Divulgação/Universidade da Sunshine Coast/Christofer Clemente
Uma espécie de aranha-caçadora encontrada em Queensland, na Austrália, foi identificada como a mais rápida do mundo em corrida, após atingir 3,59 metros por segundo em testes de laboratório. A velocidade equivale a aproximadamente 13 km/h, marca considerada inédita em um levantamento amplo sobre a locomoção de aracnídeos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Greifswald, na Alemanha, e do Imperial College London, no Reino Unido. O estudo reuniu o maior conjunto de dados já elaborado sobre velocidade de corrida de aranhas, com a análise de 236 indivíduos pertencentes a 162 espécies. Os resultados foram divulgados em 15 de junho no repositório bioRxiv.
Nova campeã de velocidade entre as aranhas
Até então, a aranha flic-flac marroquina, de nome científico Cebrennus rechenbergi, costumava ser apontada como uma das mais rápidas do mundo. Ela ficou conhecida por escapar de predadores realizando movimentos semelhantes a cambalhotas sobre dunas de areia.
Os autores da nova pesquisa, no entanto, fazem uma distinção importante. Para eles, esse tipo de deslocamento não deve ser classificado como corrida. Segundo Jonas Wolff, da Universidade de Greifswald, o movimento da flic-flac é uma forma especial de locomoção e depende de condições específicas, como descidas em dunas de areia.
Com esse critério, o posto de aranha mais rápida em corrida passa a ser atribuído às aranhas-caçadoras australianas Heteropoda cervina e Heteropoda jugulans, que alcançaram a marca de 3,59 metros por segundo durante os testes.
Como os pesquisadores mediram a velocidade
Para comparar o desempenho das espécies, os cientistas montaram um banco de dados amplo. Além dos 236 indivíduos analisados diretamente, o grupo também utilizou informações publicadas anteriormente sobre outras 96 espécies.
Antes de cada experimento, as aranhas eram pesadas. Depois, os animais eram colocados para atravessar folhas quadriculadas de papel nos formatos A4 e A3, enquanto câmeras registravam seus movimentos. As imagens permitiram uma análise mais precisa da velocidade e da biomecânica da corrida.
Na maioria dos casos, um leve toque com pincel foi suficiente para estimular o deslocamento das aranhas. Algumas espécies, porém, exigiram pequenos jatos de ar comprimido para começar a correr.
O autor principal do estudo, Shreyas Kuchibhotla, afirmou à New Scientist que fazer os animais se movimentarem foi uma das etapas mais difíceis da pesquisa. Segundo ele, o trabalho teria terminado muito mais rapidamente se as aranhas “entendessem inglês”. A observação bem-humorada veio acompanhada de uma constatação científica: algumas espécies, como tarântulas, não são naturalmente inclinadas à corrida e preferem permanecer paradas diante de ameaças.
Tamanho ajuda, mas não explica tudo
Os resultados confirmaram uma tendência esperada: aranhas maiores costumam atingir velocidades mais altas. A diferença entre as espécies analisadas foi expressiva. A pequena aranha-do-dinheiro, Maso sundevalli, registrou apenas 0,018 metro por segundo, enquanto as aranhas-caçadoras australianas chegaram a 3,59 metros por segundo.
Apesar disso, os pesquisadores observaram que o tamanho corporal não é o único fator determinante. Espécies com massas parecidas apresentaram desempenhos bastante diferentes, o que indica que outros elementos interferem diretamente na velocidade.
Ao cruzar os dados sobre porte, anatomia e trajetória evolutiva, os cientistas concluíram que pernas proporcionalmente mais longas estão associadas a maior capacidade de corrida. O estudo também sugere que a espessura das pernas não é tão decisiva quanto o comprimento relativo dos membros.
A velocidade das aranhas não depende apenas de características físicas. Segundo os pesquisadores, o comportamento e a história evolutiva de cada espécie também ajudam a explicar por que algumas correm mais rapidamente do que outras.
David Labonte, do Imperial College London, comparou o caso ao de outros animais velozes. Ele lembrou que um guepardo supera em velocidade a maioria dos cães de porte semelhante porque seu estilo de vida tornou essa capacidade vantajosa ao longo da evolução.
Com as aranhas, a lógica é semelhante. Espécies que dependem da corrida para capturar presas, escapar de predadores ou se deslocar em determinados ambientes podem desenvolver adaptações mais favoráveis à velocidade.
Pequenas aranhas também surpreenderam
Entre os resultados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores está o desempenho da aranha-duende-laranja, Oonops pulcher. Apesar de pesar apenas 0,1 miligrama, a espécie conseguiu percorrer cerca de 20 centímetros por segundo.
Para Kuchibhotla, o desempenho foi inesperado. Ele afirmou que nada poderia prepará-lo para ver um animal tão pequeno se deslocando pela arena de testes com tamanha rapidez, a ponto de parecer “praticamente se teletransportando”.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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