Boletim Focus aponta nova alta na previsão do IPCA, juros de 14% ao ano no fim de 2026 e crescimento de 1,98% para a economia brasileira

Mercado eleva projeção da inflação para 5,33% e prevê Selic em 14% no fim de 2026

Boletim Focus aponta nova alta na previsão do IPCA, juros de 14% ao ano no fim de 2026 e crescimento de 1,98% para a economia brasileira

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial brasileira em 2026 voltou a subir. Conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,30% para 5,33%.

O levantamento reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Esta foi a 15ª elevação consecutiva da expectativa para a inflação ao fim deste ano.

A nova estimativa permanece acima do limite máximo estabelecido para a meta de inflação. Definido pelo Conselho Monetário Nacional, o objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o intervalo considerado aceitável varia entre 1,5% e 4,5%.

A revisão ocorreu mesmo após o anúncio de um acordo destinado a encerrar o conflito no Oriente Médio, situação que vinha contribuindo para o aumento dos preços de combustíveis e alimentos. As instituições financeiras, no entanto, continuam avaliando os impactos econômicos já registrados e as incertezas relacionadas à efetivação do entendimento.

Em maio, o IPCA avançou 0,58%, pressionado principalmente pelos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,72%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, resultado superior ao teto da meta.

As previsões para os anos seguintes também foram atualizadas. Para 2027, a estimativa do IPCA aumentou de 4,10% para 4,15%. Para 2028, a projeção permaneceu em 3,70%, enquanto a expectativa para 2029 é de inflação de 3,50%.

O mercado financeiro também elevou a projeção para a taxa básica de juros no encerramento de 2026. A expectativa para a Selic passou de 13,75% para 14% ao ano.

Atualmente, a taxa está fixada em 14,25% ao ano. Na reunião realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. A decisão foi unânime e representou o terceiro corte consecutivo promovido pelo Banco Central.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas. O ciclo de redução foi iniciado em março, diante da desaceleração da inflação. O aumento dos preços de combustíveis e alimentos relacionado ao conflito no Oriente Médio, contudo, limitou a possibilidade de cortes mais intensos.

Ao justificar a última decisão, o Copom afirmou que as incertezas sobre os termos do acordo para interromper os conflitos e os efeitos econômicos já materializados foram considerados na definição da nova taxa. O comitê também informou que a extensão total do ciclo de redução dependerá da evolução dos indicadores econômicos e da convergência da inflação para a meta.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. A projeção predominante entre os analistas consultados pelo Banco Central indica que poderá ocorrer nessa ocasião o último corte da Selic em 2026.

Para 2027, o mercado estima que a taxa básica de juros encerrará o ano em 12%. A previsão para 2028 é de 10,25%, enquanto, para 2029, a expectativa é de Selic em 10% ao ano.

A manutenção dos juros em níveis elevados tende a aumentar o custo do crédito para famílias e empresas. Financiamentos imobiliários, compras parceladas e operações realizadas com cartão de crédito podem ficar mais caros, reduzindo o consumo e limitando o ritmo de expansão da economia.

A redução da Selic, por outro lado, tende a diminuir os custos dos empréstimos e financiamentos, favorecendo o consumo e os investimentos. Juros menores, no entanto, reduzem o efeito de contenção da demanda utilizado pelo Banco Central no combate à inflação.

O Boletim Focus também apresentou uma pequena melhora na previsão para o Produto Interno Bruto brasileiro em 2026. A expectativa de crescimento passou de 1,96% para 1,98%.

Para 2027, a projeção de expansão econômica foi mantida em 1,70%. As instituições financeiras estimam crescimento de 2% tanto em 2028 quanto em 2029.

No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira avançou 1,1% em relação aos últimos três meses de 2025. No período de 12 meses, o crescimento acumulado foi de 2%, conforme dados do IBGE.

Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, com resultados positivos em todos os setores e desempenho de destaque da agropecuária. O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão da atividade econômica.

Em relação ao câmbio, o mercado financeiro manteve em R$ 5,20 a previsão para a cotação do dólar no encerramento de 2026. Para o fim de 2027, a estimativa é de que a moeda norte-americana seja negociada a R$ 5,27.

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