda não há conclusões sobre eventuais impactos à saúde das pessoas que consomem o crustáceo. Novas análises serão realizadas para avaliar a concentração desses contaminantes e sua possível relação com o consumo humano.

Outro ponto observado pelos pesquisadores é que os caranguejos analisados não apresentaram sinais aparentes de comprometimento biológico. Os animais demonstraram comportamento considerado normal, mantendo suas atividades de alimentação, reprodução e deslocamento.

Uma das hipóteses estudadas é a possibilidade de os contaminantes serem eliminados durante a troca periódica da carapaça. Outra linha de investigação analisa se compostos presentes nas folhas do mangue, principal fonte de alimentação da espécie, podem oferecer algum mecanismo de proteção natural aos crustáceos.

O monitoramento ocorre em uma região de intensa atividade econômica e ambiental, próxima ao Porto de Paranaguá, áreas turísticas e comunidades tradicionais. Os pesquisadores destacam que compreender a origem dos contaminantes é fundamental para a preservação dos manguezais e para a segurança das populações que dependem da pesca e da captura de caranguejos como fonte de renda.

Além do acompanhamento da fauna, o projeto também realiza estudos sobre a vegetação dos manguezais e sua importância ambiental. As áreas monitoradas fazem parte da Grande Reserva Mata Atlântica, considerada o maior remanescente contínuo desse bioma no país.

Especialistas destacam ainda o papel dos manguezais no armazenamento de carbono, na proteção contra erosão costeira, no controle de enchentes e na filtragem natural da água.

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