Estudo indica aumento de 74% no risco de problemas cardíacos entre mulheres vítimas de violência sexual, com impactos físicos além da saúde mental.
Mulheres que sofreram violência sexual apresentam maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida. A conclusão é de um estudo baseado em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, que identificou aumento de 74% no risco de problemas cardíacos nesse grupo. Os resultados foram divulgados em publicação científica da área de saúde pública.
A análise indica que há maior ocorrência de infarto do miocárdio e arritmias entre mulheres com histórico de violência, enquanto não foram observadas diferenças relevantes em casos de angina e insuficiência cardíaca. Os dados reforçam a necessidade de ampliar a compreensão dos efeitos da violência para além do campo psicológico.
O pesquisador Eduardo Paixão, vinculado à Universidade Federal do Ceará, explica que o impacto do trauma pode se estender por diferentes fases da vida. Segundo ele, “quando a gente fala de violência, a literatura já aponta uma associação consistente, principalmente quando a exposição ocorre ainda na infância ou adolescência, mas com efeitos que podem aparecer anos depois”.
Entre os fatores que ajudam a explicar essa relação estão alterações no funcionamento do organismo provocadas pelo estresse prolongado. O pesquisador destaca que “o estresse crônico favorece processos inflamatórios e pode desencadear mudanças fisiológicas, como elevação da pressão arterial e da frequência cardíaca, contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares”.
Além dos efeitos biológicos, o estudo aponta a influência de comportamentos associados ao histórico de violência. Pessoas expostas a essas situações tendem a apresentar maior incidência de hábitos que aumentam o risco cardíaco, como consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada.
Os dados também evidenciam a dimensão do problema no país. Levantamento nacional aponta que uma parcela significativa das mulheres já vivenciou algum tipo de violência sexual ao longo da vida, em proporção superior à observada entre homens.
Os resultados reforçam a necessidade de integrar o atendimento às vítimas, considerando não apenas os aspectos emocionais, mas também os impactos físicos de longo prazo, com foco na prevenção e no acompanhamento da saúde cardiovascular.

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