Tabuleiro medieval encontrado em banho público pode ser o mais antigo do tipo no Norte da África

Tabuleiro medieval encontrado em banho público pode ser o mais antigo do tipo no Norte da África

Um conjunto de pequenos orifícios esculpidos em um degrau de pedra foi identificado como um possível tabuleiro de jogo medieval em Walīla, no Marrocos. O local corresponde à ocupação islâmica da antiga cidade romana de Volubilis.

O objeto está no degrau superior de acesso a uma pequena piscina de água fria de um hammam, nome dado às casas de banho públicas do mundo islâmico. A estrutura teria sido construída entre o fim do século VIII e o século IX e abandonada entre os séculos X e XI.

O tabuleiro mede aproximadamente 34 centímetros de comprimento por 9,5 centímetros de largura. Sua parte principal apresenta três fileiras com pelo menos 13 cavidades rasas, esculpidas diretamente na pedra.

De acordo com o estudo publicado na revista científica Libyan Studies, o formato indica que o espaço provavelmente era utilizado para jogar tāb ou sīg. Nesse jogo, dois participantes movimentavam peças pelo tabuleiro com o objetivo de capturar ou eliminar as peças adversárias.

A interpretação ainda não é definitiva. Os pesquisadores analisaram a possibilidade de o objeto ter sido usado para uma variação da mancala, mas consideraram essa hipótese menos provável porque os orifícios são menores, mais rasos e estão distribuídos de maneira diferente.

Tabuleiro medieval encontrado em banho público pode ser o mais antigo do tipo no Norte da África
Foto: Projeto Arqueológico INSAP-UCL Volubilis

Caso a identificação como tāb ou sīg seja confirmada, o tabuleiro será a evidência mais antiga conhecida desse jogo no Norte da África. Exemplares semelhantes já haviam sido registrados na Península Arábica, no Oriente Médio e em Portugal.

A localização dentro do hammam também oferece informações sobre a rotina do período. O tabuleiro ficava em uma área visível e com espaço para que duas pessoas se sentassem frente a frente, enquanto outros usuários ainda poderiam entrar na piscina.

Para os pesquisadores, essa posição sugere que o jogo fazia parte das atividades comuns realizadas no banho público. Além de locais destinados à higiene, os hammams funcionavam como espaços de convivência, descanso e interação social.

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