Um motorista foi indiciado por maus-tratos após ser flagrado dirigindo um veículo com um cachorro preso do lado de fora, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O caso foi registrado em vídeo e gerou repercussão nas redes sociais.
As imagens mostram um cão da raça Pastor Alemão sendo conduzido pela coleira enquanto acompanha o veículo em movimento, em meio ao trânsito. O animal aparenta esforço para manter o ritmo do carro, sendo exposto a riscos durante o trajeto.
Responsável pela investigação, o delegado Derick Moura Jorge afirmou que a conduta caracteriza maus-tratos, por submeter o animal a uma situação de perigo. Segundo ele, não foi possível determinar a velocidade exata do veículo, mas o motorista, de 75 anos, declarou em depoimento que adotava esse método com frequência.
Ao relatar a versão apresentada pelo investigado, o delegado informou: “Ele considerava mais prático ir de carro e entendia que favorecia o exercício físico do cão. Disse que sempre fez assim, e só agora se incomodaram. […] Por ora, o cachorro permanece sob a guarda do tutor. Essa decisão fundamenta-se em um detalhado laudo de avaliação clínica e comportamental veterinária, que indicou a ausência de danos físicos imediatos, lesões em coxins ou traumas cervicais, atestando que o animal apresenta boas condições de saúde e manejo atual”.
O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que irá avaliar a apresentação de denúncia à Justiça. A identidade do motorista não foi divulgada, e não houve manifestação da defesa até o momento.
A Polícia Civil também se manifestou sobre a divulgação de conteúdos nas redes sociais, destacando a importância da formalização das denúncias. Em orientação, o delegado ressaltou: “A Polícia Civil ressalta a importância de que a população continue denunciando crimes desta natureza, preferencialmente enviando provas em vídeo diretamente aos órgãos competentes. Contudo, orienta-se que a divulgação precoce em redes sociais seja evitada, uma vez que tal prática pode prejudicar o sigilo das investigações, gerar acusações infundadas contra inocentes e acarretar responsabilidades civis e penais aos divulgadores, incluindo pedidos de indenização por danos morais”.
Os vídeos foram registrados por equipe ligada à vereadora Teka dos Animais, que informou ter recebido denúncias de que a prática era recorrente. Após constatar a situação, foi registrado boletim de ocorrência, o que deu início à investigação.
A legislação brasileira prevê punição para atos de maus-tratos contra animais, conforme a Lei nº 9.605/1998. As penas variam de três meses a um ano de detenção e multa, podendo ser ampliadas em casos que envolvam cães e gatos, com reclusão de dois a cinco anos, além de sanções adicionais.

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