O que explica o surgimento de grupo Neonazistas no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado uma preocupante expansão de células neonazistas.

Recentemente, um grande portal realizou uma matéria com foco no estado de Santa Catarina.

Este estado, conhecido por sua diversidade cultural e econômica, tem sido o epicentro de um ressurgimento de ideologias extremistas, muitas vezes enraizadas na glorificação do regime nazista.

Santa Catarina é um estado que abriga uma rica tapeçaria cultural, com uma forte presença de descendentes de europeus, especialmente alemães e italianos. Embora essas influências culturais tenham contribuído para a formação da identidade catarinense, também é importante considerar os efeitos socioeconômicos que moldam a região.

A desigualdade econômica, o desemprego e a falta de oportunidades em algumas áreas específicas do estado têm criado um terreno fértil para o recrutamento por grupos extremistas. Os jovens, em particular, muitas vezes encontram-se desencantados com as perspectivas de futuro, tornando-se vulneráveis à propaganda de ódio e à busca de identidade em ideologias radicais.

Aumento da atividade Neonazista

Nos últimos anos, têm surgido relatos cada vez mais frequentes de atividades neonazistas em Santa Catarina. Grupos organizados têm se dedicado à disseminação de ideias e práticas associadas ao nazismo, incluindo a celebração de figuras históricas ligadas ao regime de Adolf Hitler e a propagação de discursos de ódio contra minorias étnicas, imigrantes e grupos religiosos.

A facilidade de comunicação proporcionada pelas redes sociais e a disseminação de conteúdo extremista online têm desempenhado um papel significativo na ampliação do alcance desses grupos. Isso cria uma preocupação adicional, pois permite que ideias perigosas se espalhem rapidamente, alcançando um público mais amplo e influenciável.

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Foto: (Bruno Algarve/Superinteressante)

Casos de crimes Neonazistas

A preocupação com a presença neonazista em Santa Catarina é ainda mais agravada pelos casos recentes de crimes relacionados a esses grupos. Em 2023, as autoridades locais descobriram uma série de ataques perpetrados por indivíduos associados a células neonazistas. Entre os crimes mais chocantes estão:

Ataques a minorias étnicas: Vários ataques violentos contra imigrantes e minorias étnicas foram registrados em diferentes partes do estado. Esses ataques, muitas vezes motivados por preconceitos raciais.

Propagação de propaganda de ódio: Grupos neonazistas têm sido responsáveis pela distribuição de panfletos e adesivos contendo mensagens de ódio e intolerância.

Atividades criminosas online: Além das atividades offline, células neonazistas também têm se engajado em atividades criminosas online, incluindo o cyberbullying, a disseminação de teorias da conspiração e até mesmo a incitação à violência através de fóruns e redes sociais.

Diante dessas ameaças, as autoridades locais têm intensificado seus esforços para combater o extremismo neonazista em Santa Catarina. Medidas como o monitoramento de grupos suspeitos, a investigação de crimes de ódio e a educação pública sobre os perigos do extremismo têm sido implementadas para conter a disseminação dessas ideologias.

Casos registrados em 2023

No ano passado o Ministério Público de Santa Catarina abriu uma investigação criminal sobre a presença de fotos com símbolos nazistas no prédio da Secretaria Municipal de Educação de Dona Emma. O objetivo é apurar se houve prática de crime previsto na Lei de Racismo (Lei 7.716/89), que estipula como ilegal veicular “símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica”.

Os casos também estão sendo acompanhados pelo Núcleo de Enfrentamento aos Crimes de Racismo e de Intolerância (NECRIM) do Ministério Público de Santa Catarina, criado em 2020 com o objetivo de dar suporte técnico e operacional às Promotorias de Justiça que apuram casos de crimes de intolerância, crimes de ódio ou ameaças motivadas por questões de raça, gênero, ideologia e religião.

Ações de combate

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Foto: Brasil de Fato

Também em 2023, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina, um professor da rede pública estadual investigado por disseminar discurso de ideologia nazista em sala de aula no Município de Imbituba. Ele afastado das funções públicas temporariamente. O pedido foi feito após, ter circulado nas redes sociais e na imprensa um vídeo supostamente atual no qual o investigado diz ter “uma admiração muito grande pelo Hitler” e, instigado pelos alunos a manifestar se concordaria com o que Adolf Hitler fez, respondeu: “Sim, claro”.

Além disso, a sociedade civil tem desempenhado um papel crucial na denúncia e no repúdio a essas práticas. Organizações não governamentais, grupos de direitos humanos e comunidades afetadas têm se unido para promover a tolerância, a inclusão e a solidariedade como antídotos contra o veneno do neonazismo.

O crescimento das células neonazistas em Santa Catarina representa uma séria ameaça à paz, à segurança e à coesão social do estado.

À medida que esses grupos continuam a se infiltrar na sociedade, é imperativo que as autoridades e a sociedade como um todo ajam de forma decisiva para combatê-los. Somente através do trabalho conjunto e do compromisso com os valores democráticos e humanitários podemos esperar erradicar essa perniciosa ideologia e proteger as comunidades vulneráveis de seus efeitos devastadores.


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