O refluxo gastroesofágico é uma queixa frequente entre adultos e pode afetar significativamente o bem-estar ao longo do dia. A sensação de queimação no peito, o desconforto após as refeições e a azia recorrente são sinais de que o ácido do estômago está retornando para o esôfago, irritando a mucosa e provocando ardor. Embora medicamentos sejam amplamente utilizados no tratamento, especialistas destacam que medidas simples, adotadas na rotina, podem colaborar de forma consistente para reduzir os sintomas e melhorar a digestão.
Em entrevista ao portal HealthShots, o gastroenterologista Pratik Tibdewal explicou que pequenos ajustes nos hábitos alimentares e comportamentais ajudam a controlar o refluxo de forma natural. Segundo o médico, a maneira como se come pode ser tão importante quanto o que se come. Mastigar devagar, com atenção, favorece o trabalho do sistema digestivo e diminui a sobrecarga no estômago. A recomendação é mastigar cada garfada entre 25 e 30 vezes, permitindo que os alimentos cheguem ao estômago já bem triturados, facilitando o processo digestivo.
Entre os aliados naturais apontados pelo especialista está o gengibre. Reconhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e digestivas, ele pode contribuir para reduzir a acidez estomacal e aliviar a irritação gástrica leve. O consumo pode ser feito na forma de chá morno ou com o gengibre fresco adicionado às refeições. Além de ajudar no refluxo, a raiz também auxilia na redução de gases e inchaço abdominal.
Outra opção citada é o suco de aloe vera, planta conhecida popularmente como babosa. Em pequenas quantidades, ingeridas antes das refeições, a bebida pode ajudar a suavizar a mucosa gástrica e diminuir a sensação de acidez. O uso, no entanto, deve ser moderado e feito com orientação, já que o consumo excessivo pode causar efeitos indesejados.
A escolha das frutas também merece atenção. Frutas menos ácidas, como banana, maçã e pera, são mais indicadas para quem sofre com refluxo, pois ajudam a proteger a parede do estômago e reduzem a irritação. Já frutas cítricas, como laranja, limão e abacaxi, podem intensificar a azia e devem ser consumidas com cautela por pessoas sensíveis.
A aveia aparece como um alimento especialmente recomendado para o café da manhã. Rica em fibras, ela contribui para a estabilidade da digestão e tem a capacidade de absorver parte do excesso de ácido presente no estômago. Uma tigela de aveia pode, portanto, representar um início de dia mais confortável para quem convive com o problema.
A postura corporal após as refeições é outro ponto fundamental. Deitar-se logo depois de comer facilita o retorno do ácido ao esôfago. O ideal é permanecer sentado ou em pé por pelo menos duas a três horas após a alimentação. Durante o sono, elevar a cabeceira da cama também pode ajudar a reduzir os episódios noturnos de refluxo.
Os chás de ervas completam a lista de medidas naturais. Camomila e funcho possuem propriedades calmantes e anti-inflamatórias leves que podem auxiliar no alívio dos sintomas quando consumidos após as refeições.
O que fazer durante uma crise de refluxo
A Cleveland Clinic orienta que a dor provocada pelo refluxo pode ser confundida com dor cardíaca, pois ocorre na região do peito e envolve nervos semelhantes aos do coração. Apesar de não se tratar de um problema cardíaco, a sensação pode gerar preocupação.
Quando uma crise acontece, algumas atitudes imediatas podem ajudar. A primeira é levantar-se, evitando permanecer deitado. Em seguida, beber pequenos goles de água pode auxiliar na diluição da acidez. Afrouxar roupas apertadas, como cintos ou calças justas, também reduz a pressão na região abdominal, favorecendo o alívio do desconforto. O uso de um antiácido, quando indicado, pode complementar essas medidas e proporcionar melhora rápida.

Alimentos e hábitos que fazem diferença
A combinação entre alimentação adequada, mastigação lenta, escolha correta de bebidas e atenção à postura forma um conjunto de ações eficazes para quem busca reduzir a frequência das crises. Não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de criar uma rotina que favoreça o equilíbrio do sistema digestivo.
Especialistas reforçam que a regularidade desses cuidados é determinante. Pequenas mudanças, repetidas diariamente, tendem a apresentar resultados mais consistentes do que medidas pontuais adotadas apenas durante as crises.
Além disso, evitar refeições volumosas à noite, reduzir alimentos gordurosos e muito condimentados e manter horários regulares para comer são práticas que complementam as orientações naturais.
O refluxo, embora comum, não deve ser ignorado quando os sintomas são persistentes. Caso a azia seja frequente, o acompanhamento médico é essencial para avaliação adequada e definição do tratamento mais indicado. Enquanto isso, hábitos simples e escolhas alimentares conscientes podem representar um alívio significativo na rotina de quem convive com o desconforto.

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