Salome Mikadze-Struk manteve uma startup de desenvolvimento de software enquanto cursava a graduação, enfrentou a pandemia e a invasão da Ucrânia e agora usa essa trajetória para aconselhar empreendedores e discutir o impacto da inteligência artificial no setor. A história agrupa experiências pessoais — filha de refugiados do conflito da Abkhazia — com decisões empresariais que mantiveram a empresa ativa em crises, tornando-a voz sobre resiliência na tecnologia. Da formação ao interesse por tecnologia
Filha de pais que saíram da Abkhazia no começo dos anos 1990, Mikadze-Struk cresceu em Kyiv em um ambiente que valorizava a educação como caminho para a mobilidade social. A família, que segundo ela deixou para trás casas hoje reduzidas a escombros, estimulou participação em programas de iniciação científica, como a Junior Academy of Sciences da Ucrânia. Aos 14 anos, participou do programa Ukraine Global Scholars, que a ajudou a obter bolsa integral na Emma Willard School, internato feminino em Troy, Nova York. De volta aos estudos, venceu uma competição de startups com um projeto de dispositivo médico na escola — experiência que a aproximou do empreendedorismo. Em 2018 ingressou na Georgetown University para estudar administração de empresas; fora das salas começou a se inserir no ecossistema de tecnologia da Ucrânia, onde conheceu Nor Newman, com quem fundaria a Movadex. Criando a Movadex no auge da pandemia
No verão anterior à faculdade, Mikadze-Struk e Newman identificaram uma lacuna: ideias de startups sem suporte técnico e estudantes de engenharia sem oportunidades práticas. Eles apostaram em um modelo que unia oferta de talento a desenvolvimento de produto. Em 2020, com a pandemia em curso, incorporaram a Movadex na Ucrânia. O contexto de isolamento social e migração em massa para serviços digitais ampliou a demanda por produtos e acelerou a procura por equipes capazes de transformar ideias em software. Desde o início, a Movadex buscou não só entregar código, mas colaborar na concepção de produto e no entendimento do usuário — uma abordagem que, segundo a fundadora, diferenciou a empresa no mercado. Gerir a empresa durante a invasão da Ucrânia
Enquanto cursava o último ano na Georgetown com aulas remotas, Mikadze-Struk teve de administrar a empresa à distância — estudando à noite e trabalhando durante o dia. Em 2022, com a invasão russa, sua rotina virou novamente de cabeça para baixo. Ela descreve o período como surreal: aulas assistidas de abrigos antiaéreos e a coordenação da evacuação de funcionários. No primeiro dia do ataque, a equipe orientou funcionários a se protegerem e avisou clientes sobre possíveis interrupções. Em seguida, concentrou esforços em ajudar colaboradores a se deslocarem para Lviv, onde a empresa mantinha sede. Pouco tempo depois, as operações foram retomadas. A Movadex também estabeleceu parceria com a ala sem fins lucrativos do Lviv IT Cluster para reassentar pessoas deslocadas do leste do país e oferecer vagas de trabalho. Essas medidas foram parte de uma estratégia que permitiu à empresa sobreviver em condições extremas e ajudaram a preservar empregos em meio ao conflito. Mikadze-Struk graduou-se ao final daquele ano, após concluir as pendências acadêmicas em meio à crise.
Em 2023, a empreendedora fez uma pausa no comando da Movadex para cursar um MBA em Stanford, programa que, conforme relata, concluiu este ano. Durante o período na Califórnia, envolveu-se como mentora e palestrante no universo de startups, compartilhando a experiência de liderar sob estresse e incerteza. Em 2024, tornou-se mãe. Agora, com o diploma de MBA em mãos, ela retorna a um papel mais ativo na Movadex, com planos de expansão para os Estados Unidos e de orientar clientes na adoção de soluções de inteligência artificial. Ela também mantém atividades de mentoria e participação pública em debates sobre empreendedorismo.
Mikadze-Struk, que é Senior Member do IEEE, avalia que a inteligência artificial está transformando modelos de negócios e democratizando o acesso à prototipagem e ao desenvolvimento de software. Em suas palavras, a tecnologia tornou “mind blowing” — expressão que usa para enfatizar o potencial de ampliação de acesso — e exige mudança de mentalidade por parte de profissionais juniores. Ela defende que engenheiros aprendam a trabalhar com IA como um copiloto da criação de software: “É preciso se apaixonar pela IA”, disse, argumentando que, à medida que ferramentas automatizam tarefas repetitivas de codificação, os profissionais deverão desenvolver competências de maior nível, como pensamento sistêmico e arquitetura de software. A capacidade de adaptação e resiliência, segundo ela, será crucial num cenário em rápida evolução: “É empolgante e também assustador, porque você não sabe o que o amanhã vai trazer”, afirmou. Relevância da trajetória e próximos passos
A experiência de Mikadze-Struk ilustra como crises podem moldar práticas de gestão e prioridades no setor tecnológico: além de soluções técnicas, empresas precisam incorporar formas de proteger equipes, manter operações e apoiar comunidades afetadas. Sua trajetória também coloca em foco a importância de formar profissionais preparados para mudanças aceleradas, incluindo a integração responsável de IA. Para acompanhar outras discussões sobre inovações e desafios na área, acesse a editoria de tecnologia do Jornal da Fronteira: https://jornaldafronteira.com.br/tecnologia/. A trajetória de Salome Mikadze-Struk reforça a noção de que resiliência organizacional e desenvolvimento de habilidades estratégicas são tão essenciais quanto a competência técnica para enfrentar crises e aproveitar transformações tecnológicas.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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