Projeto da Sanepar em Curitiba amplia capacidade de tratamento de esgoto com uso de wetlands, reduzindo resíduos e gerando biossólidos reaproveitáveis.

Sanepar amplia estação em Curitiba com tecnologia baseada na natureza e projeta atendimento a 787 mil pessoas

Projeto da Sanepar em Curitiba amplia capacidade de tratamento de esgoto com uso de wetlands, reduzindo resíduos e gerando biossólidos reaproveitáveis.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) iniciou a instalação de um sistema de wetland na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) CIC Xisto, em Curitiba, como parte das obras de ampliação da unidade. A iniciativa integra estratégias voltadas ao conceito de lixo zero e utiliza plantas no processo de purificação dos dejetos.

A estação, que atualmente atende cerca de 435 mil habitantes, terá sua capacidade ampliada para 787 mil pessoas da Bacia do Iguaçu. Com isso, a unidade passará a figurar entre as maiores do mundo em número de usuários atendidos. A implantação do sistema envolve o plantio de aproximadamente 110 mil mudas de macrófitas em uma área de 25 mil metros quadrados.

O modelo de wetland permite transformar o lodo gerado no tratamento de esgoto em biossólido. De acordo com a Sanepar, cerca de 98% do material é consumido por microrganismos e pelas plantas no próprio local. Os 2% restantes resultam de um processo de mineralização, gerando um material com características semelhantes ao húmus, que pode ser reutilizado como fertilizante ou na produção de energia por meio de biogás.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, afirmou que a redução do descarte de resíduos é um desafio global e destacou o investimento em soluções baseadas na natureza como parte da política ambiental da companhia.

A estrutura implantada na capital paranaense será a primeira do tipo em Curitiba e uma das maiores em capacidade de atendimento populacional, segundo a empresa responsável pelo projeto. O gerente de projeto, Guilherme Goetze, informou que a proposta prioriza a abrangência de atendimento, e não a extensão territorial da área instalada.

O sistema funciona por meio de um ambiente com plantas conhecidas como macrófitas, que absorvem nutrientes enquanto microrganismos atuam na decomposição da matéria orgânica. Essa combinação contribui para a redução da emissão de dióxido de carbono (CO2) e aumento da liberação de oxigênio (O2), além de reduzir o consumo de energia elétrica e o uso de produtos químicos no processo.

Desde outubro de 2025, a tecnologia vem sendo testada em um projeto piloto na própria estação, com acompanhamento técnico especializado. A espécie utilizada, Arundo donax, apresentou crescimento superior a dois metros em cinco meses, indicando adaptação às condições do sistema. As plantas podem atingir entre três e quatro metros de altura e permanecem em atividade por até oito anos.

Segundo o coordenador de Obras da Sanepar, Murilo Cunico, o modelo elimina a necessidade de uso de energia ou insumos químicos no tratamento do lodo, transferindo essa função ao sistema radicular das plantas.

Além da implantação da wetland, o projeto inclui a instalação de biorreatores combinados anaeróbio-aeróbio (BRC), que ampliam a eficiência do tratamento e elevam a capacidade da estação de 490 para 1.368 litros por segundo. A melhoria na qualidade da água tratada também impacta diretamente o Rio Barigui, receptor dos efluentes.

As obras seguem em execução com a estação em funcionamento e contam com investimento de R$ 375 milhões, obtidos por meio de crédito verde vinculado ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), com apoio do Banco do Brasil. O projeto foi apresentado como referência em financiamento sustentável durante a COP 30.

Desde 2020, a Sanepar adota soluções baseadas na natureza em diferentes municípios do Paraná. A primeira unidade com esse modelo foi implantada em Santa Helena, seguida por Assis Chateaubriand, Vera Cruz do Oeste, Cambará, Cornélio Procópio e Joaquim Távora. Novas implantações estão em andamento em Serranópolis, Saudade do Iguaçu, Turvo, Pinhão e Palotina.

Projeto da Sanepar em Curitiba amplia capacidade de tratamento de esgoto com uso de wetlands, reduzindo resíduos e gerando biossólidos reaproveitáveis.
Foto: André Thiago/Sanepar
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