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Sinestesia: quando o cérebro mistura os sentidos e transforma sons em cores, letras em sabores e números em formas

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Para a maioria das pessoas, os sentidos funcionam de forma independente. O que se vê não interfere no que se ouve, e o que se sente pelo tato não altera o paladar. Essa organização é tão natural que raramente é questionada. No entanto, para uma parcela pequena da população, essa separação não existe. Sons podem ter cores definidas, palavras podem provocar sabores específicos e números podem ocupar posições fixas no espaço.

Esse fenômeno, conhecido como sinestesia, não é uma metáfora, nem fruto da imaginação. Trata-se de uma condição neurológica real, estudada pela ciência há mais de um século, que provoca conexões incomuns entre áreas sensoriais do cérebro. Para quem vive essa experiência, as associações acontecem de forma automática, involuntária e constante ao longo da vida.

O que é sinestesia do ponto de vista científico

A palavra sinestesia tem origem no grego e significa “sensações juntas”. O termo descreve com precisão o que ocorre no cérebro sinestésico: a ativação simultânea de diferentes sentidos a partir de um único estímulo.

Isso significa que ouvir um som pode acionar, ao mesmo tempo, a percepção visual. Ler uma palavra pode provocar uma sensação gustativa. Observar um número pode gerar a percepção de uma cor específica.

A característica mais importante da sinestesia é a constância. As associações não mudam com o tempo e não dependem do humor ou da imaginação. Elas são estáveis e fazem parte da forma como o cérebro organiza a informação.

Os tipos mais conhecidos de sinestesia

Existem diversas variações documentadas, mas algumas são mais comuns. A sinestesia grafema-cor é uma das mais frequentes, em que letras e números possuem cores próprias. Para o sinestésico, a letra A pode ser sempre vermelha, o número 3 pode ser verde, e isso nunca se altera.

Outro tipo recorrente é a sinestesia som-cor, em que músicas, ruídos ou vozes provocam a visualização de cores, formas ou movimentos. Há também a sinestesia léxico-gustativa, na qual palavras específicas possuem sabores definidos.

Algumas pessoas ainda relatam a chamada sinestesia espacial, em que datas, números e sequências ocupam posições fixas ao redor do corpo, como se estivessem organizados em um mapa invisível.

Como a neurologia explica o fenômeno

Pesquisas com exames de neuroimagem indicam que pessoas sinestésicas apresentam maior conectividade entre áreas sensoriais do cérebro. Regiões responsáveis pela visão, audição, paladar e tato apresentam ligações mais intensas do que o habitual.

Uma das hipóteses mais aceitas é que, durante o desenvolvimento cerebral na infância, parte dessas conexões não é eliminada, como normalmente ocorre. O resultado é um cérebro que mantém pontes permanentes entre sentidos diferentes.

A sinestesia não é considerada doença nem transtorno. Trata-se de uma variação neurológica natural, que não causa prejuízos à saúde.

Descubra o que é sinestesia, como ela funciona no cérebro e por que algumas pessoas enxergam sons, sentem gostos nas palavras e veem cores nos números.

A relação da sinestesia com a arte e a criatividade

Diversos artistas relataram experiências sinestésicas ao longo da história. O compositor russo Alexander Scriabin afirmava enxergar cores nas notas musicais. O pintor Wassily Kandinsky associava sons a formas e cores, influenciando diretamente sua produção artística.

Na música contemporânea, artistas como Pharrell Williams e Billie Eilish também mencionaram perceber sons como cores. Para muitos, a condição contribui para processos criativos e para formas diferenciadas de percepção estética.

Como é a rotina de quem possui sinestesia

Para quem vive com sinestesia, as associações fazem parte da normalidade. Muitas pessoas só percebem que possuem essa característica ao descobrir que outras não compartilham da mesma experiência.

A condição pode facilitar a memorização, a organização mental e a criatividade, já que as informações são registradas por múltiplas vias sensoriais.

A sinestesia desde a infância

Estudos indicam que a sinestesia surge ainda na infância e acompanha a pessoa por toda a vida. Crianças sinestésicas frequentemente descrevem cores em letras e números antes mesmo de aprenderem a ler completamente.

Por falta de conhecimento sobre o fenômeno, esses relatos muitas vezes são interpretados como imaginação infantil.

Conclusão — Uma forma diferente de perceber a realidade

A sinestesia demonstra que a percepção humana pode funcionar de maneiras muito mais amplas do que se imagina. Ela revela que os sentidos não precisam atuar de forma isolada e que o cérebro é capaz de criar conexões inesperadas entre sons, cores, sabores e formas.

Para a ciência, o fenômeno é uma oportunidade de compreender melhor o funcionamento cerebral. Para quem possui a condição, é apenas a forma natural de perceber o mundo.

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