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Chernobyl: área ainda radioativa se transforma em refúgio de vida selvagem

Quase quatro décadas após o acidente nuclear ocorrido em Chernobyl, no norte da Ucrânia, a região permanece com restrições à presença humana devido aos níveis de radiação. Ainda assim, o território passou a registrar aumento significativo da vida selvagem, tornando-se objeto de estudos científicos sobre adaptação e recuperação ambiental.

O desastre aconteceu em 26 de abril de 1986, quando o reator 4 da usina nuclear explodiu. A cidade de Pripyat, que tinha cerca de 49 mil habitantes, foi evacuada, assim como outras áreas próximas, totalizando aproximadamente 67 mil pessoas deslocadas nas semanas seguintes.

A Zona de Exclusão de Chernobyl abrange cerca de 2.800 quilômetros quadrados e inclui dezenas de vilarejos abandonados. O acesso segue restrito, especialmente para populações mais vulneráveis. Com a ausência de atividades humanas, o ambiente passou por mudanças significativas, com avanço da vegetação e aumento da presença de animais.

Entre as espécies observadas estão os cavalos-de-Przewalski, introduzidos na região em 1998, que atualmente vivem em estado selvagem. Também foram registrados o retorno de ursos-pardos após mais de um século, além do crescimento das populações de linces, alces, cervos e cães selvagens.

O cientista ambiental Denys Vyshnevskyi comentou sobre a presença desses animais na região. “O fato de a Ucrânia ter hoje uma população de cavalos selvagens é quase um milagre”, afirmou em entrevista à Associated Press. Segundo ele, embora muitos animais tenham morrido logo após o acidente, diversas espécies conseguiram se adaptar ao ambiente.

Estudos divulgados pela BBC apontam que a radiação ainda provoca efeitos em algumas espécies. Foram identificados insetos com deformidades, aves com alterações genéticas e pequenos mamíferos com problemas de visão. Também foram observados sapos com coloração mais escura, possivelmente como forma de proteção contra a radiação.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, mutações em plantas e animais foram registradas desde o acidente. Apesar disso, a redução da presença humana contribuiu para a recuperação de diversas espécies, incluindo lobos, javalis, castores e bisões-europeus.

Nos primeiros dias após a explosão, a radiação atingiu níveis elevados, causando a morte da vegetação em áreas próximas ao reator. A região ficou conhecida como “floresta vermelha”, devido à coloração das árvores afetadas. Com o passar do tempo, houve redução gradual dos níveis de radiação em parte do território.

Atualmente, a área apresenta construções abandonadas, com vegetação ocupando espaços urbanos e rurais. A paisagem reúne vestígios da antiga ocupação humana e o avanço do ambiente natural.

Pesquisas indicam que, fora das áreas mais contaminadas, em uma região de aproximadamente 150 mil quilômetros quadrados que abrange partes da Ucrânia, Belarus e Rússia, não foram identificados impactos significativos na fauna e flora.

A região voltou ao centro das atenções em 2022, durante a invasão russa da Ucrânia, quando houve ocupação temporária da usina e combates nas proximidades. Especialistas alertaram para riscos ambientais adicionais, como incêndios florestais capazes de liberar partículas radioativas na atmosfera.

Equipes que atuam na área trabalham em regime de revezamento para reduzir o tempo de exposição à radiação. A expectativa de especialistas é que a região permaneça inabitável por longo período.

A área de Chernobyl segue sendo monitorada e utilizada como base para pesquisas sobre os efeitos da radiação e a capacidade de adaptação de diferentes espécies em ambientes extremos.

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