Baixas temperaturas e frio pode agravar pressão alta, alterações circulatórias e desidratação, aumentando a vulnerabilidade ao AVC, principalmente entre idosos
A redução das temperaturas durante o inverno pode contribuir para o agravamento de fatores associados ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), especialmente em pessoas idosas e pacientes com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardíacas ou histórico de problemas circulatórios. Embora o frio não seja considerado uma causa direta da doença, as respostas do organismo às baixas temperaturas podem aumentar a vulnerabilidade de parte da população.
O AVC ocorre quando o fornecimento de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou reduzido. No tipo isquêmico, mais frequente, a obstrução geralmente está relacionada à formação ou ao deslocamento de um coágulo. No AVC hemorrágico, há o rompimento de um vaso sanguíneo e a ocorrência de sangramento cerebral. As duas situações exigem atendimento médico imediato.
Durante os períodos frios, o organismo reduz a circulação de sangue nas áreas mais próximas da pele para preservar a temperatura corporal. Esse processo, conhecido como vasoconstrição, provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos e pode elevar a pressão arterial. Em pessoas que já apresentam hipertensão ou outras condições cardiovasculares, essa alteração pode dificultar o controle clínico.
O neurocirurgião Felipe Mendes, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, explica que o risco está relacionado principalmente à possível descompensação de condições que já favorecem a ocorrência de um AVC.
“Uma das possibilidades e teorias que existem é que alguns fatores de risco que já são naturalmente responsáveis por estarem associados ao AVC podem ficar mais desregulados no período do frio, como, por exemplo, o aumento da pressão sanguínea, o aumento da propensão de fenômenos de coagulação dentro da circulação sanguínea. Alguns estudos colocam também a possibilidade de aumento dos níveis de colesterol e o aumento da chance de ter AVC por conta de um êmbolo que tem origem no coração ou em grandes vasos”, afirmou.
Além das alterações fisiológicas, mudanças de comportamento durante o inverno podem interferir na saúde cardiovascular. Em dias frios, parte da população reduz a prática de exercícios físicos, permanece por mais tempo em ambientes fechados e ingere menor quantidade de água.
A diminuição do consumo de líquidos pode favorecer quadros de desidratação, principalmente entre pessoas idosas, que nem sempre percebem a sensação de sede com a mesma intensidade. A falta de hidratação adequada também pode afetar a circulação e contribuir para o desequilíbrio de condições de saúde já existentes.
A prevenção durante o inverno deve seguir os mesmos princípios recomendados ao longo de todo o ano. O acompanhamento médico regular, o controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, a manutenção de atividade física compatível com as condições individuais e o uso correto dos medicamentos são medidas importantes para reduzir os riscos.
Felipe Mendes reforçou que os cuidados não devem ser interrompidos ou alterados sem orientação profissional durante os períodos de baixa temperatura.
“O mesmo tipo de prevenção que se deve ter em qualquer época vai valer também no inverno. É importante estar atento aos fatores de risco que já são classicamente conhecidos do AVC, como, por exemplo, controle da pressão arterial, controle do colesterol, controle do diabetes, controle do sedentarismo, evitar ou reduzir o tabagismo e manter o estado de hidratação, já que no frio as pessoas tendem a ingerir menos líquido”, declarou.
A idade avançada está entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade ao AVC. Pessoas idosas apresentam maior frequência de hipertensão, diabetes, alterações no colesterol, arritmias cardíacas e outras doenças que podem comprometer a circulação sanguínea.
Segundo o neurocirurgião, pacientes com mais de 75 anos devem receber atenção especial durante períodos de frio intenso, principalmente quando já possuem doenças crônicas ou dificuldades para manter a hidratação e seguir o tratamento prescrito.
“Os pacientes mais idosos naturalmente sofrem mais com os extremos, sejam eles de frio ou calor intenso. Nós já sabemos dessa correlação nessa época do ano com relação a doenças respiratórias, como resfriados e pneumonias, que acabam acometendo mais esse grupo de pessoas. Dentro do AVC, eles também vão sofrer mais, principalmente pela faixa etária a partir dos 75 anos”, disse.
Familiares e cuidadores devem verificar se a pessoa idosa está tomando corretamente os medicamentos, consumindo água em quantidade adequada e mantendo as consultas de acompanhamento. Mudanças na pressão arterial, na disposição física ou no estado de consciência devem ser avaliadas por profissionais de saúde.
O reconhecimento dos sintomas é fundamental para reduzir o risco de morte e de sequelas permanentes. Entre os principais sinais de alerta estão a perda repentina de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras, desvio da boca, alteração súbita da visão, tontura intensa e perda de equilíbrio ou coordenação.
Dor de cabeça súbita e muito intensa, confusão mental e dificuldade inesperada para caminhar também podem indicar um AVC. Os sintomas podem aparecer de forma isolada ou simultânea e não devem ser ignorados, mesmo quando diminuem após alguns minutos.
Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente. O tempo entre o início dos sintomas, o diagnóstico e o tratamento influencia diretamente as possibilidades de recuperação. Quanto mais rápida for a assistência, maiores serão as chances de reduzir os danos ao cérebro e as sequelas.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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