Cerca de 8 milhões de brasileiros convivem com o transtorno bipolar, uma condição psiquiátrica caracterizada por alterações significativas de humor, energia e comportamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o transtorno está entre as principais causas de incapacidade no mundo, com impacto direto na qualidade de vida quando não há diagnóstico e tratamento adequados. A data de 30 de março, marcada como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doença.
Para esclarecer aspectos relacionados ao tema, o psiquiatra do Instituto Maria Modesto, Mateus Nóbrega, detalha características da condição, os sinais mais comuns e as formas de tratamento.
Ao explicar o que é o transtorno bipolar, o especialista informa que se trata de uma doença crônica, marcada por episódios distintos de depressão e mania. Segundo ele, “na fase depressiva, a pessoa pode apresentar tristeza profunda, desânimo, alterações no sono e perda de interesse por atividades. Já na fase maníaca, há aumento de energia, euforia, impulsividade, redução da necessidade de sono e, em alguns casos, comportamentos de risco”.
Sobre a diferença entre oscilações de humor comuns e o transtorno, o psiquiatra destaca que a intensidade e a duração dos episódios são fatores determinantes. Ele afirma que “não se trata apenas de ‘dias bons ou ruins’. Os episódios podem durar dias ou semanas e interferem no trabalho, nas relações sociais e na rotina, sendo muitas vezes desproporcionais aos acontecimentos do dia a dia”.
Em relação ao diagnóstico, o médico explica que não há exames laboratoriais específicos para identificar o transtorno bipolar. A avaliação é realizada de forma clínica, com base no histórico do paciente e nos sintomas apresentados. Conforme o especialista, “não existe um exame laboratorial específico para identificar o transtorno bipolar. A avaliação é feita com base no histórico do paciente, nos sintomas apresentados e, quando possível, com o apoio de familiares”. Ele também ressalta que o diagnóstico deve ser feito por médico, preferencialmente psiquiatra, enquanto psicólogos atuam no acompanhamento terapêutico.
Quanto ao tratamento, o psiquiatra informa que o controle da doença envolve, em geral, o uso de medicamentos estabilizadores de humor, associados à psicoterapia. Ele ressalta que “com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida ao paciente. A adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são fundamentais para evitar recaídas”.
O acompanhamento especializado é considerado essencial para garantir o diagnóstico correto e a condução adequada do tratamento. A orientação médica contínua contribui para a estabilidade dos sintomas e para a manutenção da rotina do paciente, reduzindo impactos sociais e profissionais associados à condição.

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