A passagem da tempestade Kristin pela Península Ibérica deixou um rastro de destruição durante a madrugada desta quarta-feira (28). Em Portugal, ao menos cinco pessoas morreram em decorrência dos efeitos do temporal, que registrou rajadas de vento de até 150 km/h, chuvas volumosas, quedas de árvores, deslizamentos de terra e um amplo apagão que atingiu cerca de 850 mil residências, principalmente na região de Lisboa e no centro do país.
De acordo com a Proteção Civil portuguesa, os serviços de emergência atenderam aproximadamente 1.500 ocorrências entre a meia-noite e as 8h da manhã no horário local. As demandas envolveram desde resgates em áreas alagadas até a remoção de obstáculos em rodovias e atendimentos relacionados a estruturas comprometidas pelo vento.
Uma das mortes foi registrada em Vila Franca de Xira, na região metropolitana de Lisboa, quando uma árvore arrancada pela força do vento caiu sobre um veículo. As outras quatro vítimas fatais foram confirmadas no distrito de Leiria, no centro de Portugal. Em Monte Real, uma pessoa morreu após ser atingida pela queda de uma estrutura metálica que não resistiu às rajadas.
Além das perdas humanas, os danos à infraestrutura foram significativos. Diversas estradas permaneceram interditadas ou parcialmente bloqueadas ao longo da manhã, incluindo trechos da principal rodovia que liga Lisboa ao norte do país. O sistema ferroviário também apresentou interrupções em várias regiões, comprometendo deslocamentos e o transporte de passageiros.
O impacto do fenômeno levou municípios a suspenderem aulas como medida preventiva. Em Figueira da Foz, no litoral da região central, a força do vento derrubou uma roda-gigante instalada em área urbana, evidenciando a intensidade das rajadas registradas durante a madrugada.
A falta de energia elétrica afetou centenas de milhares de consumidores, exigindo mobilização das companhias de fornecimento para restabelecer o serviço gradativamente. Equipes técnicas foram deslocadas para pontos críticos, onde postes foram derrubados e cabos rompidos.
Após atingir Portugal com força, a tempestade seguiu seu deslocamento em direção ao leste e alcançou a Espanha ainda na manhã desta quarta-feira. Na capital Madri, o sistema climático provocou fortes nevascas, alterando completamente o cenário urbano e gerando alerta máximo por parte das autoridades.
Segundo a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (AEMET), mais de 160 estradas foram afetadas pela neve, dificultando a circulação de veículos e exigindo ações emergenciais de limpeza e bloqueio preventivo de vias. O órgão também advertiu que diversas regiões espanholas poderiam enfrentar ventos extremamente fortes, com rajadas classificadas como equivalentes à força de um furacão.
Diante do avanço do fenômeno, autoridades espanholas orientaram a população a evitar deslocamentos desnecessários e a redobrar a atenção, especialmente em áreas sujeitas a acúmulo de neve e ventos intensos.
A tempestade Kristin evidencia a força dos eventos climáticos extremos que têm atingido a Europa com maior frequência e intensidade, impactando diretamente a vida da população, os serviços públicos e a infraestrutura de transporte e energia.



