O inverno começou oficialmente no Brasil em 21 de junho, mas períodos de temperaturas mais baixas já vinham sendo registrados em diferentes regiões. A mudança exige atenção dos tutores porque cães e gatos também sentem frio e podem apresentar agravamento de problemas respiratórios, articulares e de mobilidade.
A médica-veterinária Aline Ambrogi, docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna, a UniFAJ, alerta que os cuidados devem considerar idade, porte, estado de saúde e tipo de pelagem. Filhotes, idosos, animais magros, doentes ou de pelo curto tendem a ser mais vulneráveis.
Doenças respiratórias exigem atenção no período frio
Entre os cães, uma das enfermidades respiratórias mais frequentes é a traqueobronquite infecciosa canina, conhecida como tosse dos canis. A doença atinge principalmente as vias aéreas superiores e pode provocar tosse, secreção nasal, febre e episódios semelhantes a engasgos.
Nos casos mais graves, o quadro pode evoluir para pneumonia. Animais que convivem em ambientes coletivos, como hotéis, creches, abrigos e canis, podem ficar mais expostos aos agentes envolvidos na doença.
Nos gatos, a rinotraqueíte, também chamada popularmente de gripe felina, está entre os problemas respiratórios mais comuns. Os sinais incluem espirros, secreção nasal e alterações nos olhos, como irritação e lesões.
O frio não deve ser tratado como a única causa dessas doenças. Vírus e bactérias estão envolvidos nos quadros respiratórios, enquanto fatores como maior permanência em ambientes fechados, contato entre animais e condições individuais de saúde podem influenciar a ocorrência e a intensidade dos sintomas.
A recomendação é procurar atendimento veterinário quando o animal apresentar sinais persistentes. O diagnóstico correto é necessário para diferenciar infecções respiratórias de outras condições que também podem causar tosse, secreções ou desconforto.

Dores articulares podem ficar mais evidentes
As baixas temperaturas também podem aumentar o desconforto de animais com artrose, artrites, displasia coxofemoral e outras alterações articulares. Cães e gatos idosos estão entre os que mais exigem acompanhamento durante essa época do ano.
O tutor pode perceber menor disposição, dificuldade para levantar, caminhar ou realizar movimentos que antes faziam parte da rotina. Nos felinos, a dor pode ser mais discreta e aparecer como redução das atividades e maior permanência em locais protegidos.
Oferecer uma cama confortável, mantas e um espaço seco ajuda a reduzir o contato prolongado com superfícies frias. O piso gelado favorece a perda de calor e pode aumentar o desconforto, principalmente entre filhotes, idosos e animais debilitados.
A proteção, porém, não substitui o acompanhamento profissional. Animais que já fazem tratamento para doenças articulares devem manter as orientações prescritas, sem alteração de medicamentos ou suplementos por iniciativa do tutor.
Pelagem e roupas não eliminam todos os riscos
A pelagem funciona como uma forma de isolamento térmico, mas não protege completamente cães e gatos. A tolerância ao frio varia conforme a densidade dos pelos, o porte, a idade, a quantidade de gordura corporal e as condições de saúde.
Raças com pelagem curta, cães pequenos, filhotes, idosos e animais magros podem se beneficiar do uso de roupas apropriadas. Já cães com pelos densos frequentemente toleram temperaturas mais baixas sem necessidade de vestimentas.
As roupas não resolvem todos os problemas e devem ser utilizadas apenas quando realmente necessárias. O animal precisa permanecer confortável e ter liberdade para caminhar, deitar e realizar seus movimentos normais.
A tosa também interfere na proteção natural. Quando grande parte da pelagem é retirada, alguns cães ficam mais sensíveis às baixas temperaturas. Por isso, o tipo de corte e o período em que será realizado devem ser avaliados individualmente.
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Vacinas ajudam, mas o protocolo deve ser individual
A vacinação é uma das medidas importantes para a prevenção e o controle de doenças infecciosas. Existem vacinas que podem reduzir o risco ou a gravidade de alguns componentes das doenças respiratórias, além das vacinas múltiplas recomendadas para cães e gatos.
No caso dos cães, a indicação de vacinas relacionadas à gripe canina ou ao complexo respiratório depende da exposição do animal. Cães que frequentam ambientes com grande circulação de outros animais podem ter necessidades diferentes daqueles que permanecem dentro de casa.
O calendário não deve ser definido apenas pela estação do ano. Idade, histórico de saúde, região, estilo de vida e risco de contato com agentes infecciosos precisam ser considerados pelo médico-veterinário.
Manter a vacinação atualizada não elimina a necessidade de observar sintomas. Mesmo animais vacinados podem apresentar quadros respiratórios, embora algumas vacinas contribuam para reduzir a gravidade da doença.

Banho, alimentação e bebidas exigem equilíbrio
Dar banho no inverno não é necessariamente prejudicial. O risco está em deixar o animal molhado ou exposto ao frio antes que a pelagem esteja completamente seca.
O ideal é escolher os horários mais quentes do dia, utilizar água morna, secar bem com toalha e, quando o animal tolerar, usar secador com cuidado. Após o banho, o pet deve permanecer protegido de correntes de ar.
Alguns animais podem demonstrar aumento de apetite no frio, pois o organismo gasta energia para manter a temperatura corporal. Essa mudança, entretanto, não ocorre em todos os casos. Pets que ficam menos ativos durante o inverno podem não precisar de mais alimento.
Qualquer alteração na quantidade de ração deve considerar peso, rotina e condição corporal. A oferta excessiva pode favorecer ganho de peso, especialmente quando o animal reduz as brincadeiras e os passeios.
Chás não devem ser oferecidos sem orientação profissional. Algumas plantas utilizadas por humanos podem ser tóxicas para cães e gatos. Quando houver necessidade de estimular a ingestão de líquidos, podem ser considerados produtos próprios para animais ou caldos sem sal e temperos, desde que adequados à condição do pet.
Aline Ambrogi atua como supervisora da clínica de pequenos animais do Hospital Veterinário da UniFAJ. A profissional é pós-graduada em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais e mestre pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.
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Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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