Uma ave considerada uma das mais raras da África voltou a ser registrada após mais de nove décadas sem avistamentos confirmados. A redescoberta da cotovia ferruginosa, espécie conhecida cientificamente como Calendulauda rufa, ocorreu durante uma expedição científica no Chade e chamou atenção de pesquisadores internacionais especializados em conservação e biodiversidade.
O reencontro aconteceu na região do Lago Fitri, no centro da África, durante estudos conduzidos por integrantes do projeto RESSOURCE+, grupo voltado ao monitoramento ambiental e à observação de aves em áreas pouco exploradas do continente africano.
Até então, o último registro confirmado da espécie datava de 1931. Desde então, a ausência de novos avistamentos fez com que a ave fosse tratada como uma das espécies mais misteriosas da região.
Expedição encontrou ave rara por acaso
Os pesquisadores franceses Pierre Defos du Rau e Julien Birard estavam realizando levantamentos sobre outras espécies de aves quando perceberam a presença de uma cotovia com características diferentes das normalmente encontradas na área.
Segundo os cientistas, a suspeita surgiu após observarem detalhes incomuns na plumagem e no comportamento do animal. A equipe, coordenada pelo pesquisador chadiano Idriss Dapsia, decidiu então registrar imagens da ave para análise posterior.
O primeiro contato foi rápido, mas suficiente para despertar atenção imediata dos especialistas. Pouco tempo depois, os pesquisadores retornaram ao local onde haviam avistado o pássaro e conseguiram novas fotografias em melhores condições.
As imagens foram enviadas para especialistas da BirdLife International, organização internacional dedicada à conservação de aves. Após análises comparativas com outras espécies de cotovias africanas, os pesquisadores confirmaram que se tratava realmente da rara Calendulauda rufa.
Espécie sem registros desde 1931
A cotovia ferruginosa habita áreas áridas de savana em regiões do Chade, Sudão e Níger. A dificuldade de acesso a esses territórios e a escassez de pesquisas contínuas em algumas áreas do centro-norte africano são apontadas como fatores que podem explicar o desaparecimento da espécie dos registros científicos por tanto tempo.
Sem observações confirmadas ao longo de quase 94 anos, não existiam sequer fotografias conhecidas de exemplares vivos da ave. O novo registro representa também o primeiro conjunto de imagens documentadas da espécie em ambiente natural.
Para os pesquisadores envolvidos na descoberta, o reaparecimento reforça os limites do monitoramento ambiental em regiões remotas do planeta, onde espécies extremamente raras podem permanecer invisíveis para a ciência durante décadas.
O que são as chamadas “espécies Lázaro”
A redescoberta da cotovia ferruginosa se enquadra em um fenômeno conhecido entre cientistas como “espécie Lázaro”. O termo é utilizado para definir animais considerados possivelmente extintos que reaparecem após longos períodos sem registros oficiais.
Casos semelhantes já ocorreram com mamíferos, anfíbios, peixes e aves em diferentes partes do mundo. Essas situações normalmente revelam tanto a dificuldade de monitoramento em áreas isoladas quanto a falta de informações completas sobre determinados ecossistemas.
Especialistas destacam que ausência de registros não significa necessariamente extinção definitiva. Em muitos casos, espécies raras conseguem sobreviver em regiões pouco exploradas ou de difícil acesso por décadas sem serem observadas.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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