A morte de um streamer durante uma transmissão ao vivo chocou a Espanha e reacendeu o debate sobre os limites dos desafios online. Sergio Jiménez, de 37 anos, foi encontrado sem vida na madrugada do dia 31, em sua casa em Vilanova i la Geltrú, na região de Barcelona, enquanto sua câmera permanecia ligada e a live seguia sendo acompanhada por assinantes.
O corpo foi localizado pelo irmão, Daniel Jiménez, no quarto onde Sergio dormia. Segundo relatos publicados pela imprensa espanhola, ele estava ajoelhado ao lado da cama, com a cabeça apoiada no colchão, imóvel e já com sinais de rigidez corporal. O celular ainda permanecia em sua mão, e o computador continuava transmitindo ao vivo, sem que a transmissão tivesse sido encerrada.
A mãe, Teresa, foi a primeira a estranhar a situação. Durante a madrugada, ao levantar para ir ao banheiro, percebeu que a porta do quarto do filho estava entreaberta. Chamou por ele, não obteve resposta e, ao tentar entrar, encontrou obstáculos no chão que impediam a passagem. Da porta, conseguiu ver o filho ajoelhado, em uma posição que inicialmente pareceu incomum.
No interior do quarto, segundo a família, havia uma garrafa de uísque quase vazia, diversas latas de bebidas energéticas e uma quantidade significativa de cocaína disposta sobre uma superfície. Enquanto isso, a transmissão seguia ativa, com comentários de espectadores surgindo na tela, sem que muitos percebessem a gravidade da situação.
Daniel acionou os serviços de emergência, mas, ao tocar no irmão, notou que o corpo estava frio. Os socorristas confirmaram o óbito e comunicaram que o caso deveria ser encaminhado à polícia para investigação.
As autoridades agora apuram se a morte está diretamente ligada a um desafio proposto por assinantes da transmissão. A principal hipótese é que Sergio tenha aceitado consumir uma garrafa de uísque e cerca de seis gramas de cocaína em poucas horas, em troca de dinheiro, tudo transmitido ao vivo.
A família afirma que tinha conhecimento de que Sergio enfrentava problemas com dependência química e fazia acompanhamento psiquiátrico. Também sabiam que ele participava de desafios online, embora não imaginassem a dimensão do risco envolvido. Horas antes da tragédia, a mãe chegou a questionar o filho sobre a presença da bebida em casa e o alertou sobre a incompatibilidade do álcool com os medicamentos que ele utilizava.
Durante o velório, amigos mencionaram a influência de outro criador de conteúdo, conhecido por realizar desafios extremos e humilhantes na internet. Segundo relatos, esse tipo de prática teria servido de inspiração para Sergio produzir conteúdos semelhantes, em busca de engajamento e retorno financeiro.
O caso reacende discussões sobre a chamada “mendicância digital”, fenômeno em que pessoas em situação de vulnerabilidade se expõem a riscos físicos e psicológicos em transmissões ao vivo, incentivadas por doações e desafios propostos pelo público.
Episódios semelhantes já haviam sido registrados na Europa. No verão de 2025, um streamer francês morreu enquanto dormia durante uma live prolongada, após dias de transmissão contínua marcada por privações e situações degradantes. Agora, com mais uma morte sob investigação, autoridades e especialistas voltam a alertar para a necessidade de maior controle, responsabilidade das plataformas e proteção à saúde mental de criadores de conteúdo.
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