Naufrágio de 1680 revela moedas de ouro, joias e segredos de navio que voltou da China

Naufrágio de 1680 revela moedas de ouro, joias e segredos de navio que voltou da China

Uma coleção de objetos recuperados de um naufrágio ocorrido em 1680 trouxe novas informações sobre a história da navegação comercial entre a Europa e a Ásia no século 17. As peças pertenciam ao Phoenix, navio operado pela Companhia das Índias Orientais, que afundou durante uma tempestade nas proximidades das Ilhas Scilly, no sudoeste da Inglaterra, quando retornava da China com uma carga valiosa.

Entre os itens localizados estão moedas de ouro, joias, instrumentos de navegação, fragmentos de espadas e objetos pessoais da tripulação. O material foi doado ao Museu das Ilhas Scilly e deverá integrar a nova Galeria Marítima da instituição, em Hugh Town, na ilha de St. Mary’s.

Descoberta após mais de três séculos

O local exato do naufrágio permaneceu desconhecido por mais de 300 anos. A identificação foi feita pelo mergulhador Todd Stevens, que encontrou os destroços em 2017 após anos de pesquisa histórica e expedições subaquáticas.

A principal pista surgiu durante uma consulta aos arquivos do Museu Marítimo Nacional, em Greenwich. Em um mapa antigo das águas próximas à ilha de Samson, Stevens encontrou a anotação manuscrita “Cap Wildy perdido”, referência ao capitão William Wildy, comandante do Phoenix.

A partir dessa informação, foram realizadas buscas na região indicada pelo documento. As expedições confirmaram a presença de destroços compatíveis com o navio desaparecido no fim do século 17.

Naufrágio de 1680 revela moedas de ouro, joias e segredos de navio que voltou da China
Foto: Museu das Ilhas Scilly

Lastro ajudou a identificar o navio

A confirmação de que os restos encontrados pertenciam ao Phoenix ocorreu por meio da análise de um tipo específico de lastro usado na embarcação. O lastro é o material pesado colocado no navio para garantir estabilidade durante a navegação.

No caso do Phoenix, esse material era formado por fragmentos de antigos canhões de ferro, conhecidos pelo termo inglês kentledge. A característica era incomum e funcionou como uma espécie de identificação da embarcação.

O estado de conservação dos artefatos chamou a atenção dos especialistas. Ao portal Divernet, Xavier Duffy, curador do Museu das Ilhas Scilly, afirmou que é difícil acreditar que os objetos permaneceram no fundo do mar por quase 350 anos.

Navio transportava carga valiosa da China

Construído em 1670, o Phoenix era um navio de guerra adaptado para o transporte comercial. A embarcação possuía 46 canhões e era operada pela Companhia das Índias Orientais, uma das instituições mais influentes do comércio marítimo entre a Europa e a Ásia entre os séculos 17 e 19.

Na viagem que terminou em naufrágio, o navio retornava de Amoy, atual Xiamen, na China. A carga incluía pimenta, especiarias, sedas e tecidos, produtos altamente valorizados no comércio internacional da época.

Grande parte das mercadorias foi recuperada logo após o acidente. No entanto, objetos ligados ao capitão e à tripulação permaneceram submersos até a localização dos destroços por Todd Stevens.

Naufrágio de 1680 revela moedas de ouro, joias e segredos de navio que voltou da China
Foto: Museu das Ilhas Scilly

Ilhas Scilly tinham histórico de naufrágios

O Phoenix afundou em 11 de janeiro de 1680 em uma área conhecida por apresentar riscos à navegação. As Ilhas Scilly possuem rochas submersas, canais estreitos e mudanças repentinas nas condições do mar, fatores que dificultavam a passagem de embarcações.

Ao longo dos séculos, centenas de navios naufragaram na região. A combinação de baixa visibilidade, limitações dos instrumentos de localização da época e relevo marítimo perigoso contribuiu para transformar o arquipélago em uma das áreas mais temidas do litoral britânico.

A perda do Phoenix teve consequências importantes para a segurança marítima local. Documentos históricos indicam que o naufrágio impulsionou a construção do primeiro farol das Ilhas Scilly, em St. Agnes, medida adotada para reduzir o risco de novos acidentes.

Objetos ajudam a reconstruir a vida a bordo

O conjunto de artefatos doado ao museu oferece informações relevantes sobre a rotina em um navio mercante do século 17. Além de itens associados à navegação e à defesa da embarcação, há objetos pessoais que ajudam a compreender aspectos da vida cotidiana da tripulação.

Moedas, joias, instrumentos, armas fragmentadas e peças de uso individual ampliam a leitura histórica sobre o Phoenix. Eles mostram não apenas o papel econômico da embarcação, mas também a presença humana por trás das grandes rotas comerciais.

Segundo a BBC News, os itens integrarão a nova Galeria Marítima do Museu das Ilhas Scilly, instalada na prefeitura restaurada de Hugh Town. A exposição deverá aproximar o público de uma parte importante da história naval britânica.

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