O nível médio global do mar está em elevação em um ritmo sem precedentes nos últimos quatro mil anos, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Rutgers. A análise também destaca que, em áreas costeiras densamente urbanizadas, especialmente na China, o fenômeno é agravado pelo afundamento progressivo do solo, aumentando a exposição a inundações.
De acordo com os pesquisadores, o avanço do nível do mar ocorre simultaneamente à subsidência do terreno em diversas cidades instaladas em regiões de baixa altitude, como deltas de rios. Esse processo resulta na redução da distância entre a superfície urbana e o nível das águas, intensificando riscos ambientais e estruturais.
O estudo indica que, desde o início do século XX, o nível médio dos oceanos tem aumentado de forma contínua, com uma taxa estimada em cerca de 1,5 milímetro por ano desde 1900. Esse ritmo é considerado superior a qualquer outro período equivalente identificado em registros geológicos dos últimos milênios. Durante aproximadamente quatro mil anos anteriores, os níveis oceânicos mantiveram relativa estabilidade, passando a apresentar elevação mais acentuada a partir do século XIX.
A pesquisa também aponta que grande parte da subsidência urbana observada atualmente está relacionada à atividade humana. Estima-se que cerca de 94% desse processo em áreas analisadas seja resultado de intervenções como extração intensiva de água subterrânea e expansão urbana com alta densidade construtiva.
Para reconstruir a evolução histórica do nível do mar, os cientistas utilizaram registros naturais, como recifes de coral e manguezais, que preservam marcas de antigas linhas costeiras. Esses dados foram combinados com medições modernas obtidas por marégrafos instalados ao longo do litoral, permitindo a comparação entre tendências atuais e padrões observados ao longo do período Holoceno.
Entre os fatores responsáveis pela elevação do nível do mar, o estudo destaca o aumento da temperatura global. O aquecimento dos oceanos provoca expansão térmica da água, contribuindo diretamente para o aumento do volume. Outro elemento relevante é o derretimento de grandes massas de gelo terrestre, incluindo regiões como a Groenlândia e a Antártica, que adicionam água aos oceanos.
Em centros urbanos costeiros, a combinação entre a elevação do mar e o afundamento do solo amplia significativamente os riscos. Em algumas áreas de Xangai, por exemplo, o terreno apresentou subsidência superior a 90 centímetros ao longo do século XX, processo associado principalmente à exploração de aquíferos. Medidas de controle adotadas nos últimos anos contribuíram para reduzir a velocidade desse afundamento.
O estudo identifica regiões como o Delta do Rio Yangtzé e o Delta do Rio das Pérolas entre as áreas mais vulneráveis. Esses locais concentram características que aumentam a exposição a inundações, como baixa altitude, intensa urbanização e atividade industrial significativa.
Os pesquisadores também ressaltam que o problema não se restringe ao território chinês. Grandes cidades costeiras em outras partes do mundo, como Nova York, Jacarta e Manila, apresentam condições semelhantes, com potencial de agravamento devido à combinação entre elevação do mar e subsidência.
Entre as medidas apontadas para mitigar os impactos, estão a redução da extração de água subterrânea, o gerenciamento adequado dos recursos hídricos e o planejamento urbano voltado à adaptação costeira. Embora essas ações não impeçam a elevação do nível do mar, podem contribuir para desacelerar o aumento do risco em áreas densamente povoadas.
A pesquisa, com apoio de instituições como a NASA, foi publicada na revista Nature e reforça a necessidade de estratégias integradas de gestão urbana e ambiental diante de um cenário de mudanças contínuas no nível dos oceanos.
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