Brasil, Argentina e Paraguai: os únicos não europeus que derrubaram a Alemanha em mata-mata de Copa

Brasil, Argentina e Paraguai: os únicos não europeus que derrubaram a Alemanha em mata-mata de Copa

O Paraguai alcançou um dos resultados mais importantes de sua história ao eliminar a Alemanha da Copa do Mundo de 2026 nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. A vitória por 4 a 3 nas penalidades, confirmada pela Fifa no duelo da segunda fase, classificou a seleção paraguaia para as oitavas de final e ampliou a crise recente dos alemães em Mundiais.

O resultado também colocou o Paraguai em uma lista extremamente restrita na história das Copas. Considerando apenas jogos eliminatórios e tratando Alemanha Ocidental e Alemanha reunificada como continuidade histórica da seleção alemã, somente três seleções não europeias conseguiram eliminar os alemães em mata-matas: Argentina, na final de 1986; Brasil, na decisão de 2002; e Paraguai, agora, em 2026.

Na final de 1986, a Argentina venceu a Alemanha Ocidental por 3 a 2 no Estádio Azteca, na Cidade do México, com gols de José Luis Brown, Jorge Valdano e Jorge Burruchaga. A Fifa registra aquela decisão como um dos momentos centrais da Copa marcada pelo protagonismo de Diego Maradona. Foi a primeira vez que uma seleção não europeia tirou os alemães em um jogo decisivo de mata-mata de Mundial.

A segunda ocorrência veio em 2002, quando o Brasil derrotou a Alemanha por 2 a 0 na final disputada em Yokohama, no Japão. Ronaldo marcou os dois gols brasileiros, e a seleção comandada por Luiz Felipe Scolari conquistou o pentacampeonato. O levantamento histórico da RSSSF registra a decisão de 2002 como Brasil 2 a 0 Alemanha, resultado que confirmou o quinto título brasileiro.

A vitória paraguaia de 2026 ganha peso ainda maior porque representou a primeira derrota da Alemanha em uma disputa de pênaltis em Copas do Mundo. Segundo a Reuters, Julio Enciso abriu o placar para o Paraguai, Kai Havertz empatou para os alemães, e José Canale converteu a cobrança decisiva depois de uma disputa marcada por erros alemães e defesas importantes do goleiro Orlando Gill.

A eliminação também aprofunda um período de instabilidade da Alemanha em Copas. Depois de cair ainda na fase de grupos em 2018 e 2022, a seleção voltou ao mata-mata em 2026, mas parou logo na segunda fase. Para uma equipe tetracampeã mundial, com títulos em 1954, 1974, 1990 e 2014, a nova queda aumenta a pressão sobre o trabalho de Julian Nagelsmann e reforça a distância entre o peso histórico da camisa e o desempenho recente em Mundiais.

Para o Paraguai, o resultado tem dimensão esportiva e simbólica. A seleção sul-americana não apenas superou uma das maiores potências do futebol mundial, como também mudou seu próprio lugar na memória das Copas. A partir desta edição, a façanha paraguaia passa a ser citada ao lado das vitórias de Argentina e Brasil como um dos raros momentos em que uma equipe de fora da Europa conseguiu encerrar o caminho alemão em um mata-mata de Mundial.

Com a classificação, o Paraguai avança para enfrentar o vencedor de França e Suécia na próxima fase. Independentemente do próximo adversário, a vitória sobre a Alemanha já ocupa um espaço de destaque na Copa de 2026 e na história da seleção paraguaia. Em uma competição em que tradição costuma pesar, o Paraguai mostrou que, nos pênaltis e sob pressão, também há espaço para uma página improvável — e, neste caso, histórica.

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