O governo do presidente Donald Trump destinou recursos federais a usinas de carvão que acumulam registros de violações ambientais nos Estados Unidos. Pelo menos três das 12 instalações contempladas por subsídios do Departamento de Energia foram citadas, na última década, por descumprimentos relacionados à Lei do Ar Limpo, à Lei da Água Limpa ou a ambas.
As usinas identificadas são Cumberland Fossil Plant, no Tennessee, Grand River Energy Center, em Oklahoma, e Roxboro Steam Electric Plant, na Carolina do Norte. Juntas, elas receberão mais de US$ 100 milhões em verbas federais destinadas à modernização de equipamentos, à manutenção da geração elétrica e à extensão de sua vida operacional.
A política integra uma iniciativa da administração Trump para manter antigas instalações movidas a carvão em funcionamento. O governo sustenta que os investimentos são necessários para reforçar a confiabilidade da rede elétrica, atender períodos de maior demanda e preservar estruturas consideradas essenciais para a geração de energia.
Usina do Tennessee teve fechamento suspenso
A Cumberland Fossil Plant, operada pela Tennessee Valley Authority, havia sido incluída em um plano de encerramento gradual. As duas unidades da instalação deveriam ser desativadas em 2026 e 2028, após anos de problemas ambientais, falhas em equipamentos e preocupações relacionadas à saúde da população.
A usina participou de um acordo judicial bilionário em 2011, depois que a TVA deixou de instalar tecnologias de controle de poluição previstas anteriormente. Reguladores também registraram violações relacionadas à qualidade do ar em 2017 e 2023.
A decisão de fechar Cumberland foi revista depois que quatro integrantes do conselho da TVA foram substituídos durante o governo Trump. Em fevereiro, a agência abandonou o plano de aposentadoria das unidades. Posteriormente, o governo federal anunciou US$ 46 milhões para prolongar o funcionamento da instalação.
Scott Fiedler, porta-voz da TVA, afirmou que o aumento da demanda por eletricidade e as mudanças no ambiente regulatório levaram à revisão da decisão. Segundo ele, a empresa considera avaliações ambientais, condições operacionais, confiabilidade do sistema e cumprimento das normas ao definir seus investimentos.
Documentos internos obtidos pelo Southern Environmental Law Center indicaram que manter Cumberland dentro dos padrões regulatórios atuais poderia exigir US$ 738 milhões. O valor é mais de seis vezes superior ao projeto relacionado no anúncio do subsídio federal.
Moradores e especialistas apontam riscos à saúde
Angie Mummaw, organizadora da entidade ambiental Appalachian Voices e moradora de uma área localizada a cerca de 13 quilômetros da usina, classificou o financiamento como um retrocesso. Segundo ela, os investimentos deveriam priorizar tecnologias limpas e a redução da dependência dos combustíveis fósseis.
Mummaw relatou que moradores observam resíduos escuros acumulados sobre veículos e casas nas proximidades da instalação. De acordo com ela, a fuligem estaria relacionada às emissões liberadas pelas chaminés.
Pesquisas científicas já associaram a poluição atmosférica produzida por usinas de carvão ao aumento de mortes prematuras. Um estudo citado no material analisado estimou que partículas tóxicas emitidas apenas por Cumberland contribuíram para cerca de mil mortes entre 1999 e 2020, com efeitos registrados em regiões localizadas a centenas de quilômetros da instalação.
Maggie Shober, diretora de pesquisa da Southern Alliance for Clean Energy, afirmou que a retirada de usinas de carvão é uma das principais medidas para reduzir a poluição, as mudanças climáticas e os danos à saúde. Para ela, ampliar o tempo de operação dessas instalações tende a intensificar os efeitos climáticos no longo prazo.
O Departamento de Energia não respondeu especificamente às perguntas sobre o histórico de infrações das três usinas. Em nota, um porta-voz declarou que os investimentos pretendem manter a geração considerada confiável, fortalecer a resistência da rede e assegurar energia para infraestruturas críticas em períodos de alta demanda ou de condições meteorológicas severas.
Instalações em Oklahoma e Carolina do Norte também receberão recursos
O Grand River Energy Center receberá US$ 28,5 milhões para um projeto avaliado em US$ 76,5 milhões. Em abril, autoridades de Oklahoma propuseram multa de US$ 8,1 mil contra a operadora por não realizar testes de material particulado.
A instalação recebeu cinco notificações por violações relacionadas à poluição atmosférica entre 2017 e 2021. Nos últimos três anos, também ultrapassou limites de poluentes presentes em águas residuais em diferentes ocasiões.
Dirigentes da Grand River Dam Authority haviam afirmado, três anos antes, que a usina era financeiramente arriscada e não poderia ser segurada. Na ocasião, a intenção era substituí-la por fontes renováveis e gás natural. Com o financiamento federal e outros US$ 48 milhões previstos para melhorias, a unidade deverá permanecer em operação por mais alguns anos.
A Roxboro Steam Electric Plant, operada pela Duke Energy, receberá US$ 28,4 milhões para um projeto de US$ 72,7 milhões. Reguladores da Carolina do Norte notificaram a empresa seis vezes nos últimos dez anos, principalmente por falhas no envio de informações sobre testes de poluição ou por excesso de contaminantes em efluentes.
Em 2019, um acordo entre o estado, entidades ambientais e a Duke Energy determinou a retirada de mais de 80 milhões de toneladas de cinzas de carvão após vazamentos que contaminaram águas subterrâneas dentro da propriedade. A cinza resultante da queima do carvão pode conter substâncias prejudiciais, como arsênio e chumbo.
A empresa afirma que opera Roxboro em conformidade com as licenças estaduais e federais. A Duke Energy também informou que mantém o plano de desativar as unidades de carvão até 2034 e que o subsídio será utilizado para garantir confiabilidade e controlar custos durante a transição.
Política energética amplia debate sobre fiscalização ambiental
Especialistas e organizações ambientais avaliam que a distribuição de recursos a instalações com registros repetidos de irregularidades ocorre em um contexto de enfraquecimento de normas climáticas e de flexibilização da fiscalização ambiental.
Courtney Bernhardt, diretora de pesquisa do Environmental Integrity Project, afirmou que a política demonstra pouca atenção à situação regulatória das usinas beneficiadas. Para ela, a concessão dos subsídios coincide com tentativas de reduzir exigências aplicadas ao setor de energia.
Christopher Sellers, professor de história ambiental da Universidade Stony Brook, afirmou que infrações recorrentes podem indicar problemas estruturais. Segundo ele, esses registros mostram que determinadas questões de saúde e controle da poluição continuam sem solução em instalações antigas.
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A manutenção das usinas evidencia o conflito entre a estratégia do governo de preservar a geração a carvão e os alertas de pesquisadores sobre custos ambientais e sanitários. Enquanto autoridades defendem a medida como necessária para a segurança energética, moradores e especialistas temem que os investimentos prolonguem a exposição de comunidades a fontes conhecidas de poluição.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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