Estudos mostram como a flexibilidade do corpo feminino pode favorecer resistência e adaptação

Estudos mostram como a flexibilidade do corpo feminino pode favorecer resistência e adaptação

Pesquisas recentes nas áreas de fisiologia, metabolismo e medicina esportiva têm ampliado a compreensão sobre o funcionamento do corpo feminino. Estudos indicam que características antes analisadas apenas como diferenças biológicas em relação ao corpo masculino podem representar mecanismos importantes de resistência, adaptação e proteção.

Entre os principais pontos investigados está a flexibilidade do organismo feminino. Essa flexibilidade aparece em diferentes níveis: no metabolismo, na forma como o corpo utiliza energia, na capacidade de armazenar gordura de maneira menos prejudicial, na mobilidade física e na adaptação a grandes mudanças hormonais ao longo da vida.

O papel do estrogênio na adaptação do corpo

Um dos hormônios mais estudados nesse processo é o estrogênio. Em 2014, pesquisas apontaram que ele pode ajudar o organismo a lidar melhor com o estresse físico provocado pela altitude. Isso ocorreria pela redução da ação do fator induzível por hipóxia, conhecido pela sigla HIF, proteína envolvida na adaptação do corpo à baixa oferta de oxigênio, mas também associada a inflamação e desconforto.

A fisiologista metabólica Deborah Clegg, professora de medicina interna no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Tecnológica do Texas, nos Estados Unidos, observou esse fenômeno em uma experiência pessoal. Durante uma escalada no Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, ela percebeu que respondia melhor ao esforço em altitude do que seu parceiro de escalada, Biff Palmer, nefrologista e alpinista experiente que já havia subido o Everest e outros grandes picos.

Após a experiência, Clegg e Palmer continuaram escalando juntos e identificaram um padrão. Em diferentes montanhas, ela demonstrava maior tolerância ao ar rarefeito e ao esforço prolongado. A constatação levou os dois a investigar se havia uma explicação fisiológica para essa diferença.

Flexibilidade metabólica favorece atividades de resistência

Segundo Clegg, o estrogênio também está relacionado à chamada flexibilidade metabólica, que é a capacidade do organismo de alternar entre diferentes fontes de energia, especialmente glicose e gordura. Essa adaptação é considerada importante para atividades de longa duração.

Estudos indicam que, em média, o corpo masculino tende a depender mais dos carboidratos em esforços curtos e explosivos. Já o corpo feminino apresenta maior eficiência no uso da gordura como fonte de energia constante, o que pode favorecer situações de resistência.

De acordo com pesquisadores, essa característica pode ter relação com processos evolutivos ligados à gestação, à amamentação e à necessidade de manter energia ao longo de períodos prolongados. Em contextos ancestrais, mulheres precisavam sustentar funções reprodutivas exigentes e, ao mesmo tempo, realizar atividades físicas diárias essenciais à sobrevivência.

Estudos mostram como a flexibilidade do corpo feminino pode favorecer resistência e adaptação

O armazenamento de gordura e seus efeitos na saúde

Outro ponto analisado pela ciência é a forma como a gordura corporal é armazenada. Em média, mulheres tendem a acumular mais gordura subcutânea nos quadris e nas coxas, enquanto homens acumulam mais gordura visceral na região abdominal.

A gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos, está associada a maior risco de doenças metabólicas, diabetes e problemas cardiovasculares. Já a gordura subcutânea, mais comum no corpo feminino, é considerada menos prejudicial do ponto de vista metabólico.

Clegg explica que as células adiposas femininas têm maior capacidade de expansão e contração. Isso permite armazenar excesso de ácidos graxos e calorias com menor impacto inflamatório. Segundo a pesquisadora, essa característica ajuda o organismo a se adaptar a fases como gravidez, flutuações de peso e exercícios de resistência.

Essa capacidade, no entanto, muda ao longo da vida. Com a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio pode diminuir parte dessa flexibilidade metabólica, o que aumenta a importância de acompanhamento de saúde, atividade física adequada e pesquisas específicas sobre o corpo feminino.

