Heloisa L 2026 04 14T141118.821

Pesquisa aponta que 1 em cada 5 gestantes abandona pré-natal no Brasil

Entre em nosso grupo de notícias no WhatsApp

Quase a totalidade das gestantes brasileiras realiza a primeira consulta de pré-natal, mas uma parcela significativa não conclui o acompanhamento mínimo recomendado durante a gestação. Dados de um estudo do Centro Internacional de Equidade em Saúde, da Universidade Federal de Pelotas, indicam que uma em cada cinco mulheres interrompe o ciclo de consultas antes do final.

A pesquisa, baseada em dados de 2023 do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), mostra que a cobertura da primeira consulta atinge 99% das gestantes, mas esse percentual cai para 79% na última consulta recomendada. O levantamento teve como objetivo avaliar o cumprimento da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que elevou para sete o número mínimo de consultas pré-natais.

A pesquisadora Luiza Eunice Sá da Silva explicou que o estudo buscou medir o nível de adesão ao novo padrão definido pelo governo federal.

Luiza Eunice Sá da Silva afirmou: “No caso das adolescentes, por exemplo, isso ocorre porque muitas delas descobrem a gravidez tarde, com pouco tempo para a conclusão das sete consultas.”

Os dados indicam que a escolaridade é um dos principais fatores associados à continuidade do acompanhamento. Entre mulheres com 12 anos ou mais de estudo, 86,5% completam o ciclo de pré-natal. Já entre aquelas sem escolaridade, esse índice cai para 44%.

O estudo também aponta desigualdades raciais no acesso e permanência no pré-natal. Mulheres indígenas apresentam os menores índices de conclusão, com 51%, enquanto entre mulheres brancas o percentual é de 84%. Entre pretas e pardas, os índices são de 76% e 75%, respectivamente.

Além disso, a queda entre a primeira e a última consulta é mais acentuada entre indígenas, com redução de 46 pontos percentuais, em comparação a 15,3 pontos entre mulheres brancas.

As diferenças regionais também são relevantes. A região Norte apresenta a menor taxa de conclusão das sete consultas, com 63%. Já o Sul registra o melhor desempenho, com 85%. As demais regiões apresentam índices intermediários: Sudeste (81%), Centro-Oeste (77%) e Nordeste (76%).

A idade também influencia os resultados. Entre gestantes com menos de 20 anos, 68% completam o ciclo de consultas, enquanto entre mulheres com mais de 35 anos esse percentual chega a 83%.

A pesquisa não detalha todas as causas do abandono, mas aponta fatores como dificuldades de acesso aos serviços de saúde, limitações financeiras e questões logísticas, especialmente em populações mais vulneráveis.

A gerente de investimento e impacto social da Umane, Evelyn Santos, destacou a necessidade de análise local para enfrentamento do problema.

Evelyn Santos afirmou: “Uma vez que as condições de vida da gestante na rede de saúde são muito diferentes em cada território, e mesmo em cada bairro, o primeiro passo deve ser entender as barreiras e os facilitadores de cada local.”

O estudo também foi analisado pelo epidemiologista Cesar Victora, que destacou a importância do acompanhamento regular durante a gestação.

Cesar Victora afirmou: “Sete consultas não são um número arbitrário, mas o mínimo necessário para acompanhar o ritmo acelerado da vida intrauterina. Sem esse monitoramento regular, perdemos a oportunidade de tratar precocemente condições como infecções, hipertensão, diabetes gestacional.”

Segundo o especialista, a ampliação da qualidade do atendimento deve ser acompanhada por ações que reduzam as desigualdades de acesso, evitando que grupos mais vulneráveis fiquem ainda mais distantes das metas estabelecidas.

O estudo integra iniciativas voltadas à avaliação de políticas públicas de saúde e aponta a necessidade de estratégias específicas para garantir a continuidade do pré-natal em todo o país.

Pesquisa aponta que 1 em cada 5 gestantes abandona pré-natal no Brasil

LEIA MAIS:Terremoto é registrado no litoral do Paraná e assusta moradores

LEIA MAIS:Nova lei garante até 3 dias de folga para exames preventivos

LEIA MAIS:Cachorro passa a frequentar missas e chama atenção em paróquia no Paraná

Rolar para cima
Copyright © Todos os direitos reservados.