Revisões de instituições financeiras indicam desaceleração da economia brasileira em 2027, diante dos efeitos dos juros elevados e da perda de força dos estímulos fiscais
As projeções para o crescimento da economia brasileira em 2027 começaram a passar por novas revisões no mercado financeiro. Após um período em que as alterações de cenário se concentraram principalmente nas estimativas para inflação e juros, bancos e casas de análise passaram a ajustar as expectativas para o Produto Interno Bruto do próximo ano.
Nas últimas semanas, Banco Pine e Bradesco reduziram suas previsões para o PIB de 2027. O movimento ainda não é generalizado entre as instituições financeiras, mas reforça a avaliação de que a economia brasileira deve crescer menos no próximo ano em comparação com 2026.
A revisão dos cenários está associada principalmente a dois fatores. O primeiro é a expectativa de que os efeitos da política monetária restritiva se tornem mais intensos ao longo de 2027. O segundo é a perspectiva de perda do impulso fiscal, apontado por economistas como um dos elementos que têm contribuído para sustentar a atividade econômica em 2026.
O Banco Pine fez uma das revisões mais expressivas entre as instituições citadas. A projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2027 foi reduzida de 1,4% para 0,8%. Segundo Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco, a economia deve continuar mostrando resistência em 2026, mas tende a perder força no ano seguinte diante dos efeitos acumulados dos juros elevados, da menor sustentação dos estímulos à demanda e de um impulso fiscal que deve se tornar negativo.
O Bradesco também alterou sua estimativa para o próximo ano. O banco reduziu a previsão de crescimento do PIB de 2027 de 2% para 1,5%. Para Fernando Honorato, economista-chefe da instituição, a atividade econômica ainda deve ser beneficiada em 2026 pelo mercado de trabalho aquecido, pelo crescimento da renda e pelos estímulos fiscal e creditício. Em 2027, no entanto, esses fatores devem perder intensidade.
Entre as instituições que mantiveram suas projeções, também há expectativa de desaceleração. O Itaú segue estimando crescimento de 1,7% para o PIB em 2027. O banco avalia, porém, que a economia deve enfrentar perda de força do impulso fiscal, ainda que esse efeito continue positivo. A instituição também considera que a política monetária permanecerá em nível contracionista, o que deve limitar a aceleração da atividade econômica.
O Itaú calcula que o impulso fiscal em 2026 será equivalente a aproximadamente 1% do PIB. Essa estimativa considera o aumento das despesas com transferências de renda e medidas anunciadas pelo governo, entre elas mudanças no Imposto de Renda, o programa Gás para Todos e outras ações de estímulo. Para 2027, a avaliação é de que esse impacto tende a diminuir.
A XP Investimentos também projeta crescimento menor para a economia brasileira no próximo ano. A casa estima expansão de 2% do PIB em 2026 e de 1,2% em 2027. O Inter, por sua vez, trabalha com crescimento de 1,8% em cada um dos dois anos.
As revisões indicam que parte do mercado financeiro passou a considerar um cenário de menor ritmo para a economia brasileira em 2027, mesmo sem uma mudança uniforme entre todas as instituições. O ponto comum entre as avaliações é a leitura de que juros elevados por período prolongado e menor contribuição fiscal devem reduzir a capacidade de expansão da atividade no próximo ano.
A política monetária restritiva tende a afetar o crédito, o consumo e os investimentos com defasagem. Por isso, os impactos dos juros altos podem aparecer de forma mais intensa ao longo de 2027, mesmo que a economia mantenha desempenho positivo em 2026. Esse efeito é observado com maior atenção por economistas em um momento em que as projeções para inflação e taxa básica de juros ainda exigem cautela.
No campo fiscal, a expectativa é de que os estímulos que ajudaram a sustentar parte da demanda em 2026 tenham menor peso no ano seguinte. Com isso, a economia dependerá mais da capacidade de reação do setor privado, do comportamento do mercado de trabalho, das condições de crédito e da evolução da renda das famílias.
As novas projeções ainda podem ser alteradas ao longo dos próximos meses, conforme a trajetória da inflação, as decisões de política monetária, a execução das medidas fiscais e o desempenho dos principais setores da economia. Até o momento, o movimento indica uma mudança de foco nas revisões do mercado, que passam a incluir com maior peso o crescimento econômico de 2027.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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