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A flexibilidade física também influencia

Além do metabolismo, a flexibilidade física é outro fator estudado. A médica Miho Tanaka, que atua com atletas do New England Revolution e do Boston Ballet e é cirurgiã de medicina esportiva no Mass General Brigham, nos Estados Unidos, afirma que o corpo humano apresenta diferentes tipos de flexibilidade: funcional, muscular e articular.

A flexibilidade funcional está relacionada à capacidade de realizar movimentos amplos e coordenados. A flexibilidade muscular depende da elasticidade dos músculos. Já a flexibilidade articular, chamada de laxidade na medicina, envolve a amplitude de movimento das articulações.

Segundo Tanaka, a flexibilidade está associada à eficiência muscular e à capacidade de gerar força. O uso adequado da amplitude articular melhora a biomecânica e influencia diretamente a forma como uma pessoa produz força durante o movimento.

Equilíbrio entre mobilidade, força e proteção

A pesquisadora Sophia Nimphius, vice-reitora de Esportes da Edith Cowan University, na Austrália, afirma que a inflexibilidade muitas vezes aparece como resposta à perda de força nos limites finais do movimento.

Em média, mulheres apresentam maior elasticidade muscular e maior amplitude articular, possivelmente em razão da ação do estrogênio sobre os tecidos conjuntivos, como o colágeno. Essa característica pode favorecer a mobilidade, mas também exige equilíbrio.

Tanaka observa que músculos mais flexíveis podem reduzir o risco de distensões, mas a laxidade excessiva pode aumentar a chance de lesões articulares. Por isso, especialistas defendem que flexibilidade, força e estabilidade devem ser trabalhadas de forma conjunta.

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Lesões femininas no esporte exigem mais pesquisa

Uma das discussões mais importantes na medicina esportiva envolve o maior risco de lesões no joelho em mulheres em determinados esportes. Alguns estudos indicam que mulheres podem ter de quatro a oito vezes mais chances de sofrer lesões sem contato no joelho.

Parte das pesquisas associa essa diferença a fatores como assimetrias, desequilíbrios musculares e características hormonais ou anatômicas. No entanto, Nimphius alerta que o tema não deve ser explicado apenas por diferenças biológicas.

Segundo ela, se a laxidade fosse o principal fator, as diferenças nas taxas de lesões seriam semelhantes em todos os esportes, o que não ocorre. No esqui alpino, por exemplo, onde o treinamento costuma começar cedo e ser individualizado, estudos não apontam a mesma diferença entre homens e mulheres nas taxas de lesões.

A necessidade de treinos voltados ao corpo feminino

Especialistas defendem que a preparação esportiva precisa considerar melhor as características específicas do corpo feminino. Durante muito tempo, mulheres foram treinadas como se fossem versões menores dos homens, em vez de receberem protocolos ajustados à sua fisiologia.

Esse cenário é agravado pelo fato de apenas uma pequena parcela dos estudos em medicina esportiva se concentrar exclusivamente em mulheres. A falta de dados específicos dificulta a criação de estratégias mais eficazes de prevenção de lesões, desempenho e recuperação.

Para Tanaka, tecnologias como inteligência artificial e aprendizado de máquina podem ajudar nesse processo. A análise de grandes volumes de dados pode permitir planos de treinamento mais individualizados, com maior capacidade de prever riscos e ajustar exercícios às necessidades de cada atleta.

Mudanças hormonais e adaptação ao longo da vida

A flexibilidade do corpo feminino também aparece na capacidade de passar por grandes mudanças fisiológicas ao longo da vida. Da primeira menstruação à menopausa, passando pela gravidez, parto e recuperação, o organismo feminino passa por alterações nos sistemas circulatório, imunológico, musculoesquelético e hormonal.

Pesquisas recentes também investigam possíveis benefícios associados a alguns desses processos. Estudos indicam que a amamentação pode reduzir o risco de câncer de mama, em parte pelo recrutamento de células imunológicas para a região mamária.

Também há registros de atletas que, após gravidez e recuperação adequada, retornaram ao esporte em nível semelhante ou superior ao desempenho anterior. Esses casos são analisados como exemplos da capacidade de adaptação do organismo feminino.

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Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

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