Mais de 2 milhões de pesquisas relacionadas a medicamentos sem receita foram registradas no Google no Brasil durante um período de 12 meses, segundo levantamento realizado pela plataforma de consultas médicas Olá Doutor. O estudo identificou interesse por produtos utilizados no controle do peso, no tratamento de transtornos mentais, em terapias hormonais e em outras condições de saúde.
Os dados foram obtidos a partir de expressões como “sem receita” e variações associadas a nomes de medicamentos. O resultado indica o volume de interesse dos usuários da internet pelo assunto, mas não permite concluir que as pessoas tenham efetivamente comprado ou utilizado esses produtos sem acompanhamento profissional.
Entre os dez medicamentos analisados, a sibutramina ocupou a primeira posição, com 102.330 buscas associadas à expressão “sem receita”. O Mounjaro ficou em segundo lugar, com 81.460 pesquisas, seguido pela sertralina, com 47.330.
A lista também incluiu amoxicilina, com 37.870 buscas; Ozempic, com 36.160; Ritalina, com 19.990; Venvanse, com 18.650; testosterona, com 14.370; Roacutan, com 9.340; e Prosoy, com 8.800 pesquisas.
Somados, os dez termos específicos alcançaram aproximadamente 376 mil buscas. O total superior a 2 milhões apresentado pela plataforma considera o conjunto mais amplo de pesquisas relacionadas à tentativa de encontrar medicamentos sem prescrição, incluindo expressões genéricas e diferentes variações pesquisadas nas cinco regiões brasileiras.
Os produtos relacionados ao emagrecimento concentraram parte relevante do interesse identificado. Sibutramina, Mounjaro e Ozempic somaram aproximadamente 220 mil buscas no período analisado.
Também foram registradas 82 mil pesquisas pela expressão “remédio para emagrecer sem receita” e outras 29 mil por “inibidor de apetite sem receita”. Os números mostram o interesse por alternativas de perda de peso fora do acompanhamento clínico, embora não comprovem que os usuários tenham adquirido ou consumido os produtos.
A comercialização de medicamentos como Ozempic e Mounjaro exige prescrição médica com retenção da receita. A medida foi adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária diante do aumento de notificações de eventos adversos relacionados principalmente ao uso fora das indicações aprovadas.
Em maio de 2026, a Anvisa também aprovou o registro da Ozivy, primeira caneta nacional de semaglutida sintética análoga ao Ozempic. O medicamento foi autorizado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, associado à alimentação adequada e à prática de exercícios. A aprovação não representa uma autorização geral para uso com finalidade de emagrecimento.
Ao avaliar o interesse por medicamentos ligados à redução de peso e ao desempenho físico, o diretor-executivo do Olá Doutor, Anderson Zilli, afirmou que essas substâncias exigem avaliação e acompanhamento profissional.
“Sibutramina, Ozempic e testosterona sintética são substâncias com indicações precisas e efeitos que exigem monitoramento contínuo”, declarou.
Na sequência, Zilli orientou que a decisão sobre o início de qualquer tratamento seja tomada após análise individual realizada por um profissional habilitado.
“O caminho mais seguro é sempre procurar um profissional de saúde, que avaliará a necessidade do tratamento e possíveis efeitos adversos”, afirmou.
Medicamentos utilizados em tratamentos relacionados à saúde mental também apareceram entre os mais pesquisados. Sertralina, Ritalina e Venvanse somaram cerca de 86 mil buscas associadas à tentativa de obtenção sem receita.
Esses produtos possuem indicações diferentes. A sertralina é utilizada em determinados tratamentos de ansiedade, depressão e outros transtornos, enquanto Ritalina e Venvanse podem ser prescritas, entre outras situações, para pacientes diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.
O uso depende de avaliação médica, diagnóstico e acompanhamento. Além dos possíveis efeitos adversos, a utilização inadequada pode dificultar a identificação de outras condições, provocar interações com diferentes medicamentos ou agravar problemas já existentes.
Para Anderson Zilli, parte das pesquisas pode estar relacionada às dificuldades encontradas por pacientes para obter consultas, diagnósticos e acompanhamento especializado. Ele ponderou, no entanto, que os dados não permitem identificar individualmente as razões de cada usuário.
“Quem busca por medicamentos controlados sem receita está, muitas vezes, tentando resolver um problema de saúde da forma mais rápida que conhece”, comentou.
Ao tratar do acesso ao atendimento, o representante da plataforma defendeu que a consulta seja compreendida como parte necessária do tratamento e não apenas como uma exigência para a obtenção da receita.
“O que precisa mudar é a percepção de que se consultar com um médico é algo distante ou burocrático. A telemedicina mudou isso: hoje, o acesso a um profissional real, com capacidade de prescrever e acompanhar, está tão próximo quanto uma busca no Google”, declarou.
O levantamento foi divulgado no período em que o Olá Doutor prepara o lançamento de uma clínica digital. A proposta prevê a ampliação das consultas imediatas por mensagens e a oferta de agendamentos por chat ou vídeo, além da possibilidade de acompanhamento continuado.
Ao explicar a mudança no serviço, Zilli afirmou que a plataforma pretende conciliar o atendimento imediato com a continuidade do cuidado médico.
“Continuamos oferecendo acesso rápido quando o paciente precisa de uma orientação imediata, mas agora também possibilitamos que ele encontre o profissional certo e dê continuidade ao seu cuidado. Ao mesmo tempo, entregamos aos médicos mais autonomia e flexibilidade para construir sua prática no ambiente digital”, afirmou.
A pesquisa considerou buscas realizadas no Google por usuários brasileiros durante os 12 meses anteriores ao levantamento. Foram analisadas expressões associadas a medicamentos “sem receita” e suas variações nas cinco regiões do país.
Os resultados representam estimativas de interesse de busca e não constituem levantamento epidemiológico. Também não permitem determinar quantas pessoas pesquisaram, se houve compra dos medicamentos ou se os produtos foram utilizados sem orientação profissional.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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