Colheita de milho no Paraná supera 90% e bate recorde, enquanto soja e culturas de inverno enfrentam desafios
Recentemente, o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), anunciou a Previsão Subjetiva de Safra (PSS).
A primeira safra de milho já alcançou mais de 90% de colheita e deve registrar a maior produtividade média da sua história. A produção estimada para este ciclo é de 2,8 milhões de toneladas, representando um aumento de 13% em comparação ao ano passado, que foi de 2,5 milhões de toneladas, apesar de ter sido cultivada em uma área menor de 268,3 mil hectares.
A produtividade média esperada é de 10.627 quilos por hectare, superando os 8.582 kg/ha do ano anterior.
Segundo o analista Edmar Gervásio, o cenário atual é positivo para os produtores, que estão vendendo o milho por cerca de R$ 70 a saca. Ele destaca que os preços estão cerca de 40% mais altos do que no mesmo período do ano passado, enquanto os custos de produção diminuíram em relação à safra anterior.
Contudo, há uma expectativa de queda nos preços futuros, em grande parte devido a previsões otimistas para a safra mundial, especialmente nos Estados Unidos, onde o plantio começará em abril e a área cultivada deverá aumentar.
Por outro lado, as perspectivas para a segunda safra de milho são menos promissoras. A escassez de chuvas em março e as altas temperaturas podem afetar negativamente essa safra em desenvolvimento, que atualmente é projetada em 15,9 milhões de toneladas.
Situação da soja
A safra de soja também enfrenta dificuldades devido às condições climáticas adversas. A previsão atual é de 21,06 milhões de toneladas, uma leve redução em relação à estimativa de fevereiro, que era de 21,18 milhões. Com 90% da colheita realizada em uma área de 5,76 milhões de hectares, a confiabilidade dos dados aumentou.
Gervásio observa que a produção inicial esperada era de 22,23 milhões de toneladas, mas a irregularidade climática impactou a produtividade, especialmente nas regiões Oeste e Norte, que representam 43% da área cultivada. Em contraste, a região Sul obteve resultados positivos.
A redução na produção, que corresponde a 1,17 milhão de toneladas (5,3%), pode ocasionar uma perda estimada de R$ 2,3 bilhões para o estado.
Apesar das dificuldades, Gervásio ressalta que a safra continua a ser favorável para os produtores, com custos de plantio mais baixos e preços médios de venda cerca de 13% superiores aos de março de 2024.
Olericultura e culturas de inverno
Na olericultura, a colheita da segunda safra de batata apresenta bons níveis de produtividade, enquanto a safra de cebola foi encerrada com resultados ajustados.
A primeira safra de tomate está na fase final de colheita, apresentando rendimentos satisfatórios, mas a segunda safra enfrenta desafios. No mercado, o tomate teve valorização no atacado, enquanto batata e cebola sofreram quedas significativas de preço devido a flutuações na oferta e demanda.
Atualmente, 92% da segunda safra de batata já foi plantada, com produção estimada em 342,6 mil toneladas e produtividade de 31,2 t/ha.
No entanto, os preços no atacado caíram 58,33% em relação ao ano anterior, com a batata sendo vendida a R$ 55,00 a saca de 25 quilos, em comparação a R$ 120,00 no mesmo período do ano passado.
A safra 2024/25 de cebolas foi concluída com uma colheita de 129,1 mil toneladas, apresentando uma leve diminuição em relação a fevereiro do ano passado. A produtividade, no entanto, superou as expectativas, alcançando 39,8 t/ha. O preço no atacado também registrou uma queda significativa, refletindo as condições do mercado.
Em relação ao tomate, a primeira safra está quase totalmente colhida, com 99% das 170,9 mil toneladas previstas já colhidas. A segunda safra, que tem 82% de plantio concluído, enfrenta dificuldades, apresentando uma produtividade de 28,1 t/ha, bem abaixo das expectativas.
Plantio de culturas de inverno
Em março, o Deral começou a divulgar as intenções de plantio das culturas de inverno, como aveia, canola e trigo. Para 2025, espera-se uma produção de 3,8 milhões de toneladas dessas culturas, um aumento de 30% em relação ao ano anterior, embora em uma área 15% menor, passando de 1,5 milhão para 1,2 milhão de hectares.
A expectativa para a colheita do feijão de segunda safra permanece estável, com previsão de 610,6 mil toneladas em uma área de 332 mil hectares.
Com as atuais projeções e previsões para as culturas de inverno, a estimativa total de produção de grãos no Paraná para 2025 é de 45 milhões de toneladas, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, com uma área cultivada de 10,5 milhões de hectares.
Boletim de conjuntura agropecuária
Nesta quinta-feira, o Deral também apresentou o Boletim de Conjuntura Agropecuária, que aborda a expectativa de preços mais favoráveis para os produtores de leite, devido à diminuição na captação industrial e ao aumento nas exportações.
O documento também menciona um recorde de abates de suínos em 2024, apesar da redução na produção de carnes, e destaca que a produção de ovos no Brasil atingiu um recorde, com o Paraná ocupando a segunda posição no país, com 459,114 milhões de dúzias.
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