Prévia da inflação desacelerou em junho, mas altas da batata, do tomate, do feijão e da energia elétrica continuaram pesando no orçamento

IPCA-15 desacelera para 0,41% em junho, mas alimentos e energia continuam pressionando preços

Prévia da inflação desacelerou em 0,41% junho, mas altas da batata, do tomate, do feijão e da energia elétrica continuaram pesando no orçamento

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 registrou alta de 0,41% em junho, resultado 0,21 ponto percentual inferior ao avanço de 0,62% verificado em maio. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 25 de junho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Apesar da desaceleração mensal, itens com participação relevante nas despesas das famílias, como alimentos e energia elétrica residencial, continuaram exercendo pressão sobre a inflação. Os grupos Alimentação e bebidas e Habitação responderam, juntos, por aproximadamente 66% do resultado registrado no mês.

Com a variação de junho, o IPCA-15 acumula alta de 3,45% em 2026 e de 4,80% nos últimos 12 meses. O resultado anual ficou acima dos 4,64% acumulados até maio. Em junho de 2025, o indicador havia avançado 0,26%.

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados, Alimentação e bebidas apresentou a maior variação, de 0,74%, com impacto de 0,16 ponto percentual sobre o índice geral. O resultado, no entanto, representou uma desaceleração em relação a maio, quando o grupo havia registrado alta de 1,38%.

A alimentação no domicílio passou de uma elevação de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Mesmo com a redução do ritmo, produtos básicos tiveram aumentos expressivos durante o período pesquisado.

A batata-inglesa registrou alta de 29,42%, enquanto o tomate ficou 17,27% mais caro. O feijão-carioca apresentou aumento de 14,29%, e a cebola teve elevação de 9,54%.

Os dados do IBGE mostram que alguns desses alimentos acumulam variações superiores a 100% no primeiro semestre. O tomate apresentou alta acumulada de 103,84%, seguido pela cenoura, com 103,10%, e pela batata-inglesa, com 100,20%.

Outros produtos registraram redução de preços e contribuíram para limitar uma alta mais intensa do grupo. O café moído apresentou queda de 3,69%, enquanto as frutas ficaram, em média, 0,96% mais baratas.

A alimentação fora do domicílio aumentou 0,40% em junho, abaixo da variação de 0,51% registrada no mês anterior. O preço das refeições avançou 0,39%, enquanto os lanches tiveram alta de 0,45%.

O grupo Habitação registrou aumento de 0,72%, também abaixo da taxa de 1,03% observada em maio. A energia elétrica residencial subiu 2,04% e foi o item com o maior impacto individual sobre o IPCA-15 de junho, com contribuição de 0,08 ponto percentual.

A elevação das contas de luz foi influenciada pela vigência da bandeira tarifária amarela, que estabelece uma cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Reajustes tarifários aplicados em algumas localidades pesquisadas também contribuíram para o resultado.

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto aumentou 0,35%. O resultado incorporou reajustes aplicados em Curitiba e Brasília durante o período considerado pela pesquisa.

O grupo Transportes apresentou queda de 0,03% em junho. A redução dos preços dos combustíveis foi determinante para impedir um resultado positivo, embora alguns serviços e produtos do grupo tenham ficado mais caros.

Na média, os combustíveis recuaram 1,22%. O etanol apresentou queda de 5,30%, o óleo diesel ficou 1,47% mais barato e a gasolina teve redução de 0,73%. O gás veicular foi o único combustível pesquisado a registrar alta, com variação de 3,78%.

Em sentido contrário, as passagens aéreas subiram 7,24% e exerceram impacto de 0,05 ponto percentual sobre o índice. Os automóveis novos ficaram 0,42% mais caros, enquanto as tarifas de ônibus urbano apresentaram aumento médio de 1,18%.

O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,47% em junho. Os artigos de higiene pessoal tiveram alta de 1,03%, com destaque para os perfumes, que registraram elevação de 2,22%.

Os planos de saúde apresentaram aumento de 0,35%. Segundo o IBGE, o resultado refletiu a incorporação do reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para planos individuais e familiares contratados após a entrada em vigor da Lei nº 9.656, de 1998.

Os demais grupos tiveram variações menores. Vestuário registrou alta de 0,45%, Artigos de residência avançou 0,36%, enquanto Despesas pessoais e Comunicação apresentaram aumento de 0,34% cada. Educação teve queda de 0,02%.

Entre as localidades pesquisadas, Brasília apresentou a maior variação do IPCA-15 em junho, com alta de 0,93%. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento de 11,05% nas passagens aéreas e de 3,62% no preço da gasolina.

As menores variações foram registradas no Rio de Janeiro, em Curitiba e em Salvador, todas com alta de 0,28%. Em Curitiba, contribuíram para o resultado as quedas de 4,83% nas despesas com emplacamento e licença de veículos e de 1,05% na gasolina.

O IPCA-15 utiliza a mesma metodologia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do país. A principal diferença está no período utilizado para a coleta dos preços e na abrangência geográfica do levantamento.

Para o resultado de junho, os preços foram coletados entre 16 de maio e 16 de junho e comparados com os valores apurados entre 16 de abril e 15 de maio.

O indicador acompanha os gastos de famílias com rendimento mensal entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia

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