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Regra dos 45 minutos para o café: nutricionista explica como aumentar energia, evitar azia e melhorar a absorção de nutrientes

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Para muita gente, o dia só começa depois da primeira xícara de café. O aroma forte, o sabor marcante e o efeito quase imediato de despertar transformaram a bebida em um ritual matinal quase sagrado. No entanto, um nutricionista espanhol trouxe à tona uma recomendação que pode mudar esse hábito: esperar cerca de 45 minutos após acordar antes de consumir cafeína. A orientação, apresentada em entrevista ao portal especializado em saúde Cuidate Plus, tem fundamento fisiológico e promete benefícios reais para o organismo.

O responsável pela recomendação é o nutricionista e criador de conteúdo Pablo Ojeda, que defende o que ele chama de “regra dos 45 minutos”. Segundo o especialista, esse intervalo é estratégico para que o corpo aproveite melhor seus próprios mecanismos naturais de ativação. Logo ao despertar, o organismo libera cortisol, hormônio essencial para regular o estado de alerta e fornecer energia. Esse pico ocorre naturalmente nas primeiras horas da manhã. Se o café é ingerido imediatamente ao acordar, pode haver uma sobreposição de estímulos, o que tende a gerar mais oscilação de energia ao longo do dia.

Energia mais estável e menos dependência
A lógica por trás da regra é simples: permitir que o corpo utilize sua energia natural antes de recorrer à cafeína. Ao aguardar cerca de 45 minutos, os níveis de cortisol atingem seu ápice e começam a se estabilizar. Nesse momento, a ingestão de café potencializa o estado de alerta sem provocar picos abruptos, o que pode resultar em maior disposição e menos sensação de “queda” algumas horas depois.

Além disso, o consumo de café com o estômago completamente vazio pode favorecer desconfortos gastrointestinais, como azia e irritação. A bebida estimula a produção de ácido gástrico e, sem alimento para ser digerido, esse ácido pode agredir a mucosa do estômago. Ao esperar um pouco e, se possível, ingerir algum alimento leve antes do café, o risco de desconforto tende a diminuir.

Outro ponto relevante destacado pelo especialista é a relação entre cafeína e dependência. O hábito de ingerir café imediatamente ao despertar pode reforçar a necessidade constante do estímulo para iniciar o dia. Ao ajustar o horário, o organismo aprende a utilizar seus próprios recursos energéticos, reduzindo tremores, ansiedade e a sensação de necessidade urgente da bebida.

Café e absorção de nutrientes
A recomendação não se limita ao período logo após acordar. O nutricionista também orienta evitar o consumo de café imediatamente após as refeições principais. Isso porque a cafeína pode interferir na absorção de alguns nutrientes, especialmente o ferro. Esse mineral é fundamental para a produção de hemoglobina e para o transporte de oxigênio no sangue. A ingestão de café junto ou logo após refeições pode reduzir significativamente a absorção do ferro, principalmente o de origem vegetal.

O efeito tende a ser mais pronunciado quando a refeição contém alto teor de gordura. O café, por ser estimulante, acelera o processo digestivo, o que pode intensificar a sensação de peso no estômago e provocar desconforto. Em pessoas sensíveis, essa combinação pode resultar em refluxo, queimação ou mal-estar.

Assim, pequenas mudanças de hábito — como esperar ao menos 30 a 60 minutos após comer para ingerir café — podem favorecer uma digestão mais tranquila e melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

Alternativas ao café nas primeiras horas do dia
Para quem não abre mão de começar a manhã com algo quente e reconfortante, há opções interessantes. O especialista sugere substituir temporariamente o café por infusões naturais, como chá de ervas, ou por água morna aromatizada com limão ou gengibre. Essas bebidas não contêm cafeína e podem contribuir para a hidratação após o período de jejum noturno.

A água com limão, por exemplo, é rica em vitamina C, nutriente que auxilia na absorção de ferro de origem vegetal. O gengibre, por sua vez, possui propriedades digestivas e pode ajudar a estimular suavemente o metabolismo. Essas alternativas não produzem o mesmo efeito estimulante imediato do café, mas oferecem benefícios nutricionais e podem preparar o organismo de forma mais equilibrada para o início das atividades.

Vale destacar que o café, por si só, não é vilão. Consumido com moderação, ele apresenta propriedades antioxidantes e pode estar associado à redução do risco de algumas doenças crônicas. O segredo está na forma e no momento do consumo.

Reavaliar hábitos simples do cotidiano pode fazer diferença significativa na qualidade de vida. A chamada regra dos 45 minutos não exige abandonar o café, mas apenas reorganizar o horário da primeira xícara. Ao respeitar o ritmo natural do corpo, é possível obter energia mais constante, reduzir desconfortos digestivos e melhorar a absorção de nutrientes essenciais. Em tempos em que cada detalhe conta para manter o equilíbrio da saúde, ajustar o momento do café pode ser um passo pequeno com impacto considerável.

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