Mapeados 2 mil sítios arqueológicos indígenas no Estado de São Paulo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um mapa interativo que identifica mais de 2 mil sítios arqueológicos indígenas no Estado de São Paulo.

Esta ferramenta inovadora oferece um panorama abrangente sobre a arqueologia dos povos indígenas no território paulista, utilizando dados de teses de doutorado, artigos e outras publicações.

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Desenvolvimento do mapa interativo

O mapa interativo também é resultado da colaboração entre os pesquisadores, já que foi a partir dos dados levantados pelas pesquisas de cada um dos integrantes do projeto da USP que o mapeamento estadual foi feito. Tudo começou com uma grande tabela no Excel, um compilado de banco de dados. Eles desenvolveram o site no domínio da USP e transformaram essa tabela em um site acessível a todos.

A utilização de tecnologias avançadas foi crucial para a criação do mapa interativo. Ferramentas de geoprocessamento e sistemas de informação geográfica (SIG) foram empregadas para converter os dados das planilhas em uma representação visual compreensível. Além disso, o mapa fornece informações detalhadas sobre o tipo de material encontrado, a tradição indígena e a datação dos sítios.

A transição de dados de planilhas para um formato interativo não foi isenta de desafios. A equipe enfrentou dificuldades na padronização dos dados e na integração de diferentes fontes de informação. No entanto, a colaboração entre os pesquisadores e o uso de tecnologias adequadas permitiram superar esses obstáculos.

Importância dos sítios arqueológicos

Os sítios arqueológicos são fundamentais para a compreensão da história e cultura dos povos indígenas que habitaram o Estado de São Paulo. Eles fornecem evidências concretas sobre a vida, os costumes e as tradições dessas comunidades, permitindo uma análise detalhada de seu desenvolvimento ao longo do tempo.

O Estado de São Paulo, por ser um espaço de encontro entre regiões e biomas, tornou-se um local de confluência de diferentes grupos indígenas. Pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP mapearam, pelo menos, 2 mil sítios arqueológicos indígenas no estado de São Paulo. Entre as regiões com maior concentração de sítios, destacam-se a Baixada Santista, Piracicaba e o Interior Paulista.

Metodologia de mapeamento

O banco de dados foi criado utilizando coordenadas de localização UTM e dados WGS 84, disponíveis em aparelhos de GPS. Em sítios arqueológicos mais antigos, cuja localização não é precisa, o grupo de pesquisa optou por fornecer as coordenadas do centro do município onde se situa. Um dos diferenciais do mapa arqueológico criado no MAE é a preocupação em apresentar a filiação cultural, informando sempre que possível o grupo indígena e o tipo de artefato encontrado, como pedras, lascas ou cerâmicas.

Araujo destaca que o mapa facilita a visualização dos dados, permitindo que os alunos formulem novas perguntas e hipóteses. Em vez de trabalhar com planilhas, a representação visual oferece uma compreensão mais completa. Além da localização, o mapa fornece informações sobre o tipo de material encontrado, a tradição indígena e a datação dos sítios, junto com referências para estudos adicionais.

Para Astolfo Araújo, geólogo pelo Instituto de Geociências (IGc) da USP, mestre e doutor em arqueologia pelo MAE e coordenador do Levoc, a concepção do mapa só foi possível graças à interdisciplinaridade e colaboração entre diferentes áreas do conhecimento. Mas reforça a importância de se valorizar a informação advinda dos próprios povos tradicionais de cada território mapeado.

O mapa interativo lançado pelo Levoc é um dos resultados obtidos pelo projeto temático “A ocupação humana do Sudeste da América do Sul ao longo do Holoceno: uma abordagem interdisciplinar, multiescalar e diacrônica”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Impacto do projeto na comunidade

O projeto tem promovido um engajamento significativo entre os acadêmicos, incentivando a participação em estudos arqueológicos em Currais Novos e Campo Redondo. A colaboração entre universidades e centros de pesquisa tem sido fundamental para o avanço das investigações.

A participação da comunidade local é essencial para o sucesso do projeto. Através de ações para comunidade, como políticas científicas e voluntários para pesquisa, o projeto tem conseguido integrar os moradores nas atividades de mapeamento e preservação dos sítios arqueológicos.

A inclusão da comunidade local não só enriquece o processo de pesquisa, mas também fortalece os laços culturais e históricos da região.

As parcerias institucionais têm sido um pilar importante para o desenvolvimento do projeto. Instituições de ensino, como a USP, e outras organizações têm colaborado ativamente, fornecendo recursos e expertise necessários para a continuidade das pesquisas.

Futuro da arqueologia indígena em São Paulo

O futuro da arqueologia indígena em São Paulo é promissor, com potencial significativo para novas descobertas. A região de Piracicaba, por exemplo, já é considerada uma área com alto potencial para a descoberta de novas evidências da presença dos povos originários ao longo da história. Pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP continuam a explorar novas áreas e a utilizar tecnologias avançadas para identificar sítios ainda não mapeados.

O mapa interativo desenvolvido pelos pesquisadores da USP não se limita ao Estado de São Paulo. Há planos para expandir o projeto para outros estados, criando um banco de dados público que ofereça um panorama detalhado dos vestígios materiais dos povos indígenas em todo o Brasil. Esta expansão permitirá uma compreensão mais abrangente das diversas manifestações culturais indígenas no país.

As iniciativas de pesquisa continuam a ser uma prioridade. O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP está na vanguarda desses esforços, promovendo estudos que envolvem diferentes áreas do conhecimento. A colaboração entre instituições e a utilização de novas tecnologias são fundamentais para o avanço da arqueologia indígena no Brasil.

O mapa interativo apresenta ao usuário uma visão espacial das diversas manifestações culturais indígenas presentes em território paulista.

Conclusão

O mapeamento dos mais de 2 mil sítios arqueológicos indígenas no Estado de São Paulo representa um marco significativo na preservação e valorização da herança cultural dos povos originários. Através do mapa interativo desenvolvido pelos pesquisadores da USP, é possível ter uma visão abrangente e detalhada das diversas manifestações culturais indígenas presentes no território paulista.

Este projeto não apenas enriquece o conhecimento acadêmico, mas também promove a conscientização pública sobre a importância de proteger e estudar esses vestígios históricos. Com a contínua atualização e expansão do banco de dados, espera-se que novas descobertas venham à tona, contribuindo ainda mais para a compreensão da história e cultura dos povos indígenas no Brasil.

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