Síndrome do coração partido: como emoções intensas podem afetar o coração e imitar um infarto

Síndrome do coração partido: como emoções intensas podem afetar o coração e imitar um infarto

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Sentir uma dor no peito após uma perda dolorosa pode parecer apenas figura de linguagem. No entanto, a ciência confirma que emoções intensas podem, de fato, impactar o funcionamento do coração. Existe uma condição chamada Cardiomiopatia de Takotsubo, popularmente conhecida como síndrome do coração partido, que pode surgir após eventos de forte abalo emocional.

Perdas familiares, términos traumáticos, choques psicológicos ou situações de estresse extremo podem desencadear alterações temporárias no músculo cardíaco. Embora o nome soe poético, trata-se de um quadro clínico real, reconhecido pela medicina e descrito na literatura científica há décadas.

O que é a cardiomiopatia de Takotsubo

A síndrome do coração partido é uma forma de cardiomiopatia induzida por estresse. O termo “Takotsubo” tem origem japonesa e faz referência ao formato que o coração pode assumir durante o episódio — semelhante a uma armadilha usada para capturar polvos no Japão.

Nessas situações, o organismo libera grandes quantidades de hormônios do estresse, especialmente adrenalina. Esse excesso pode provocar um enfraquecimento temporário do músculo cardíaco, alterando a forma como o coração bombeia o sangue. O resultado é uma disfunção súbita que, muitas vezes, imita um infarto agudo do miocárdio.

Apesar da semelhança nos sintomas, a síndrome do coração partido não envolve obstrução das artérias coronárias, como ocorre no infarto tradicional.

Síndrome do coração partido: como emoções intensas podem afetar o coração e imitar um infarto

Sintomas semelhantes aos de infarto

Um dos aspectos que mais chama atenção na cardiomiopatia de Takotsubo é a apresentação clínica. Os sintomas são muito parecidos com os de um ataque cardíaco e incluem dor no peito, sensação de pressão torácica, falta de ar e palpitações.

Em muitos casos, o quadro leva a pessoa diretamente ao pronto atendimento, já que a diferenciação só pode ser feita por meio de exames específicos, como eletrocardiograma, exames de sangue e cateterismo.

Essa semelhança reforça a importância de não subestimar sinais cardiovasculares, especialmente após eventos emocionalmente impactantes.

Quem está mais vulnerável

Embora seja considerada uma condição rara, a síndrome do coração partido é mais frequentemente observada em mulheres, especialmente após a menopausa. Acredita-se que fatores hormonais possam influenciar essa maior predisposição.

Pessoas com histórico de doenças cardiovasculares ou com maior vulnerabilidade emocional também podem apresentar risco aumentado. Ainda assim, a condição pode atingir indivíduos previamente saudáveis.

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Recuperação e prognóstico

Apesar do susto inicial, a boa notícia é que a maioria dos pacientes se recupera completamente em dias ou semanas. Como se trata de uma disfunção temporária, o músculo cardíaco tende a retomar sua função normal com o acompanhamento adequado.

Entretanto, em casos mais raros, podem ocorrer complicações como insuficiência cardíaca ou arritmias. Por isso, o diagnóstico precoce e o monitoramento médico são fundamentais.

A síndrome do coração partido reforça uma verdade muitas vezes negligenciada: emoções intensas não se limitam à esfera psicológica. O corpo responde ao que a mente vivencia.

O coração não se “parte” fisicamente, mas pode, sim, sofrer impactos significativos diante de situações de extremo estresse. A conexão entre mente e organismo é profunda, complexa e cientificamente comprovada. Cuidar da saúde emocional, portanto, é também uma forma de proteger a saúde cardiovascular.

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