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Agricultor constrói castelo em Taió para preservar memória da filha morta em acidente

Uma construção de cinco andares localizada na área rural de Taió, no Alto Vale do Itajaí, foi erguida pelo agricultor e empresário aposentado Amélio Postai, de 82 anos, em homenagem à filha Daisy Bianca, que morreu aos 32 anos em um acidente de trânsito.

A edificação, construída em uma propriedade da família, possui aproximadamente 200 metros quadrados e reúne referências à trajetória de Daisy, além de objetos históricos, lembranças pessoais e utensílios utilizados por diferentes gerações.

Em entrevista concedida ao Vale Agrícola, Amélio relatou que Daisy era a filha mais velha do casal e que a morte dela provocou uma mudança profunda na rotina da família. A jovem era casada e estava em uma viagem de férias à praia quando ocorreu o acidente.

Ao recordar a filha e as circunstâncias da morte, Amélio afirmou: “Nós temos três filhos, dois filhos homens e tinha a mais velha, que era a Daisy Bianca, foi a nossa filha, foi a flor da casa, ela era a cereja do bolo. E ela com 32 anos, bem casada, foi pra praia, passear, tirar férias e nessa viagem tiveram um acidente e ela acabou falecendo no acidente”.

Após a perda, o aposentado procurou uma maneira de manter a memória da filha presente na propriedade. A decisão de construir um castelo em miniatura surgiu depois que ele conheceu uma iniciativa semelhante realizada no Canadá.

Ao explicar a escolha pelo formato da construção, Amélio declarou: “A gente chega no fundo do poço. Para uma princesa, a menina dos olhos da casa, nada pareceu mais justo do que construir um castelo”.

As obras tiveram início em 2004. Embora a torre pareça pequena quando observada à distância, a estrutura possui cinco pavimentos, considerando o terraço, e alcança 16 metros de altura. O imóvel foi construído inteiramente com blocos de concreto.

Diferentes elementos do projeto fazem referência aos 32 anos vividos por Daisy. Ao redor da edificação foram plantados 32 ciprestes. O caminho de acesso possui 32 pedras, enquanto a escadaria conta com 64 degraus, número correspondente ao dobro da idade da filha. A altura de 16 metros representa a metade desse período.

Sobre os elementos incluídos no projeto, o pai explicou: “Tudo foi pensado para representar a vida dela”.

O castelo possui suítes, salas e cozinha. Os ambientes são utilizados principalmente durante encontros da família e de amigos nos fins de semana. Na entrada, uma sala foi reservada exclusivamente à memória de Daisy. Conforme Amélio, o local é utilizado pelos pais para meditação, reflexão e para “se comunicar com ela pelo pensamento”.

Além da homenagem, a construção abriga um acervo formado por objetos que pertenceram a familiares de Amélio e da esposa. A coleção inclui peças herdadas dos pais, sogros e tios, além de recordações de viagens e utensílios relacionados ao cotidiano das famílias rurais.

Entre os itens preservados estão panelas utilizadas pela mãe de Amélio, ferramentas antigas, moedas, estribos, fotografias e uma pequena gaita que pertenceu à tia responsável por sua criação.

O interesse do aposentado por história também aparece na decoração e na arquitetura da propriedade. Parte dos espaços apresenta referências ao Egito e à civilização inca. Uma das estruturas foi inspirada na pirâmide de Quéops e construída em escala reduzida, seguindo proporções matemáticas.

A propriedade recebeu o nome de Sítio Santa Matilde, em homenagem à mãe de Amélio. O local também possui referências ao pai do aposentado, lembrado pela atuação na abertura e no trabalho das áreas agrícolas da família.

Na parte externa, o sítio mantém uma horta, um galpão com máquinas antigas, um carro de boi, um trator histórico e objetos utilizados na celebração das bodas de Amélio e da esposa, que estão casados há quase 60 anos.

A propriedade não recebe visitação pública. O espaço permanece restrito à família e aos amigos, sendo utilizado para leitura, conversas e encontros, principalmente entre pessoas da terceira idade.

Ao comentar como o local é utilizado, Amélio afirmou: “Aqui a gente conta histórias, relembra o passado e se sente bem”.

O castelo permanece como uma homenagem particular a Daisy Bianca e como espaço destinado à preservação da história da família Postai e de objetos relacionados à vida rural no município de Taió.

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