O Zoológico de Newquay, situado na região da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, comunicou oficialmente a morte de dois animais que dividiam o mesmo recinto há anos: Johnson, uma capivara de nove anos, e Al Capone, uma anta brasileira de 20 anos. A instituição informou que ambos foram submetidos à eutanásia no mesmo dia, após avaliação clínica criteriosa da equipe veterinária, com o objetivo de preservar o bem-estar dos dois.
A decisão, segundo o zoo, foi motivada pelo agravamento de problemas de saúde relacionados à idade avançada dos animais. De acordo com nota divulgada nas redes sociais na última sexta-feira (20), a medida foi considerada a alternativa mais humanitária diante do quadro clínico progressivo e da forte ligação entre eles.
Johnson e Al Capone conviviam no espaço dedicado à fauna sul-americana do zoológico. Capivaras e antas são espécies conhecidas por comportamento tranquilo e sociável. Ao longo dos anos, os dois desenvolveram um vínculo próximo, algo observado diariamente pelos tratadores e profissionais responsáveis pelo manejo.
Em comunicado oficial, o zoológico declarou: “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Johnson, nossa capivara de nove anos, e de Al, nossa anta brasileira de 20 anos”. A instituição acrescentou que a decisão foi tomada após consultas detalhadas com veterinários e especialistas em bem-estar animal.
A escolha por realizar a eutanásia no mesmo dia levou em consideração não apenas o estado de saúde individual, mas também o impacto emocional que a perda de um poderia causar ao outro. Segundo os responsáveis, a intenção foi evitar que um dos animais enfrentasse o isolamento repentino após anos de convivência constante.
Um porta-voz do Newquay Zoo afirmou ao portal MailOnline que a despedida foi especialmente difícil para os funcionários que cuidavam deles diariamente. “Ambos eram membros muito queridos da nossa comunidade zoológica, e sua ausência será profundamente sentida por equipe e visitantes”, declarou. Ainda segundo o representante, apesar da dor envolvida, a medida foi considerada a mais gentil possível diante das circunstâncias.
Nos meses anteriores à decisão, Johnson e Al Capone vinham apresentando sinais de declínio progressivo. As condições de saúde impactavam diretamente a qualidade de vida dos dois, o que levou os veterinários a recomendarem a intervenção humanitária.
Johnson nasceu em 2016 no Chester Zoo e foi transferido para o Newquay Zoo em 2017. A capivara, espécie originária da América do Sul, é reconhecida como o maior roedor do mundo, podendo atingir até 65 quilos — peso semelhante ao de um adulto humano. Animal semiaquático, vive sempre próximo a rios, lagos e áreas alagadas, raramente se afastando de fontes de água.
Já Al Capone nasceu em 2005 e chegou à Inglaterra em 2014, após ser transferido do Zoológico de Gdańsk, na Polônia. A anta brasileira, também chamada de tapir, é considerada o maior mamífero terrestre do Brasil. Nativa da América do Sul, habita florestas densas e úmidas, mantendo forte relação com ambientes próximos a rios e lagoas.
Capivaras e antas compartilham características comportamentais semelhantes, como temperamento calmo e natureza social. Em ambientes controlados, como zoológicos, essas espécies podem desenvolver laços duradouros, especialmente quando convivem por longos períodos no mesmo espaço.
A prática da eutanásia em zoológicos segue protocolos rigorosos, sempre baseada em critérios de bem-estar animal e recomendação técnica especializada. Em casos de doenças crônicas, dor persistente ou perda significativa de qualidade de vida, a medida pode ser considerada como forma de evitar sofrimento prolongado.
A decisão do Newquay Zoo reacendeu debates sobre manejo de animais em cativeiro, envelhecimento de espécies e cuidados paliativos em zoológicos. Instituições modernas têm investido cada vez mais em acompanhamento veterinário constante, enriquecimento ambiental e monitoramento comportamental para garantir que os animais vivam com dignidade durante todo o ciclo de vida.
A despedida simultânea de Johnson e Al Capone marcou profundamente a equipe do zoológico. Para os visitantes frequentes, a dupla era presença constante e símbolo do espaço dedicado à fauna sul-americana.
Embora o anúncio tenha causado comoção, a instituição reforçou que a prioridade sempre foi o bem-estar dos animais. Segundo o zoo, a decisão foi tomada com responsabilidade, após análises detalhadas e ponderação cuidadosa sobre o impacto físico e emocional da separação.
A história de convivência entre a capivara e a anta brasileira evidencia não apenas a capacidade de interação entre espécies, mas também os desafios enfrentados por zoológicos no cuidado de animais idosos. Em meio à dor da despedida, permanece o compromisso declarado da instituição com práticas éticas e humanitárias no manejo da vida selvagem sob seus cuidados.

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