Florianópolis registrou 796 pinguins mortos em praias da capital catarinense em um período de dois meses, conforme balanço divulgado pela Associação R3 Animal, entidade responsável pelo resgate e monitoramento de animais marinhos na região. Segundo a instituição, o número está dentro da normalidade para esta época do ano.
A maior parte dos registros recentes ocorreu entre a última sexta-feira, 12 de junho, e esta quarta-feira, 17, quando 481 pinguins foram encontrados mortos nas praias da cidade. O primeiro caso registrado neste ano ocorreu em 17 de abril.
De acordo com a R3 Animal, o fenômeno está relacionado ao deslocamento anual dos pinguins-de-magalhães, espécie que sai principalmente da Patagônia Argentina durante os meses mais frios em busca de alimento em alto-mar. Parte desses animais chega ao litoral brasileiro, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Durante o trajeto, alguns pinguins encalham nas praias já sem vida. Outros são encontrados debilitados, com sinais de desnutrição e hipotermia. Segundo a associação, muitos dos animais são jovens e ainda inexperientes, o que aumenta a dificuldade durante a migração.
A técnica de monitoramento da Associação R3 Animal, Mariê Loro, explicou que a presença desses animais no litoral catarinense é esperada nesta época do ano.
“Durante os meses mais frios, os pinguins-de-magalhães partem do sul do hemisfério, principalmente da Patagônia Argentina, em busca de alimentos em alto-mar, e muitos animais jovens e inexperientes chegam às nossas praias caquéticos e hipotérmicos. Infelizmente, muitos não resistem à exaustiva jornada”, afirmou Mariê Loro.
Conforme a entidade, a ocorrência deve continuar até setembro ou outubro, período em que os pinguins costumam retornar às colônias reprodutivas. A associação informou que há registros em todas as praias de Florianópolis, principalmente naquelas voltadas para o mar aberto.
Além dos animais encontrados mortos, a R3 Animal também realiza o resgate de pinguins vivos. Desde o início do outono, 73 animais foram socorridos na capital catarinense. Os pinguins resgatados são encaminhados ao centro de reabilitação da associação e, quando apresentam condições adequadas, são devolvidos à natureza.
Em 2025, Florianópolis registrou 2.615 pinguins mortos ao longo do ano. No mesmo período, 120 animais foram encontrados vivos e passaram por atendimento.
O trabalho da R3 Animal integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, criado para atender a uma exigência do Ibama nos processos de licenciamento ambiental da Petrobras na Bacia de Santos.
Mariê Loro orienta que a população acione a entidade ao encontrar um pinguim na faixa de areia. Segundo ela, quando o animal está no mar, pode estar saudável e apenas pescando próximo à costa.
O atendimento para resgate funciona diariamente, das 7h às 17h, pelo telefone 0800 642 3341. A orientação é que a população não devolva o pinguim ao mar, não coloque o animal em contato com gelo, não tente alimentá-lo, não faça carinho e mantenha animais domésticos afastados.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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