b043a9a4 3c4a 4d84 b1dd 4c7ceff62bd1

El Niño volta em 2026 e representa risco para o Brasil e o mundo

O El Niño foi confirmado em 11 de junho de 2026 e modelos meteorológicos indicam alta probabilidade de persistência durante grande parte do segundo semestre de 2026 e início de 2027, com chance significativa de se tratar de um episódio de intensidade forte ou muito forte, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.

O que é e por que recebe esse nome

O fenômeno consiste no aquecimento prolongado das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica e provoca variações climáticas em escala global. O nome “El Niño” surgiu na costa do Peru e do Equador, onde pescadores notaram correntes quentes perto do período do Natal e passaram a chamar o fenômeno de “Menino”.

Breve histórico científico

Observações locais sobre o evento existem há séculos, mas estudos científicos remontam ao final do século XIX, com descrições técnicas como a de Camilo Carrillo em 1891. Nas décadas seguintes, o meteorologista Gilbert Walker identificou oscilações de pressão atmosférica que ajudaram a explicar o mecanismo. A partir da segunda metade do século XX, pesquisadores integraram o aquecimento oceânico e as alterações atmosféricas no sistema hoje conhecido como ENSO, com monitoramento por satélites, boias e modelos computacionais.

Episódios recentes e impactos econômicos

Entre os episódios mais marcantes estão os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. O El Niño de 1982-1983 provocou enchentes, deslizamentos, secas e prejuízos na agricultura e na pesca. O de 1997-1998 é considerado o maior da história recente: a ONU atribuiu a esse episódio mais de 20 mil mortes e 36 bilhões de dólares em danos à infraestrutura, conforme análise citada pela NASA. Estudos publicados em periódicos como a revista Science apontam que perdas econômicas acumuladas por fortes eventos de El Niño alcançam trilhões de dólares ao longo das décadas seguintes.

Como afeta continentes e o Brasil

O aquecimento no Pacífico altera ventos e padrões de umidade, com efeitos que se estendem a todos os continentes. Na América do Sul, o Sul tende a ter mais chuva, enquanto a Amazônia e o Nordeste podem sofrer secas; Peru e Equador enfrentam maior risco de enchentes e deslizamentos em eventos intensos. Nos Estados Unidos, o inverno pode ficar mais úmido no Sul e mais quente em partes do Norte. Na África, a África Austral costuma sofrer secas, e a África Oriental pode registrar chuvas acima da média. Em Ásia e Oceania, a agricultura e o risco de incêndios na Austrália são afetados; na Europa as influências são menos diretas, mas há alteração de padrões no inverno.

No Brasil, o padrão esperado inclui chuvas acima da média no Sul e redução de precipitação no Norte e no Nordeste, além de ondas de calor e estiagens em partes do Centro-Oeste e Sudeste, com impactos em agricultura, energia e abastecimento hídrico. O climatologista Carlos Nobre comentou que há cerca de 96% de probabilidade de intensidade forte ou muito forte entre setembro e novembro de 2026.

Relação com o aquecimento global e riscos sociais

Pesquisadores destacam que o El Niño é um fenômeno natural, mas suas consequências podem ser ampliadas pelo aquecimento global. A atmosfera mais quente retém mais vapor d’água, intensificando eventos de chuva extrema; oceanos mais aquecidos elevam a intensidade dos episódios. Paulo Artaxo observou padrões esperados para o Brasil no segundo semestre de 2026: secas na Amazônia e Nordeste, maior número de queimadas, chuvas fortes no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, e ondas de calor em São Paulo e Minas Gerais.

Especialistas também ressaltam impactos sociais desproporcionais: famílias de baixa renda, crianças e idosos são mais vulneráveis; áreas urbanas periféricas sofrem com ilhas de calor e pior acesso a serviços públicos, segundo Oswaldo Lucon, do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

Prevenção e medidas recomendadas

Não existe tecnologia para evitar o El Niño, por se tratar de um processo climático natural. A mitigação de danos passa por investimentos em monitoramento, sistemas de alerta precoce, planejamento urbano, gestão de recursos hídricos, brigadas de incêndio e adaptação da agricultura. O governo federal conta com iniciativas como o AdaptaBrasil, lançado em 2021, que oferece mapas e indicadores para estados e municípios, e o Plano Clima 2024-2035, lançado em 2026, que estabelece metas e diretrizes para reduzir emissões e fortalecer a adaptação, embora muitas medidas ainda dependam de regulamentação e financiamento para implementação.

À medida que o evento evolui, autoridades e setores produtivos são orientados a acompanhar as atualizações dos centros meteorológicos e a reforçar medidas de preparação e resposta.

Com informações de Olhardigital

Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

Sugestões de pauta: Entre em contato via WhatsApp: (49) 3644 1724.

🚀 Aproveite e nos siga no Google Notícias: Clique aqui para seguir o Jornal da Fronteira

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.