Túmulos de elite e estrada antiga emergem sob bairro moderno de Roma

Túmulos de elite e estrada antiga emergem sob bairro moderno de Roma

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Escavações realizadas no bairro de Pietralata, na zona nordeste de Roma, trouxeram à luz um conjunto arqueológico raro sob uma área urbana contemporânea. O achado reúne dois túmulos escavados na rocha, um segmento de estrada antiga ainda marcado por sulcos de rodas, estruturas associadas a um edifício de culto e grandes bacias de pedra. O material foi identificado durante ações de arqueologia preventiva vinculadas a um amplo programa de planejamento urbano que abrange cerca de quatro hectares da região.

A descoberta foi comunicada pela Superintendência Especial de Roma do Ministério da Cultura italiano, que destacou o valor do monitoramento arqueológico como instrumento para conciliar desenvolvimento urbano e preservação patrimonial. Para os técnicos, contextos como esse demonstram que áreas afastadas dos pontos turísticos mais conhecidos podem guardar capítulos decisivos da história da cidade.

Os túmulos datam do início do período republicano, entre os séculos IV e III a.C., e foram abertos em um talude abaixo da atual Via di Pietralata. No interior das câmaras funerárias, arqueólogos encontraram um sarcófago de tufo vulcânico e um conjunto de objetos, como vasos, jarras, um espelho e uma pequena taça. O conjunto de artefatos, aliado à monumentalidade das estruturas, indica que o espaço foi destinado a indivíduos de alto status social.

Em uma das sepulturas, os pesquisadores identificaram restos de um crânio masculino com sinais de perfuração cirúrgica, evidência rara que amplia o interesse científico do achado. O registro sugere práticas médicas complexas para a época e contribui para o entendimento das condições de vida e dos conhecimentos técnicos na Roma republicana.

Túmulos de elite e estrada antiga emergem sob bairro moderno de Roma
Foto: Divulgação/Superintendência Especial de Roma

Além do complexo funerário, foi identificado um trecho significativo de uma antiga via, com partes em terra batida e outras escavadas diretamente na rocha vulcânica. A estrada, segundo os especialistas, permaneceu em uso até o período imperial, quando recebeu adaptações em alvenaria nas bordas, antes de ser gradualmente abandonada. Os sulcos deixados por rodas de veículos ainda são visíveis, preservando marcas do trânsito de séculos passados.

Nas proximidades, as escavações revelaram estruturas que podem corresponder a um pequeno edifício de culto. Elementos encontrados no local sugerem a base de um altar possivelmente ligado ao culto de Hércules, divindade associada à proteção de viajantes e frequentemente venerada em rotas estratégicas de Roma, como a Via Tiburtina. Duas grandes bacias de pedra também foram localizadas e podem ter desempenhado função ritual.

A Via di Pietralata já era reconhecida por seu potencial arqueológico desde a década de 1970, quando escavações anteriores identificaram vestígios de assentamentos datados entre os séculos VIII e VI a.C., período da monarquia romana. O novo achado, no entanto, amplia a linha do tempo de ocupação e uso da área, evidenciando sua importância contínua durante a República.

Para a Superintendência, a descoberta reforça a tese de que os subúrbios modernos de Roma funcionam como verdadeiros repositórios de memória histórica. A análise do material encontrado deve contribuir para enriquecer a narrativa arqueológica da cidade, demonstrando que a expansão urbana contemporânea pode conviver com a valorização do patrimônio antigo.

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