Ridley Huie, mestre em Northern European and Mediterranean Archaeology pela University of Amsterdam e bolsista do NIA, descreveu as últimas semanas de pesquisa no Netherlands Institute at Athens (NIA) como uma experiência calorosa e formativa. Após enviar sua candidatura em janeiro, Huie iniciou a etapa final de seu mestrado em Atenas, combinando trabalho em bibliotecas e visitas a museus com a redação de sua tese.
O pesquisador agradeceu formalmente à orientadora, Dr. Jill Hilditch, e ao diretor do NIA, Dr. Jan Paul Crielaard, além de Dr. Gert Jan van Wijngaarden, destacando que o apoio e a disponibilidade desses professores foram cruciais durante a estada.
Huie relatou que um dos principais pontos positivos da permanência no instituto foi o contato com especialistas de áreas diversas, incluindo clássicos, arquitetura e arqueologia, bem como com pós-graduandos de outras instituições estrangeiras presentes em Atenas. Segundo ele, o ambiente do NIA promove uma atmosfera familiar e de apoio, especialmente durante o verão, quando a cidade reúne conferências, seminários e pesquisadores em trânsito.
O NIA oferece recursos bibliográficos e espaços para eventos em suas duas alas, além de um quadro de avisos com informações sobre atividades de outras escolas e institutos. As acomodações do instituto foram descritas como confortáveis, com cozinha equipada. Nas imediações ficam a British School at Athens (BSA), a American School of Classical Studies at Athens (AMCSA), a Archaeological Society at Athens e a Nordic Library. Huie observou que BSA e AMCSA exigem a solicitação de um cartão de biblioteca, um processo rápido, mas com dias específicos para visitas; já a Nordic Library permite entrada diária sem registro formal.
As coleções do Museum of Cycladic Art e do National Archaeological Museum foram apontadas como fundamentais para o estudo de esculturas, cerâmicas e materiais de escavação que o autor havia consultado apenas em bibliografia. Huie destacou a importância de analisar artefatos em Atenas, próximos ao seu contexto arqueológico original.
A tese do pesquisador concentra-se no período e horizonte Early Cycladic I (EC I). Em Atenas, seu trabalho dividiu-se entre levantamento de relatórios de escavação antigos, periódicos e outros materiais acadêmicos, além de visitas a museus onde os achados estão expostos. Huie descreveu como a transição do Final Neolítico para a Idade do Bronze Inicial nas Cicladias centrais e meridionais se manifesta em alterações padronizadas no registro material, nos assentamentos e nos padrões de mobilidade.
Segundo o autor, evidências limitadas do Final Neolítico indicam assentamentos nucleados que, no início da Idade do Bronze, tendem a se tornar mais dispersos. Assentamentos naturalmente fortificados em promontórios costeiros, com vista para baías e portos, inventário funerário escasso e cerâmica aberta compõem parte desse repertório inicial cicládico.
Huie observa que o EC I costuma ficar entre períodos mais conhecidos e a fase Keros-Syros do Early Cycladic II (EC II). No EC I houve aumento de assentamentos dispersos, declínio das vilas nucleadas maiores, desenvolvimento da metalurgia e grande variação regional em cerâmica, peças de mármore, figurinas e práticas mortuárias. Grande parte da arqueologia do EC I foi escavada ou publicada no início do século XX, com relatórios e dados contextuais frequentemente mais escassos que os de escavações recentes.
A pesquisa de Huie investiga como a construção arqueológica do EC I foi condicionada por histórias de publicação desiguais, contextos de assentamento limitados, conjuntos mortuários fragmentários e por sistemas terminológicos e cronológicos adotados por estudiosos. Ele aponta que rótulos culturais podem dar uma impressão de homogeneidade que nem sempre é sustentada pelos dados de sítio. Problemas como sistemas cronológicos tripartidos, sítios-tipo, estratigrafia limitada, âncoras no continente e qualidade desigual do registro funerário influenciam a interpretação dos conjuntos. Ao reassesssar essas questões, a tese propõe entender o EC I não como uma fase cultural uniforme, mas como um horizonte complexo e regionalmente variado dentro da Idade do Bronze Inicial nas Cicladias.
Huie também ressaltou vantagens práticas da localização do NIA: proximidade ao metrô do Acropolis, acesso facilitado a bibliotecas e museus, o National Garden em frente ao instituto e padarias próximas, citando especificamente a Takis, a cinco minutos. Ele descreveu a estada em Atenas como sua primeira grande experiência de pesquisa e elogiou o acolhimento da equipe do NIA — incluindo Galyna, Anna e os três Giannis — que, segundo ele, contribuíram para tornar o local uma “casa longe de casa”.
Ao final, Huie incentivou estudantes com projetos beneficiados por bolsas de pesquisa a submeter candidaturas para aproveitar recursos e redes acadêmicas disponíveis em Atenas.
Com informações de Niathens.wordpress
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