Síndrome de pica: o distúrbio alimentar que leva à ingestão de objetos e substâncias não comestíveis

Síndrome de pica: o distúrbio alimentar que leva à ingestão de objetos e substâncias não comestíveis

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Comer papel, terra, giz, sabão, carvão ou até pedaços de tijolo pode parecer impensável para a maioria das pessoas. No entanto, para quem convive com a chamada síndrome de pica — também conhecida como alotriofagia — esse comportamento pode se tornar recorrente e difícil de controlar. O transtorno é classificado como um distúrbio alimentar e envolve o consumo persistente de substâncias não nutritivas por pelo menos um mês.

O nome popular faz referência ao pássaro pega-rabuda (Pica pica), conhecido por ingerir diferentes tipos de objetos. No campo da psiquiatria, o quadro está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como uma condição que pode comprometer a saúde física e afetar a vida social e emocional do indivíduo.

O que caracteriza a síndrome de pica

A principal característica é a ingestão repetida de materiais que não são considerados alimentos. Entre os itens mais relatados estão terra, argila, gelo, pó de talco, tinta, cabelo, barbante, papel, pedras, metal e carvão. Em alguns casos, alimentos comuns passam a ser consumidos de maneira compulsiva e isolada, como grandes quantidades de amido ou farinha.

O comportamento precisa ultrapassar a fase esperada do desenvolvimento infantil — já que crianças pequenas costumam levar objetos à boca — e persistir além dos dois anos de idade para ser considerado transtorno.

Síndrome de pica: o distúrbio alimentar que leva à ingestão de objetos e substâncias não comestíveis

Possíveis causas e fatores associados

A síndrome de pica costuma estar associada a deficiências nutricionais, especialmente de ferro e zinco. Em mulheres grávidas, por exemplo, o aumento da demanda por nutrientes pode estar relacionado ao surgimento do comportamento. Ainda assim, especialistas apontam que fatores emocionais e psicológicos também exercem influência.

O transtorno pode aparecer em pessoas com autismo, esquizofrenia, deficiência intelectual ou em quadros de ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo. Fragilidade emocional e falta de suporte adequado também são apontadas como fatores de risco.

Em alguns relatos clínicos, pacientes relatam desejo intenso por determinados materiais durante períodos de estresse ou alterações hormonais. Há casos em que o comportamento desaparece após a correção da deficiência nutricional.

Riscos à saúde

A ingestão de substâncias não alimentares pode provocar intoxicações, obstruções intestinais, perfurações no trato digestivo e danos aos dentes e ao esôfago. Materiais tóxicos, como tinta ou metais pesados, podem causar envenenamento, enquanto objetos sólidos podem gerar lesões graves.

Além disso, o consumo frequente desses materiais pode comprometer ainda mais a absorção de nutrientes, criando um ciclo em que a deficiência alimentar tanto provoca quanto agrava o transtorno.

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Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é clínico e feito por profissionais de saúde mental, geralmente psiquiatras e psicólogos. É necessário avaliar a frequência do comportamento e descartar causas médicas associadas. Exames laboratoriais costumam ser solicitados para identificar possíveis carências nutricionais.

Não existe um protocolo único de tratamento. A abordagem costuma ser individualizada e pode envolver correção de deficiência de ferro ou zinco, acompanhamento psicológico e, quando necessário, uso de medicamentos — especialmente se houver outro transtorno psiquiátrico associado.

A psicoterapia desempenha papel central no processo, ajudando o paciente a compreender gatilhos emocionais e desenvolver estratégias de controle do impulso.

Muitas pessoas com síndrome de pica sentem vergonha de relatar o comportamento, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar os riscos. Especialistas reforçam que a condição é tratável e que a busca por atendimento médico é fundamental para evitar complicações.

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