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Wi-Fi de hotel pode colocar seus dados em risco e transformar a viagem em um problema digital

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Viajar a trabalho ou a lazer quase sempre envolve a mesma necessidade básica: conexão com a internet. Em hotéis, o Wi-Fi gratuito costuma ser apresentado como um serviço essencial, facilitando chamadas, mensagens, e-mails e acesso a aplicativos sem consumir o pacote de dados móveis. Em muitos destinos, especialmente no exterior, essa rede é praticamente a única opção viável para manter contato com o mundo. O que poucos hóspedes percebem é que essa conveniência pode esconder riscos relevantes à segurança digital e à privacidade.

Especialistas em tecnologia e segurança da informação alertam que as redes Wi-Fi oferecidas por hotéis, em grande parte dos casos, operam com níveis mínimos de proteção. Isso ocorre tanto em pequenos estabelecimentos quanto em redes hoteleiras de grande porte, no Brasil e fora dele. Equipamentos desatualizados, configurações frágeis e falta de monitoramento adequado criam um ambiente favorável à atuação de criminosos digitais.

Em muitos hotéis, o acesso à rede sequer exige senha. Em outros, o usuário precisa apenas informar um número de quarto, sobrenome ou endereço de e-mail — medidas que passam uma falsa sensação de segurança. Na prática, essas barreiras são facilmente contornadas por pessoas com conhecimento técnico, permitindo que terceiros se conectem à mesma rede sem grandes dificuldades.

O perigo não é apenas hipotético. Quando vários dispositivos estão conectados a uma rede pouco protegida, hackers podem explorar vulnerabilidades para interceptar o tráfego de dados. Isso significa que informações transmitidas pela internet — como mensagens, fotos, logins, senhas e até dados bancários — podem ser capturadas sem que o usuário perceba qualquer sinal de invasão.

Além da interceptação de dados, outro risco comum é a instalação de softwares maliciosos. Um dispositivo conectado a uma rede comprometida pode ser infectado com vírus ou programas espiões capazes de registrar tudo o que o usuário digita, incluindo senhas e códigos de autenticação. Em alguns casos, o problema só é descoberto dias ou semanas depois, quando prejuízos financeiros ou acessos indevidos já ocorreram.

Um golpe bastante utilizado envolve a criação de redes falsas, conhecidas como “Wi-Fi gêmeo” ou “evil twin”. Criminosos configuram um ponto de acesso com um nome muito parecido com o da rede oficial do hotel. O hóspede, ao se conectar, acredita estar usando o Wi-Fi legítimo, quando na verdade está entregando seus dados diretamente ao golpista. Por isso, confirmar na recepção o nome exato da rede é uma medida simples, mas fundamental.

Quando não há alternativa ao uso do Wi-Fi do hotel, alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos. Manter celulares, tablets e notebooks atualizados, com antivírus ativo e sistema operacional em dia, é o primeiro passo. Atualizações corrigem falhas conhecidas e dificultam a ação de ataques automatizados.

Outro recurso altamente recomendado é o uso de uma VPN paga e confiável. A VPN cria um túnel criptografado entre o dispositivo e a internet, tornando os dados praticamente ilegíveis para quem tenta espioná-los na rede local. Serviços gratuitos, embora populares, costumam oferecer menos garantias de segurança e, em alguns casos, podem até coletar informações dos usuários.

Também é importante controlar o tipo de atividade realizada nessas redes públicas. Especialistas recomendam evitar o acesso a aplicativos bancários, plataformas de pagamento, compras online e sistemas corporativos. Entrar em redes sociais ou serviços de streaming já logado também representa risco, pois as credenciais podem ser capturadas. O ideal é restringir o uso do Wi-Fi do hotel a tarefas simples, como leitura de notícias, pesquisas gerais ou vídeos, sempre que possível sem login.

Outra medida preventiva é desativar o compartilhamento de arquivos e conexões automáticas no dispositivo. Muitos sistemas vêm configurados para se conectar automaticamente a redes conhecidas ou permitir acesso a pastas e impressoras, o que pode abrir brechas adicionais para invasões.

Vale lembrar que o aumento do trabalho remoto e das viagens corporativas tornou esses riscos ainda mais relevantes. Profissionais que acessam e-mails corporativos, documentos confidenciais e sistemas internos por redes públicas podem expor não apenas dados pessoais, mas informações estratégicas de empresas e instituições.

Em um cenário de conectividade permanente, a gratuidade do Wi-Fi pode ter um custo oculto. Um simples descuido durante uma viagem pode resultar em roubo de identidade, prejuízos financeiros ou vazamento de informações sensíveis. Por isso, adotar hábitos básicos de segurança digital deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

A internet facilita a vida do viajante, mas exige atenção redobrada. Com informação, prevenção e ferramentas adequadas, é possível aproveitar a comodidade da conexão sem transformar a viagem em dor de cabeça.

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