Uma pesquisa recente sugere que efeitos associados ao consumo de adoçantes podem se prolongar ao longo do tempo e atingir gerações seguintes, mesmo sem exposição direta às substâncias. O estudo foi publicado na revista científica Frontiers e analisou alterações metabólicas em camundongos.
A investigação foi conduzida com 47 animais divididos em três grupos. Um deles recebeu água com sucralose, outro teve acesso à stevia e o terceiro grupo consumiu apenas água, funcionando como controle. Apenas a primeira geração teve contato direto com os adoçantes.
Ao longo do estudo, os pesquisadores acompanharam também duas gerações seguintes de descendentes, que não foram expostos às substâncias. Os dados indicaram que algumas alterações observadas nos animais iniciais persistiram nos descendentes.
Entre os principais pontos analisados esteve a flora intestinal. Os pesquisadores identificaram alterações no equilíbrio de bactérias intestinais, principalmente nos animais que consumiram sucralose e em parte de seus descendentes. Essas mudanças podem interferir na produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias relacionadas ao funcionamento metabólico.
O coordenador do departamento de educação da Sociedade Brasileira de Diabetes, Fernando Valente, comentou os resultados do estudo. Segundo ele, alterações na flora intestinal já vêm sendo discutidas no contexto do consumo de adoçantes.
Essas modificações são consideradas relevantes porque podem influenciar processos como a resistência à insulina e favorecer quadros inflamatórios. O estudo também avaliou a expressão de genes associados à inflamação, como TLR4 e TNF, que apresentaram maior atividade em alguns dos grupos analisados.
Os pesquisadores ainda observaram alterações na forma como os organismos lidam com a glicose. Embora não tenham sido registradas mudanças significativas na geração inicial, os descendentes apresentaram sinais de alterações metabólicas, especialmente entre os grupos expostos à sucralose.
Fernando Valente também comentou sobre as diferenças entre os tipos de adoçantes analisados. Segundo ele, a sucralose tende a permanecer por mais tempo no organismo, o que pode resultar em maior concentração no intestino e impacto mais significativo sobre a microbiota.
Ao avaliar os resultados, o especialista destacou a necessidade de cautela na interpretação dos dados. “A gente precisa ter cautela com essas informações, mas serve de alerta”, afirmou.
Os autores do estudo indicam que os achados ainda não permitem conclusões definitivas sobre efeitos em humanos, já que a pesquisa foi realizada exclusivamente com animais. No entanto, os resultados reforçam a importância de novos estudos sobre o consumo prolongado de adoçantes e seus possíveis impactos na saúde.

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