Dólar caiu 0,37% e o Ibovespa subiu 0,87% após dados de inflação e declarações do Banco Central sobre a condução da taxa Selic
O dólar comercial encerrou as negociações desta quinta-feira (25) em queda de 0,37%, cotado a R$ 5,180. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 0,87% e terminou o pregão aos 171.990 pontos.
O mercado acompanhou a divulgação de indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, além das declarações de dirigentes do Banco Central sobre a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a taxa básica de juros.
Durante a sessão, a moeda norte-americana foi negociada entre R$ 5,166 e R$ 5,218. A desvalorização ocorreu em meio ao enfraquecimento do dólar no mercado internacional.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos diante de uma cesta formada por seis divisas internacionais, apresentou queda de 0,17%, aos 101,436 pontos.
No mercado brasileiro, os investidores avaliaram as informações divulgadas pelo Banco Central sobre a condução da política monetária. Na reunião realizada em 17 de junho, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano.
A justificativa apresentada pelo comitê gerou dúvidas entre agentes financeiros sobre o período considerado pelo Banco Central para conduzir a inflação à meta. Parte do mercado interpretou que a autoridade monetária poderia estar ampliando o horizonte de atuação e adotando uma postura menos restritiva.
Durante entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu que o comunicado divulgado após a decisão de juros pode ter causado ruído ao apresentar explicações consideradas excessivas.
“Você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”, declarou Galípolo.
O presidente do Banco Central afirmou que o Copom não antecipou decisões para as próximas reuniões e que não houve alteração na estratégia de política monetária.
“Estamos recolhendo dados nos próximos 40 dias para que o Copom possa tomar a decisão à luz dos novos fatos”, afirmou.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Paulo Picchetti, também declarou que a instituição não pretende ampliar o horizonte relevante para o cumprimento da meta de inflação.
Segundo Picchetti, a referência ao primeiro trimestre de 2028 considerou os efeitos de choques externos, como o conflito no Oriente Médio e o fenômeno climático El Niño, sobre os preços. Esses fatores, conforme explicou, não respondem diretamente às mudanças na taxa de juros brasileira.
Ao abordar os limites de atuação da política monetária diante de choques internacionais, o diretor afirmou que uma elevação dos juros para levar a inflação à meta de 3% não “abriria o Estreito de Hormuz” nem modificaria os efeitos do El Niño.
As declarações foram interpretadas por investidores como uma tentativa do Banco Central de reafirmar o compromisso com a convergência da inflação à meta dentro do horizonte considerado relevante, atualmente no quarto trimestre de 2027.
Os contratos de juros futuros apresentaram movimentos distintos após a coletiva. As taxas de curto e médio prazo reduziram as quedas, enquanto os contratos com vencimentos mais longos passaram a registrar alta.
No encerramento das negociações, a taxa do Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2028 estava em 14,24%, com redução de 0,07 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 atingiu 14,30%, com avanço de 0,09 ponto.
O líder de renda variável da W1 Capital, Tales Barros, avaliou que as falas dos dirigentes tiveram como principal efeito esclarecer a comunicação da autoridade monetária.
“Galípolo reconheceu o ruído gerado pelo comunicado, assumiu responsabilidade e sinalizou a intenção de tornar os próximos comunicados mais concisos, reservando essas explicações para a ata, mas ressaltou que, a princípio, não tem mudança na condição da política monetária”, afirmou.
Para o especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, Eduardo Amorim, o Banco Central terá de manter coerência entre as manifestações públicas e as próximas decisões sobre a taxa de juros.
“Se Galípolo conseguir reforçar uma postura técnica, cautelosa e comprometida com a convergência da inflação à meta, parte dos prêmios de risco pode continuar sendo devolvida. Por outro lado, qualquer percepção de flexibilização excessiva pode reacender a pressão sobre juros”, declarou.
O mercado também repercutiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O IPCA-15 registrou alta de 0,41% em junho, após avançar 0,62% em maio.
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro, que indicava inflação de 0,44% no mês. Apesar da desaceleração, foi a maior variação registrada para junho desde 2022, quando o índice ficou em 0,69%.
No acumulado dos 12 meses encerrados em junho, o IPCA-15 atingiu 4,80%, acima dos 4,64% contabilizados até maio. No acumulado de 2026, a prévia da inflação oficial chegou a 3,45%.
O economista sênior do Inter, André Valério, afirmou que os números indicam uma tendência de normalização da inflação após o impacto do aumento dos preços de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio.
“O resultado sugere que o impacto da guerra não foi suficiente para reiniciar o processo inflacionário. Mantemos nossa expectativa de novo corte na Selic na reunião de agosto e continuidade da cautela na condução da política monetária com as decisões sendo tomadas reunião a reunião”, afirmou.
No exterior, os investidores acompanharam a divulgação do índice de preços das despesas de consumo pessoal dos Estados Unidos, conhecido como PCE. O indicador subiu 0,4% em maio e acumulou avanço de 4,1% em 12 meses.
O núcleo do índice, que exclui os preços de alimentos e energia, apresentou alta mensal de 0,3% e acumulou variação de 3,4% em 12 meses.
O PCE é uma das principais referências utilizadas pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano, na definição da política de juros. A meta da instituição é manter a inflação próxima de 2% ao ano.
Os dados levaram os agentes financeiros a revisar as estimativas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve. A expectativa predominante passou a indicar manutenção dos juros na reunião seguinte, com a possibilidade de uma elevação em setembro.
A perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos costuma reduzir a procura por ativos de países emergentes, uma vez que os títulos norte-americanos passam a oferecer maior retorno com menor percepção de risco.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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